domingo, 4 de outubro de 2009

9 . Setembro . 2009 ( PANG!)

Hoje esteve, sem dúvida, um dos melhores dias de sempre! Aliás, desde o fim de semana que o tempo tem vindo a melhorar, mas hoje até era possível andar pela rua sem qualquer casaco... E eu que já tinha desistido da ideia de sentir o Sol na pele! Foi, portanto, um dia perfeito para o PANG!
Mal saí do autocarro, fui confrontada com uma realidade por mim desconhecida: à entrada, três gigantescos contentores de onde só conseguia distinguir ca
becinhas saltitantes a gritar "ENCONTREI!", correndo de seguida para dentro da faculdade, enquanto outras lá continuavam na agitação de encontrar, também, a peça perfeita! Senti-me numa espécie de filme de terror cómico, estagnada do lado oposto da estrada sem saber o que encontrar se cruzasse a entrada da escola, mas ainda assim decidi experimentar! Ia sendo atropelada por uns quantos loucos que queriam à força chegar primeiro que os outros aos contentores, mas lá consegui entrar ilesa e confrontar-me com uma imagem perfeita: no jardim em frente ao bar, bem como em todos os restantes espaços de lazer exterior, centenas de pessoas, artilhadas com serrotes e martelos, conferenciavam, em grupos, uma estratégia de montagem.
Enquanto procurava pelo meu (pré-designado pela organização
), encontrei a Camilla, também ela numa correria para os contentores. Acompanhei-a enquanto me explicava o objectivo do PANG : criar um meio de transporte a partir de desperdícios e objectos encontrados, que transportasse o maior número de pessoas entre um ponto A e B, o mais rápido possível! Olhei para o interior dos contentores onde se podia encontrar de tudo um pouco: madeiras, arames, cabos, escadotes, cadeiras, bancos, bicicletas, carrinhos de bebés, cadeiras de rodas, andarilhos e, o melhor de tudo, sanitas e banheiras! Sim, até louça sanitária colocaram à nossa disposição... tudo em péssimo estado, claro está, mas capaz de ser reaproveitado! Ajudei-a a encontrar qualquer coisa que desse para fazer um banco e colei-me ao grupo dela! Quando me aproximei, já eles andavam atarefadíssimos com um carro semi-definido e um objectivo em mente: criar uma super bala em forma de veículo! Disseram-me que tínhamos 3 horas para acabar o carro e que, no fim, haveria uma corrida que ditaria os vários vencedores: o carro mais rápido, o mais original, o de maior capacidade e o mais sustentável. Nós estávamos, portanto, a concorrer para o mais rápido!
Passámos a manhã nisto... Serrar, partir, cortar, colar,
inventar, criar e inovar! Até um pára-quedas de sacos de plástico fizemos para ser lançado quando o nosso carrão cortasse a meta, supostamente porque ajudava a "travar", mas na verdade era só para fazer espectáculo! A dita fera era constituída por uma cadeira de rodas, à qual foi anexado um escadote com umas rodinhas de andarilho na ponta e 3 postos de combate: o "comandante" que incentivava e orientava a equipa, um "condutor/impulsionador" que controlava a velocidade e direcção e um "braker" que estaria responsável pelos travões e serviria, também, de escudo humano! Este teria que ser pequenino, para encaixar no lugar da frente deitado e ajudar na aerodinâmica da coisa... e quem é que vocês conhecem com pouco mais de metro e meio e que ingressava a tão feroz equipa?! Nem mais... eu mesma!! Estava eu na complexa confecção do dito pára-quedas, quando o já designado comandante (e bem giro por sinal) me pergunta "Hei Sara, do you want to be our brakes?!". É necessário referir que eu ainda não conhecia o perfeito funcionamento da viatura e o banco pareceu-me de facto muito confortável portanto... "Why not?!".
Tirámos o carro da relva para o experimentar, ele deu-me a "farda de combate" e foi então que me explicou o funcionamen
to dos travões. Ora portanto... as rodas da frente (as tais do andarilho) estavam artilhadas com uns travõezecos que funcionavam como os das bicicletas e eu só tinha que me deitar no tal banco da frente (ao longo do escadote), agarrar nas manetes dos travões e travar quando ele gritasse, com um megafone (só porque sim), "BRAAAKES"! Caso fosse necessário virar, também os travões ajudavam a definir a direcção. Lá experimentámos a coisa e... era tudo teoria! Os travões faziam tudo menos travar e virar seria praticamente impossível porque as rodas da frente eram pequenas demais e as de trás não rodavam, portanto, se alguma coisa corresse mal... era a minha cabeça que ia travar a coisa quando fosse projectada pelo impacto!
Fomos para o local da corrida perto da faculdade e felizmente a pista era curta e a direito, tudo de bom! Depois dos carros todos alinhados e de soar a corneta de início de concurso, começaram as corridas de dois a dois. Qual Redbull Races qual quê, o melhor espectáculo de todos os tempos, aqui mesmo, no KubaPark de Grünerløkka em Oslo! Uns carros giríssimos, outros práticos, outros nada funcionais; uns partiam-se no arranque, outros desintegravam-se pelo percurso; uns nem conseguiam controlar o rumo do carro, outros mal partiam já tinham chegado à meta... Diversidade e diversão! O nosso foi uma mistura de falta de rumo com bala, em vez de ir a direito, partiu na diagonal, mas a outra equipa nem teve hipótese! E a questão que paira no ar "Como é que travaram?!"... CONTRA O PASSEIO! Não fui projectada e acabei com os dentinhos todos, mas as minhas tentativas de travar o dito foram totalmente inúteis... eu bem via o passeio a aproximar-se enquanto gritava "BRAAAAAAAAKE!", mas eles estavam todos contentes a empurrar o carro e ninguém me ouviu, só mesmo o passeio os impediu de ir dar a volta ao mundo! Bem, com isto ganhámos a nossa corrida, mas nada mais, o que é pena porque os vencedores tinham direito a champanhe e a nossa prestação até foi magnífica!
Depois da corrida veio a parte da comemoração... Almocinho à pala e aproveitar o Sol m
aravilhoso que permanecia no céu mais limpo de todos os tempos! O mais engraçado é que todos podiam participar, não só alunos mas também funcionários e acho que até os professores, se quisessem! Eu bem os vi por lá todos divertidos ao fim da tarde, de cerveja na mão na conversa com os alunos como se fosse a coisa mais natural do mundo... Uma realidade um bocadinho diferente da minha, mas é sempre bom saber da sua existência! E ao que parece, o Sol veio para ficar portanto dias maravilhosos nos esperam!







Nota: Mais fotografias dos concorrentes e da corrida em http://pang.aho.no/ ou no meu picasa!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

6 . Setembro . 2009

Domingo. Sol. Dona de casa. Preguiça! É a isto que se resume o meu dia de hoje. Nem ao Blå fui, uma vez que a preguicite aguda se apoderou do meu corpo! Efeitos secundários de um fim-de-semana agitado...
Começou na 5ª feira, no Pub da AHO. Ao que parece esta gente começa logo às 6h da tarde, por isso quando lá cheguei às 21h, as poucas pessoas que sobravam ou eram Erasmus ou eram bêbedos! Sim, aqui os Erasmus são os mais calminhos, devido aos preços praticados e à falta de hábito! No entanto, este Pub é o sonho de qualquer um: a cerveja custa umas míseras 20 kr e ainda servem vinho do Porto, imagine-se! Chovia torrencialmente, o que não facilitou à boa disposição internacional e à vontade de ficar por muito tempo,mas a parte engraçada é voltar para casa às 23h e saber que nem se vai perder muito da noite porque a dita está quase no fim!
Entretanto, é oficial... não tenho aulas às sextas! Ainda assim tentei fazer de mim útil e ir para a faculdade trabalhar num projecto abstracto, mas só me rendeu um jantar italiano em casa da Camilla o que, vistas bem as coisas, é um bom ganho! Posto o convite, decidi ir comprar uma garrafa de vinho tinto, tarefa difícil nesta terra e que me fez correr para a Vinmonopolet que fechava às 5 da tarde! Aqui, todas as bebedeiras têm que ser planeadas, então era ver velhos e novos a abastecerem o stock de vodkas, whiskys e outros líquidos com uma significativa
percentagem de álcool! Esta loja específica a que me dirigi funcionava como uma farmácia: uma senhora atrás do balcão a quem se pede, não 500mg de Nimed, mas 50 litros do mais forte vodka do mercado! Pedi-lhe então um Monte Velho Tinto, mas ela não tinha então pedi-lhe para me trazer um vinho tinto português, e ela me trouxe um carrascão por 77 kr e um Periquita por 100 kr. Claro está que escolhi o 2º, já que é para me armar em fina ao menos que seja à grande! Doeu um bocadinho pagar 12€ por uma garrafa que custa 3 ou 4 no Pingo Doce, mas "em Roma sê Romano", portanto "na Noruega, sê rico!". Não volto a repetir a experiência tão cedo, mas ao menos a noite soube-me melhor... e também não é crime dar-nos a estes pequenos luxos de vez em quando!
O sábado, revelou-se o melhor dia desde que aqui cheguei! Foi o Designer's Saturday, uma mistura de Caldas Late Night com a Tektónica... Passo a explicar: várias lojas e casas espalhadas pela cidade, com artigos de Design expostos e para venda, desde casas de banho e cozinhas a mobiliário e decoração. Nos postos de apoio, davam-nos um mapa e um saco; o mapa para seguir as várias exposições e o saco para armazenar as revistas, livros, guias e panfletos distribuídos. Mas a melhor parte não eram propriamente as exposições... Em cada loja se encontravam mesas enormes com canapés e coisas boas para comer e beber enquanto se dava uma volta pelos artigos ou, simplesmente, enquanto se ficava sentado a enfardar tudo o que se podia! Estudantes, numa cidade cara, com comida e bebida à borla... querem o quê?! Irresistível, claro está! Numa das lojas serviam, imagine-se, croissants e vinho PORTUGUÊS e, numa outra, presunto e queijo! Eu e a Natacha abancámos logo na mesa de cozinha onde se encontrava o presunto e, fingindo que discutíamos algo importantíssimo sobre a exposição, comemos todo o presunto que nos foi permitido (até o estômago gritar "PÁRA", portanto!). Mas vá... esta loja até tinha artigos de casa de banho adoráveis, como a sanita preta por que me apaixonei e que tão bem ficava na nossa WC em Lisboa (que a minha manusca anda, tão atarefada, a modificar).
Andámos o dia todo nisto, de exposição em exposição, a encher o bandulho de coisas boas e o saco de catálogos e amostras e, após uma breve passagem em casa para jantar algo consistente e largar os pesos recolhidos, seguimos para uma festa algures num sítio fancy da cidade. Claro que para lá chegarmos andámos milhares de quilómetros (graças à senhora do eléctrico que nos enganou na paragem), porque se tivéssemos lá chegado logo, as coisas não tinham piada nenhuma! O espaço era genial: uma garagem com ar de abandonada, com pneus a fazer de mesa de Dj e velharias colocadas, aparentemente ao acaso, a compor uma "modesta decoração". Mas, após a longa caminhada para lá chegar, estávamos cansadíssimos e ficamos pouco tempo, até para eu conseguir apanhar o último autocarro para casa!
Posto isto, vou-me deitar que morro de sono... Bye bye!