Ora portanto... para que não achem todos que morri... EU ESTOU AQUI!
Venho por este meio pedir as minhas mais sinceras desculpas por não ter actualizado esta coisa, que morreu e ficou de luto e tudo... Não é por não gostar de vocês, nem tão pouco por não gostar disto aqui!
Acho, simplesmente, que os dias diminuíram! E não me refiro à duração da luz solar (que começa a ser significativamente reduzida), mas à duração das horas. De repente, as 24horas utilizadas por mim, parecem não ser suficientes para nada! E não, não ando assim tão cheia de afazeres ou acontecimentos magníficos ou whatever... Não sei, reduziu!
Prometo, contudo, que em breve (o mais que possa) correrei estes dois meses que nos separam que nem uma bala. Diria mais... A bala mais rápida do universo!
Posso entretanto garantir-vos que a semana com a minha irmã foi fabulosa, a visita das minhas babes maravilhosa foi, mas as saudades aumentam e apertam... e sim, consigo enunciar as 3 coisas que mais falta me têm feito, e não querendo ferir susceptibilidades, são elas: Baltazar, Conduzir e Bairro Alto! Adianto, também, que ainda não descobri o amor da minha vida (e começo a duvidar que possa, alguma vez, ser um troll norueguês), continuo a irritar-me com a raça emigrante cá (só voltei à Grønland por obrigação de uma visita de estudo) e com os drogados deste país, estou farta de carrinhos de bebés, adoro cada vez mais esta faculdade, arranjei um emprego numa florista e ainda não tenho bicicleta (estou à espera da primavera para adquirir) e SIM : FICO NO SEGUNDO SEMESTRE =D
Não se apoquentem que de 21 de Dezembro a 8 de Janeiro, re-habitarei a cidade de Lisboa para vos atormentar a todos com o meu maior sorriso!
Beijinhos e abraços, e obrigada a todos aqueles que continuam a passar por aqui na esperança fugaz de uma novidade deste lado!
domingo, 15 de novembro de 2009
18 . Setembro . 2009
É hoje! É hoje! É hoje é hoje é HOJEEEEEEE! Acordei assim e tenho que partilhar... Nunca pensei sentir-me tão feliz com a ideia de ver a minha irmã! É que, vistas bem as coisas, é das pessoas que mais via em Portugal... até a dormir, imagine-se! Agora que estou há um mês longe dela, uma felicidade extrema invade-se-me as entranhas só porque chega hoje... Qui lindo!
Acordei cedinho para tratar dos últimos detalhes e aprimorar a casota para a sua chegada! Aliás, toda a semana tem sido ocupada com preparativos para este dia... parece um casamento, que orgulho!Na segunda-feira fui buscar a mesa de cabeceira a casa da Natacha. Mais uma "aventura mobiliária nos transportes nórdicos", mas desta feita muito mais bem sucedida! Estou a melhorar significativamente nesta prática de andar com coisas estranhas nos transportes públicos... qualquer dia vou ao IKEA comprar um sofá só para sentir toda uma nova adrenalina!
Infelizmente, continuo a não saber contornar filas de espera... Antes de ir buscar a dita, fui comprar o passe e toma lá mais uma hora de espera! Parece que tudo funciona como nos médicos cá: horas de espera para 5 minutos de atendimento e um rombo na carteira! A parte boa, no entanto, é que não me desabituo da vivência portuguesa! Portanto, já sabem, se quiserem emigrar e sentir-se em casa, mudem-se para Oslo! Ou então não... o nível de vida cá é, contudo, mais elevado, o que deve tornar complicada a habituação de chegar ao fim do mês com dinheiro na carteira!
A parte boa da espera, foi roubar todo o tipo de guias existentes no centro de turismo e planear devidamente a semana que se avizinha! Para ajudar à festa, terça-feira descobri um sítio trèsfantastique para as levar: Frognerseteren. A cerca de meia hora do centro, no topo de uma montanha, o local perfeito para uma tarde de Sol! Uma vista fantástica sobre a cidade e o fjord, um café nas suas típicas casotas de madeira com um aspecto super acolhedor para as tardes de Inverno e cestos gigantes cheios de muffins e coisas boas! Tudo seria perfeito, não fosse o caso de ser mais uma daquelas aulas de Norwegian Architecture, terríveis, enfadonhas e sem conteúdo! Fomos ainda visitar o Park Rica Hotel, também todo ele em madeirinhas e arabescos, ao que eles chamam de "Dragon Style", mas tudo em maus! Muito orgulho têm eles destas casotas... é delas e do Fram... "Um navio que fez 3 extraodinárias viagens" (e depois se desintegrou!): descobriram o Canadá (que eles aprimoram dizendo que foi a América), o Pólo Norte e tentarem chegar ao Pólo Sul, não deviam era saber que ficava na ponta oposta à do Norte e não chegaram lá! Devia contar-lhes a história do Vasco da Gama ou do Bartolomeu Dias para eles aprenderem quem é o REI dos Descobrimentos! Dessas coisas não sabem eles... Portugal é pequenino mas já mandou no mundo! Mas agora os ricos são os noruegueses...
Ainda tive tempo de ir ao IKEA comprar mais pratos e talheres para as poder alimentar de forma civilizada! Apesar de já dominar o esquema daquele FreeBus, uma ida ao IKEA é sempre um desassossego! Primeiro as mil voltas no armazém gigante, depois o auto-controle para não levar todas aquelas mil coisas que não preciso para nada mas teimam em saltar-me para o carrinho, depois a tentação de me esquecer de registar alguma coisa na caixa de Self-Service e, por fim, voltar para casa com sacos carregadíssimos... Pior! Voltar para casa com sacos carregadíssimos E com louça que não se podia, de forma alguma, partir! Felizmente, a missão foi cumprida com sucesso e podemos todas comer e beber à vontade que já não se vive numa barraca!
E pronto... agora tenho toda uma semana com a minha manusca pela frente! Já pensei e planeei tuuuudo! Agora vou-me que elas já aterraram em Oslo e dentro de 30 minutos estão no centro!
YEEEEEY =D
Acordei cedinho para tratar dos últimos detalhes e aprimorar a casota para a sua chegada! Aliás, toda a semana tem sido ocupada com preparativos para este dia... parece um casamento, que orgulho!Na segunda-feira fui buscar a mesa de cabeceira a casa da Natacha. Mais uma "aventura mobiliária nos transportes nórdicos", mas desta feita muito mais bem sucedida! Estou a melhorar significativamente nesta prática de andar com coisas estranhas nos transportes públicos... qualquer dia vou ao IKEA comprar um sofá só para sentir toda uma nova adrenalina!
Infelizmente, continuo a não saber contornar filas de espera... Antes de ir buscar a dita, fui comprar o passe e toma lá mais uma hora de espera! Parece que tudo funciona como nos médicos cá: horas de espera para 5 minutos de atendimento e um rombo na carteira! A parte boa, no entanto, é que não me desabituo da vivência portuguesa! Portanto, já sabem, se quiserem emigrar e sentir-se em casa, mudem-se para Oslo! Ou então não... o nível de vida cá é, contudo, mais elevado, o que deve tornar complicada a habituação de chegar ao fim do mês com dinheiro na carteira!
A parte boa da espera, foi roubar todo o tipo de guias existentes no centro de turismo e planear devidamente a semana que se avizinha! Para ajudar à festa, terça-feira descobri um sítio trèsfantastique para as levar: Frognerseteren. A cerca de meia hora do centro, no topo de uma montanha, o local perfeito para uma tarde de Sol! Uma vista fantástica sobre a cidade e o fjord, um café nas suas típicas casotas de madeira com um aspecto super acolhedor para as tardes de Inverno e cestos gigantes cheios de muffins e coisas boas! Tudo seria perfeito, não fosse o caso de ser mais uma daquelas aulas de Norwegian Architecture, terríveis, enfadonhas e sem conteúdo! Fomos ainda visitar o Park Rica Hotel, também todo ele em madeirinhas e arabescos, ao que eles chamam de "Dragon Style", mas tudo em maus! Muito orgulho têm eles destas casotas... é delas e do Fram... "Um navio que fez 3 extraodinárias viagens" (e depois se desintegrou!): descobriram o Canadá (que eles aprimoram dizendo que foi a América), o Pólo Norte e tentarem chegar ao Pólo Sul, não deviam era saber que ficava na ponta oposta à do Norte e não chegaram lá! Devia contar-lhes a história do Vasco da Gama ou do Bartolomeu Dias para eles aprenderem quem é o REI dos Descobrimentos! Dessas coisas não sabem eles... Portugal é pequenino mas já mandou no mundo! Mas agora os ricos são os noruegueses...
Ainda tive tempo de ir ao IKEA comprar mais pratos e talheres para as poder alimentar de forma civilizada! Apesar de já dominar o esquema daquele FreeBus, uma ida ao IKEA é sempre um desassossego! Primeiro as mil voltas no armazém gigante, depois o auto-controle para não levar todas aquelas mil coisas que não preciso para nada mas teimam em saltar-me para o carrinho, depois a tentação de me esquecer de registar alguma coisa na caixa de Self-Service e, por fim, voltar para casa com sacos carregadíssimos... Pior! Voltar para casa com sacos carregadíssimos E com louça que não se podia, de forma alguma, partir! Felizmente, a missão foi cumprida com sucesso e podemos todas comer e beber à vontade que já não se vive numa barraca!
E pronto... agora tenho toda uma semana com a minha manusca pela frente! Já pensei e planeei tuuuudo! Agora vou-me que elas já aterraram em Oslo e dentro de 30 minutos estão no centro!
YEEEEEY =D
13 . Setembro . 2009 (Sunny Barbecue Sunday)
Domingo. Sol. Nuvens. Sol.
O bom tempo tem-se mantido, apesar do frio começar a aparecer. Com a ideia da futura escuridão em mente, decidimos celebrar os possíveis últimos dias de bom tempo com um fantástico Barbecue na praia. Sim... ele há praia e barbecues portáteis! Apesar de toda esta boa vontade, o Sol armou-se em parvo e andou a tentar brincar às escondidas connosco, o azar dele é que ninguém lhe ligou nenhuma.
Era suposto irem todos os Erasmus, numa espécie de reunião amigável, mas a noite de ontem desgraçou alguns que ficaram a cama e água hoje. Gostava de perceber como, porque eu começo a ficar realmente zangada com a noite norueguesa e ou descubro rapidamente um bar com boa música, ou acho que cometo um atentado terrorista contra todos os bares da cidade! Não estou com isto a dizer que me divirto, porque até divirto... mas em casa! Assim que saímos em busca de festarola, acaba tudo! Primeiro: é só troll's noruegueses mal educados e bêbedos por todo o lado; segundo: nem nos dão a hipótese de nos embebedar-mos e "ir na onda" porque é tudo caro para burro; e terceiro: desconhecem o conceito de música dançável em estabelecimentos nocturnos.
Ontem, por exemplo, grande anúncio a uma festa de electro em Grünerløkka, toda a gente animadíssima..."Yey!Finalmente electro!" Qual electro qual quê?! Posso assegurar-vos que foi o pior género musical alguma vez captado pelos meus ouvidos, tão mau que nem o souberam identificar! T-E-N-E-B-R-O-S-O! Claro que alguns dos Erasmus adoraram, mas há que analisar primeiro o nível de alcoolémia e, talvez, a nacionalidade! Portuguesa e japonês estagnados, aterrorizados. Holandês e chileno, 5 minutos e uma corrida dali para fora. Alemão, nem prestava atenção à batida. Tudo o resto, desde irlandeses a finlandeses, passando por franceses e suecos, dançavam euforicamente como se estivessem na melhor discoteca de todos os tempos! (ok... a nacionalidade não tem nada a ver... mas eu achei que ficava giro!). Pouco depois de ter entrado, achava eu que já tinha sofrido o suficiente, quando começa um tortuoso ritual de acasalamento entre dois noruegueses completamente acabados em termos alcoólicos e eu pensei "enough is enough"! Heis senão quando chega a salvação em forma de Chile, com a boa nova de um bar no lado oposto da praça, com boa música. Corremos para lá e foi como um milagre vindo dos céus! Mas tudo o que é bom acaba depressa, e tendo em conta que eram 2 da manhã, aquilo fechou 10 minutos depois de termos entrado.
Há ainda que referir o momento alto daquela noite... situando, portanto: estávamos em Pilestredet, na pre-party e queríamos ir para Grünerløkka para a festa "de electro". Separando as duas áreas, estende-se um (significativamente) grande cemitério. Duas hipóteses : 1º - dar a volta ao cemitério, por ruas iluminadas e com pessoas normais; ou 2º - atravessá-lo por um caminho de cabras escuríssimo, com mortos acabados de enterrar, campas e velas umas atrás das outras e uma lua cheia para despertar os zombies que se quisessem formar. Qual a hipótese escolhida por quem ia a frente?! CEMITÉRIO! Claro que eu só me apercebi da escolha depois de já lá estar dentro, quando começo a ver na penumbra mil cruzes alinhadas e depois do Ruben me dizer "cuidado com o senhor que pode saltar detrás da campa!". Nesse momento borrei-me toda, agarrei-me a ele como se a minha vida dependesse disso e acelerei o passo até ver luz e uma saída! Portanto... se quiserem aventurar-se na vida, atravessem cemitérios sombrios durante a noite e SÓBRIOS! Vão ver como é toda uma nova percepção de ousadia!
Entretanto, tenho a partilhar que passei a noite de sexta na faculdade... Ah pois é! Noitadas na faculdade também as há cá! Mas... desenganem-se se acham que ando a fazer directas em pleno Setembro... Nada disso! Fiquei a ver True Blood com a Natacha e o Ruben, uma vez que a sala dele tem um projector fantabulástico (sim, sem dúvida a melhor escolha para antecipar a passagem pelo cemitério no dia seguinte). E comi McDonalds pela primeira vez desde que cá cheguei! E menus a 12 euros é mito... é tudo caro, mas também há promoções de "cheeseburguer a 1 euro!" (só que cá é 10kr).
E pronto... com a boa nova me despeço, desejando tudo de bom!
O bom tempo tem-se mantido, apesar do frio começar a aparecer. Com a ideia da futura escuridão em mente, decidimos celebrar os possíveis últimos dias de bom tempo com um fantástico Barbecue na praia. Sim... ele há praia e barbecues portáteis! Apesar de toda esta boa vontade, o Sol armou-se em parvo e andou a tentar brincar às escondidas connosco, o azar dele é que ninguém lhe ligou nenhuma.
Era suposto irem todos os Erasmus, numa espécie de reunião amigável, mas a noite de ontem desgraçou alguns que ficaram a cama e água hoje. Gostava de perceber como, porque eu começo a ficar realmente zangada com a noite norueguesa e ou descubro rapidamente um bar com boa música, ou acho que cometo um atentado terrorista contra todos os bares da cidade! Não estou com isto a dizer que me divirto, porque até divirto... mas em casa! Assim que saímos em busca de festarola, acaba tudo! Primeiro: é só troll's noruegueses mal educados e bêbedos por todo o lado; segundo: nem nos dão a hipótese de nos embebedar-mos e "ir na onda" porque é tudo caro para burro; e terceiro: desconhecem o conceito de música dançável em estabelecimentos nocturnos.
Ontem, por exemplo, grande anúncio a uma festa de electro em Grünerløkka, toda a gente animadíssima..."Yey!Finalmente electro!" Qual electro qual quê?! Posso assegurar-vos que foi o pior género musical alguma vez captado pelos meus ouvidos, tão mau que nem o souberam identificar! T-E-N-E-B-R-O-S-O! Claro que alguns dos Erasmus adoraram, mas há que analisar primeiro o nível de alcoolémia e, talvez, a nacionalidade! Portuguesa e japonês estagnados, aterrorizados. Holandês e chileno, 5 minutos e uma corrida dali para fora. Alemão, nem prestava atenção à batida. Tudo o resto, desde irlandeses a finlandeses, passando por franceses e suecos, dançavam euforicamente como se estivessem na melhor discoteca de todos os tempos! (ok... a nacionalidade não tem nada a ver... mas eu achei que ficava giro!). Pouco depois de ter entrado, achava eu que já tinha sofrido o suficiente, quando começa um tortuoso ritual de acasalamento entre dois noruegueses completamente acabados em termos alcoólicos e eu pensei "enough is enough"! Heis senão quando chega a salvação em forma de Chile, com a boa nova de um bar no lado oposto da praça, com boa música. Corremos para lá e foi como um milagre vindo dos céus! Mas tudo o que é bom acaba depressa, e tendo em conta que eram 2 da manhã, aquilo fechou 10 minutos depois de termos entrado.
Há ainda que referir o momento alto daquela noite... situando, portanto: estávamos em Pilestredet, na pre-party e queríamos ir para Grünerløkka para a festa "de electro". Separando as duas áreas, estende-se um (significativamente) grande cemitério. Duas hipóteses : 1º - dar a volta ao cemitério, por ruas iluminadas e com pessoas normais; ou 2º - atravessá-lo por um caminho de cabras escuríssimo, com mortos acabados de enterrar, campas e velas umas atrás das outras e uma lua cheia para despertar os zombies que se quisessem formar. Qual a hipótese escolhida por quem ia a frente?! CEMITÉRIO! Claro que eu só me apercebi da escolha depois de já lá estar dentro, quando começo a ver na penumbra mil cruzes alinhadas e depois do Ruben me dizer "cuidado com o senhor que pode saltar detrás da campa!". Nesse momento borrei-me toda, agarrei-me a ele como se a minha vida dependesse disso e acelerei o passo até ver luz e uma saída! Portanto... se quiserem aventurar-se na vida, atravessem cemitérios sombrios durante a noite e SÓBRIOS! Vão ver como é toda uma nova percepção de ousadia!
Entretanto, tenho a partilhar que passei a noite de sexta na faculdade... Ah pois é! Noitadas na faculdade também as há cá! Mas... desenganem-se se acham que ando a fazer directas em pleno Setembro... Nada disso! Fiquei a ver True Blood com a Natacha e o Ruben, uma vez que a sala dele tem um projector fantabulástico (sim, sem dúvida a melhor escolha para antecipar a passagem pelo cemitério no dia seguinte). E comi McDonalds pela primeira vez desde que cá cheguei! E menus a 12 euros é mito... é tudo caro, mas também há promoções de "cheeseburguer a 1 euro!" (só que cá é 10kr).
E pronto... com a boa nova me despeço, desejando tudo de bom!
domingo, 4 de outubro de 2009
9 . Setembro . 2009 ( PANG!)
Hoje esteve, sem dúvida, um dos melhores dias de sempre! Aliás, desde o fim de semana que o tempo tem vindo a melhorar, mas hoje até era possível andar pela rua sem qualquer casaco... E eu que já tinha desistido da ideia de sentir o Sol na pele! Foi, portanto, um dia perfeito para o PANG!
Mal saí do autocarro, fui confrontada com uma realidade por mim desconhecida: à entrada, três gigantescos contentores de onde só conseguia distinguir cabecinhas saltitantes a gritar "ENCONTREI!", correndo de seguida para dentro da faculdade, enquanto outras lá continuavam na agitação de encontrar, também, a peça perfeita! Senti-me numa espécie de filme de terror cómico, estagnada do lado oposto da estrada sem saber o que encontrar se cruzasse a entrada da escola, mas ainda assim decidi experimentar! Ia sendo atropelada por uns quantos loucos que queriam à força chegar primeiro que os outros aos contentores, mas lá consegui entrar ilesa e confrontar-me com uma imagem perfeita: no jardim em frente ao bar, bem como em todos os restantes espaços de lazer exterior, centenas de pessoas, artilhadas com serrotes e martelos, conferenciavam, em grupos, uma estratégia de montagem.
Enquanto procurava pelo meu (pré-designado pela organização), encontrei a Camilla, também ela numa correria para os contentores. Acompanhei-a enquanto me explicava o objectivo do PANG : criar um meio de transporte a partir de desperdícios e objectos encontrados, que transportasse o maior número de pessoas entre um ponto A e B, o mais rápido possível! Olhei para o interior dos contentores onde se podia encontrar de tudo um pouco: madeiras, arames, cabos, escadotes, cadeiras, bancos, bicicletas, carrinhos de bebés, cadeiras de rodas, andarilhos e, o melhor de tudo, sanitas e banheiras! Sim, até louça sanitária colocaram à nossa disposição... tudo em péssimo estado, claro está, mas capaz de ser reaproveitado! Ajudei-a a encontrar qualquer coisa que desse para fazer um banco e colei-me ao grupo dela! Quando me aproximei, já eles andavam atarefadíssimos com um carro semi-definido e um objectivo em mente: criar uma super bala em forma de veículo! Disseram-me que tínhamos 3 horas para acabar o carro e que, no fim, haveria uma corrida que ditaria os vários vencedores: o carro mais rápido, o mais original, o de maior capacidade e o mais sustentável. Nós estávamos, portanto, a concorrer para o mais rápido!
Passámos a manhã nisto... Serrar, partir, cortar, colar, inventar, criar e inovar! Até um pára-quedas de sacos de plástico fizemos para ser lançado quando o nosso carrão cortasse a meta, supostamente porque ajudava a "travar", mas na verdade era só para fazer espectáculo! A dita fera era constituída por uma cadeira de rodas, à qual foi anexado um escadote com umas rodinhas de andarilho na ponta e 3 postos de combate: o "comandante" que incentivava e orientava a equipa, um "condutor/impulsionador" que controlava a velocidade e direcção e um "braker" que estaria responsável pelos travões e serviria, também, de escudo humano! Este teria que ser pequenino, para encaixar no lugar da frente deitado e ajudar na aerodinâmica da coisa... e quem é que vocês conhecem com pouco mais de metro e meio e que ingressava a tão feroz equipa?! Nem mais... eu mesma!! Estava eu na complexa confecção do dito pára-quedas, quando o já designado comandante (e bem giro por sinal) me pergunta "Hei Sara, do you want to be our brakes?!". É necessário referir que eu ainda não conhecia o perfeito funcionamento da viatura e o banco pareceu-me de facto muito confortável portanto... "Why not?!".
Tirámos o carro da relva para o experimentar, ele deu-me a "farda de combate" e foi então que me explicou o funcionamento dos travões. Ora portanto... as rodas da frente (as tais do andarilho) estavam artilhadas com uns travõezecos que funcionavam como os das bicicletas e eu só tinha que me deitar no tal banco da frente (ao longo do escadote), agarrar nas manetes dos travões e travar quando ele gritasse, com um megafone (só porque sim), "BRAAAKES"! Caso fosse necessário virar, também os travões ajudavam a definir a direcção. Lá experimentámos a coisa e... era tudo teoria! Os travões faziam tudo menos travar e virar seria praticamente impossível porque as rodas da frente eram pequenas demais e as de trás não rodavam, portanto, se alguma coisa corresse mal... era a minha cabeça que ia travar a coisa quando fosse projectada pelo impacto!
Fomos para o local da corrida perto da faculdade e felizmente a pista era curta e a direito, tudo de bom! Depois dos carros todos alinhados e de soar a corneta de início de concurso, começaram as corridas de dois a dois. Qual Redbull Races qual quê, o melhor espectáculo de todos os tempos, aqui mesmo, no KubaPark de Grünerløkka em Oslo! Uns carros giríssimos, outros práticos, outros nada funcionais; uns partiam-se no arranque, outros desintegravam-se pelo percurso; uns nem conseguiam controlar o rumo do carro, outros mal partiam já tinham chegado à meta... Diversidade e diversão! O nosso foi uma mistura de falta de rumo com bala, em vez de ir a direito, partiu na diagonal, mas a outra equipa nem teve hipótese! E a questão que paira no ar "Como é que travaram?!"... CONTRA O PASSEIO! Não fui projectada e acabei com os dentinhos todos, mas as minhas tentativas de travar o dito foram totalmente inúteis... eu bem via o passeio a aproximar-se enquanto gritava "BRAAAAAAAAKE!", mas eles estavam todos contentes a empurrar o carro e ninguém me ouviu, só mesmo o passeio os impediu de ir dar a volta ao mundo! Bem, com isto ganhámos a nossa corrida, mas nada mais, o que é pena porque os vencedores tinham direito a champanhe e a nossa prestação até foi magnífica!
Depois da corrida veio a parte da comemoração... Almocinho à pala e aproveitar o Sol maravilhoso que permanecia no céu mais limpo de todos os tempos! O mais engraçado é que todos podiam participar, não só alunos mas também funcionários e acho que até os professores, se quisessem! Eu bem os vi por lá todos divertidos ao fim da tarde, de cerveja na mão na conversa com os alunos como se fosse a coisa mais natural do mundo... Uma realidade um bocadinho diferente da minha, mas é sempre bom saber da sua existência! E ao que parece, o Sol veio para ficar portanto dias maravilhosos nos esperam!


Nota: Mais fotografias dos concorrentes e da corrida em http://pang.aho.no/ ou no meu picasa!
Mal saí do autocarro, fui confrontada com uma realidade por mim desconhecida: à entrada, três gigantescos contentores de onde só conseguia distinguir cabecinhas saltitantes a gritar "ENCONTREI!", correndo de seguida para dentro da faculdade, enquanto outras lá continuavam na agitação de encontrar, também, a peça perfeita! Senti-me numa espécie de filme de terror cómico, estagnada do lado oposto da estrada sem saber o que encontrar se cruzasse a entrada da escola, mas ainda assim decidi experimentar! Ia sendo atropelada por uns quantos loucos que queriam à força chegar primeiro que os outros aos contentores, mas lá consegui entrar ilesa e confrontar-me com uma imagem perfeita: no jardim em frente ao bar, bem como em todos os restantes espaços de lazer exterior, centenas de pessoas, artilhadas com serrotes e martelos, conferenciavam, em grupos, uma estratégia de montagem.
Enquanto procurava pelo meu (pré-designado pela organização), encontrei a Camilla, também ela numa correria para os contentores. Acompanhei-a enquanto me explicava o objectivo do PANG : criar um meio de transporte a partir de desperdícios e objectos encontrados, que transportasse o maior número de pessoas entre um ponto A e B, o mais rápido possível! Olhei para o interior dos contentores onde se podia encontrar de tudo um pouco: madeiras, arames, cabos, escadotes, cadeiras, bancos, bicicletas, carrinhos de bebés, cadeiras de rodas, andarilhos e, o melhor de tudo, sanitas e banheiras! Sim, até louça sanitária colocaram à nossa disposição... tudo em péssimo estado, claro está, mas capaz de ser reaproveitado! Ajudei-a a encontrar qualquer coisa que desse para fazer um banco e colei-me ao grupo dela! Quando me aproximei, já eles andavam atarefadíssimos com um carro semi-definido e um objectivo em mente: criar uma super bala em forma de veículo! Disseram-me que tínhamos 3 horas para acabar o carro e que, no fim, haveria uma corrida que ditaria os vários vencedores: o carro mais rápido, o mais original, o de maior capacidade e o mais sustentável. Nós estávamos, portanto, a concorrer para o mais rápido!
Passámos a manhã nisto... Serrar, partir, cortar, colar, inventar, criar e inovar! Até um pára-quedas de sacos de plástico fizemos para ser lançado quando o nosso carrão cortasse a meta, supostamente porque ajudava a "travar", mas na verdade era só para fazer espectáculo! A dita fera era constituída por uma cadeira de rodas, à qual foi anexado um escadote com umas rodinhas de andarilho na ponta e 3 postos de combate: o "comandante" que incentivava e orientava a equipa, um "condutor/impulsionador" que controlava a velocidade e direcção e um "braker" que estaria responsável pelos travões e serviria, também, de escudo humano! Este teria que ser pequenino, para encaixar no lugar da frente deitado e ajudar na aerodinâmica da coisa... e quem é que vocês conhecem com pouco mais de metro e meio e que ingressava a tão feroz equipa?! Nem mais... eu mesma!! Estava eu na complexa confecção do dito pára-quedas, quando o já designado comandante (e bem giro por sinal) me pergunta "Hei Sara, do you want to be our brakes?!". É necessário referir que eu ainda não conhecia o perfeito funcionamento da viatura e o banco pareceu-me de facto muito confortável portanto... "Why not?!".
Tirámos o carro da relva para o experimentar, ele deu-me a "farda de combate" e foi então que me explicou o funcionamento dos travões. Ora portanto... as rodas da frente (as tais do andarilho) estavam artilhadas com uns travõezecos que funcionavam como os das bicicletas e eu só tinha que me deitar no tal banco da frente (ao longo do escadote), agarrar nas manetes dos travões e travar quando ele gritasse, com um megafone (só porque sim), "BRAAAKES"! Caso fosse necessário virar, também os travões ajudavam a definir a direcção. Lá experimentámos a coisa e... era tudo teoria! Os travões faziam tudo menos travar e virar seria praticamente impossível porque as rodas da frente eram pequenas demais e as de trás não rodavam, portanto, se alguma coisa corresse mal... era a minha cabeça que ia travar a coisa quando fosse projectada pelo impacto!
Fomos para o local da corrida perto da faculdade e felizmente a pista era curta e a direito, tudo de bom! Depois dos carros todos alinhados e de soar a corneta de início de concurso, começaram as corridas de dois a dois. Qual Redbull Races qual quê, o melhor espectáculo de todos os tempos, aqui mesmo, no KubaPark de Grünerløkka em Oslo! Uns carros giríssimos, outros práticos, outros nada funcionais; uns partiam-se no arranque, outros desintegravam-se pelo percurso; uns nem conseguiam controlar o rumo do carro, outros mal partiam já tinham chegado à meta... Diversidade e diversão! O nosso foi uma mistura de falta de rumo com bala, em vez de ir a direito, partiu na diagonal, mas a outra equipa nem teve hipótese! E a questão que paira no ar "Como é que travaram?!"... CONTRA O PASSEIO! Não fui projectada e acabei com os dentinhos todos, mas as minhas tentativas de travar o dito foram totalmente inúteis... eu bem via o passeio a aproximar-se enquanto gritava "BRAAAAAAAAKE!", mas eles estavam todos contentes a empurrar o carro e ninguém me ouviu, só mesmo o passeio os impediu de ir dar a volta ao mundo! Bem, com isto ganhámos a nossa corrida, mas nada mais, o que é pena porque os vencedores tinham direito a champanhe e a nossa prestação até foi magnífica!
Depois da corrida veio a parte da comemoração... Almocinho à pala e aproveitar o Sol maravilhoso que permanecia no céu mais limpo de todos os tempos! O mais engraçado é que todos podiam participar, não só alunos mas também funcionários e acho que até os professores, se quisessem! Eu bem os vi por lá todos divertidos ao fim da tarde, de cerveja na mão na conversa com os alunos como se fosse a coisa mais natural do mundo... Uma realidade um bocadinho diferente da minha, mas é sempre bom saber da sua existência! E ao que parece, o Sol veio para ficar portanto dias maravilhosos nos esperam!


Nota: Mais fotografias dos concorrentes e da corrida em http://pang.aho.no/ ou no meu picasa!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
6 . Setembro . 2009
Domingo. Sol. Dona de casa. Preguiça! É a isto que se resume o meu dia de hoje. Nem ao Blå fui, uma vez que a preguicite aguda se apoderou do meu corpo! Efeitos secundários de um fim-de-semana agitado...
Começou na 5ª feira, no Pub da AHO. Ao que parece esta gente começa logo às 6h da tarde, por isso quando lá cheguei às 21h, as poucas pessoas que sobravam ou eram Erasmus ou eram bêbedos! Sim, aqui os Erasmus são os mais calminhos, devido aos preços praticados e à falta de hábito! No entanto, este Pub é o sonho de qualquer um: a cerveja custa umas míseras 20 kr e ainda servem vinho do Porto, imagine-se! Chovia torrencialmente, o que não facilitou à boa disposição internacional e à vontade de ficar por muito tempo,mas a parte engraçada é voltar para casa às 23h e saber que nem se vai perder muito da noite porque a dita está quase no fim!
Entretanto, é oficial... não tenho aulas às sextas! Ainda assim tentei fazer de mim útil e ir para a faculdade trabalhar num projecto abstracto, mas só me rendeu um jantar italiano em casa da Camilla o que, vistas bem as coisas, é um bom ganho! Posto o convite, decidi ir comprar uma garrafa de vinho tinto, tarefa difícil nesta terra e que me fez correr para a Vinmonopolet que fechava às 5 da tarde! Aqui, todas as bebedeiras têm que ser planeadas, então era ver velhos e novos a abastecerem o stock de vodkas, whiskys e outros líquidos com uma significativa percentagem de álcool! Esta loja específica a que me dirigi funcionava como uma farmácia: uma senhora atrás do balcão a quem se pede, não 500mg de Nimed, mas 50 litros do mais forte vodka do mercado! Pedi-lhe então um Monte Velho Tinto, mas ela não tinha então pedi-lhe para me trazer um vinho tinto português, e ela me trouxe um carrascão por 77 kr e um Periquita por 100 kr. Claro está que escolhi o 2º, já que é para me armar em fina ao menos que seja à grande! Doeu um bocadinho pagar 12€ por uma garrafa que custa 3 ou 4 no Pingo Doce, mas "em Roma sê Romano", portanto "na Noruega, sê rico!". Não volto a repetir a experiência tão cedo, mas ao menos a noite soube-me melhor... e também não é crime dar-nos a estes pequenos luxos de vez em quando!
O sábado, revelou-se o melhor dia desde que aqui cheguei! Foi o Designer's Saturday, uma mistura de Caldas Late Night com a Tektónica... Passo a explicar: várias lojas e casas espalhadas pela cidade, com artigos de Design expostos e para venda, desde casas de banho e cozinhas a mobiliário e decoração. Nos postos de apoio, davam-nos um mapa e um saco; o mapa para seguir as várias exposições e o saco para armazenar as revistas, livros, guias e panfletos distribuídos. Mas a melhor parte não eram propriamente as exposições... Em cada loja se encontravam mesas enormes com canapés e coisas boas para comer e beber enquanto se dava uma volta pelos artigos ou, simplesmente, enquanto se ficava sentado a enfardar tudo o que se podia! Estudantes, numa cidade cara, com comida e bebida à borla... querem o quê?! Irresistível, claro está! Numa das lojas serviam, imagine-se, croissants e vinho PORTUGUÊS e, numa outra, presunto e queijo! Eu e a Natacha abancámos logo na mesa de cozinha onde se encontrava o presunto e, fingindo que discutíamos algo importantíssimo sobre a exposição, comemos todo o presunto que nos foi permitido (até o estômago gritar "PÁRA", portanto!). Mas vá... esta loja até tinha artigos de casa de banho adoráveis, como a sanita preta por que me apaixonei e que tão bem ficava na nossa WC em Lisboa (que a minha manusca anda, tão atarefada, a modificar).
Andámos o dia todo nisto, de exposição em exposição, a encher o bandulho de coisas boas e o saco de catálogos e amostras e, após uma breve passagem em casa para jantar algo consistente e largar os pesos recolhidos, seguimos para uma festa algures num sítio fancy da cidade. Claro que para lá chegarmos andámos milhares de quilómetros (graças à senhora do eléctrico que nos enganou na paragem), porque se tivéssemos lá chegado logo, as coisas não tinham piada nenhuma! O espaço era genial: uma garagem com ar de abandonada, com pneus a fazer de mesa de Dj e velharias colocadas, aparentemente ao acaso, a compor uma "modesta decoração". Mas, após a longa caminhada para lá chegar, estávamos cansadíssimos e ficamos pouco tempo, até para eu conseguir apanhar o último autocarro para casa!
Posto isto, vou-me deitar que morro de sono... Bye bye!
Começou na 5ª feira, no Pub da AHO. Ao que parece esta gente começa logo às 6h da tarde, por isso quando lá cheguei às 21h, as poucas pessoas que sobravam ou eram Erasmus ou eram bêbedos! Sim, aqui os Erasmus são os mais calminhos, devido aos preços praticados e à falta de hábito! No entanto, este Pub é o sonho de qualquer um: a cerveja custa umas míseras 20 kr e ainda servem vinho do Porto, imagine-se! Chovia torrencialmente, o que não facilitou à boa disposição internacional e à vontade de ficar por muito tempo,mas a parte engraçada é voltar para casa às 23h e saber que nem se vai perder muito da noite porque a dita está quase no fim!
Entretanto, é oficial... não tenho aulas às sextas! Ainda assim tentei fazer de mim útil e ir para a faculdade trabalhar num projecto abstracto, mas só me rendeu um jantar italiano em casa da Camilla o que, vistas bem as coisas, é um bom ganho! Posto o convite, decidi ir comprar uma garrafa de vinho tinto, tarefa difícil nesta terra e que me fez correr para a Vinmonopolet que fechava às 5 da tarde! Aqui, todas as bebedeiras têm que ser planeadas, então era ver velhos e novos a abastecerem o stock de vodkas, whiskys e outros líquidos com uma significativa percentagem de álcool! Esta loja específica a que me dirigi funcionava como uma farmácia: uma senhora atrás do balcão a quem se pede, não 500mg de Nimed, mas 50 litros do mais forte vodka do mercado! Pedi-lhe então um Monte Velho Tinto, mas ela não tinha então pedi-lhe para me trazer um vinho tinto português, e ela me trouxe um carrascão por 77 kr e um Periquita por 100 kr. Claro está que escolhi o 2º, já que é para me armar em fina ao menos que seja à grande! Doeu um bocadinho pagar 12€ por uma garrafa que custa 3 ou 4 no Pingo Doce, mas "em Roma sê Romano", portanto "na Noruega, sê rico!". Não volto a repetir a experiência tão cedo, mas ao menos a noite soube-me melhor... e também não é crime dar-nos a estes pequenos luxos de vez em quando!
O sábado, revelou-se o melhor dia desde que aqui cheguei! Foi o Designer's Saturday, uma mistura de Caldas Late Night com a Tektónica... Passo a explicar: várias lojas e casas espalhadas pela cidade, com artigos de Design expostos e para venda, desde casas de banho e cozinhas a mobiliário e decoração. Nos postos de apoio, davam-nos um mapa e um saco; o mapa para seguir as várias exposições e o saco para armazenar as revistas, livros, guias e panfletos distribuídos. Mas a melhor parte não eram propriamente as exposições... Em cada loja se encontravam mesas enormes com canapés e coisas boas para comer e beber enquanto se dava uma volta pelos artigos ou, simplesmente, enquanto se ficava sentado a enfardar tudo o que se podia! Estudantes, numa cidade cara, com comida e bebida à borla... querem o quê?! Irresistível, claro está! Numa das lojas serviam, imagine-se, croissants e vinho PORTUGUÊS e, numa outra, presunto e queijo! Eu e a Natacha abancámos logo na mesa de cozinha onde se encontrava o presunto e, fingindo que discutíamos algo importantíssimo sobre a exposição, comemos todo o presunto que nos foi permitido (até o estômago gritar "PÁRA", portanto!). Mas vá... esta loja até tinha artigos de casa de banho adoráveis, como a sanita preta por que me apaixonei e que tão bem ficava na nossa WC em Lisboa (que a minha manusca anda, tão atarefada, a modificar).
Andámos o dia todo nisto, de exposição em exposição, a encher o bandulho de coisas boas e o saco de catálogos e amostras e, após uma breve passagem em casa para jantar algo consistente e largar os pesos recolhidos, seguimos para uma festa algures num sítio fancy da cidade. Claro que para lá chegarmos andámos milhares de quilómetros (graças à senhora do eléctrico que nos enganou na paragem), porque se tivéssemos lá chegado logo, as coisas não tinham piada nenhuma! O espaço era genial: uma garagem com ar de abandonada, com pneus a fazer de mesa de Dj e velharias colocadas, aparentemente ao acaso, a compor uma "modesta decoração". Mas, após a longa caminhada para lá chegar, estávamos cansadíssimos e ficamos pouco tempo, até para eu conseguir apanhar o último autocarro para casa!
Posto isto, vou-me deitar que morro de sono... Bye bye!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
2 . Setembro . 2009 ( ID on the way !)
Estou há cerca de meia hora à espera de ser atendida e nada melhor que escrever para acelera e matar estes momentos de espera.
Perguntam-se do que estou eu à espera e eu respondo : vim pedir o meu Norwegian ID Number, porque no fundo até quero ser um deles... um cabelinho loiro, mais uns 20 cm de pernas e o ID é só pormenor! O Jonathan tinha-me dito que isto estava sempre vazio, mas enganou-se! Das duas umas, ou escolhi mal o dia ou as filas adoram-me. Faltavam cerca de 70 números quando aqui cheguei e a tabela parece simplesmente estagnada. Estive quase a voltar para trás, mas já recebi a permissão de residência há quase uma semana e preciso, desesperadamente, de uma conta norueguesa!
Tudo isto porque, na segunda, fui ao banco saber como era para abrir a conta (diz que alguns pedem o número por nós, sem cartões nem complicações) mas o senhor do banco não se soube explicar muito bem, ou não me soube entender - digamos antes assim - e achei por bem tratar disto a solo e logo se vê no que dá! No entanto, esta viagem até ao banco não foi tão simples e enfadonha como possam imaginar... Sim, porquê facilitar quando podemos arranjar sempre histórias giras para este blog?! (pensa Oslo de cada vez que eu saio à rua)
Primeiro : tinha a morada, mas desconhecia a verdadeira localização do banco; Segundo : chovia que se fartava. Na verdade, nunca tinha visto tanta chuva junta, nem mesmo quando andei perdida com a mãe à procura do 54 naquele fatídico Sábado turístico. Estava um daqueles temporais em que, qualquer pessoa normal ficaria em casa a beber chocolate quente, enrolada numa manta e a ver filmes que não puxam pela inteligência, mas a verdade é que eu tomei uma decisão no fim-de-semana que fez de mim uma pessoa não-normal, quase uma resolução de ano novo (aliás, de novo mês) : Se não consigo parar a chuva, não vou deixar que ela me pare a mim! Parece quase um anúncio Dulcolax "Pare a diarreia antes que a diarreia o pare a si", neste caso é uma diarreia dos céus mas o lema funciona à mesma! Posto isto, armei-me em "Já-não-me-afectas", peguei nas perninhas e lá fui eu em busca do Nordea encantado! Escusado será dizer que me arrependi a meio do caminho, até porque a minha escolha de roupa nem sempre é a mais apropriada (sim, calções e collants de novo...) mas já estava em Majorstuen e não podia quebrar a resolução! De morada em riste, procurei pela rua do dito, a saltar de poça em poça (quando fugia de uma, aterrava acidentalmente em cima de outra), com um chapéu que mal me protegia a cabeça e uma chuva que vinha de todos os lados, incluindo do chão, o resultado não podia ser o melhor! Depois de 30 minutos a andar nestas condições, lá encontrei o banco, mas como nada funciona à primeira, aquilo era a sede onde NÃO SE ABREM CONTAS! E onde era a sucursal mais próxima?! AO LADO DA SAÍDA DO METRO, metro esse de onde eu tinha saído há meia hora atrás! Portanto... meia hora a andar, uma piscina nos ténis, umas cataratas nas pernas para... voltar para trás! Nada a fazer, voltei pelo mesmo caminho, molhei-me mais um bocadinho (já totalmente anestesiada, portante não senti mais nada) e entrei no banco que mais parecia um lago de tanta água que as pessoas traziam! 20 minutos à espera, para o tal senhor que não me entendeu nem se fez entender (ele falava um inglês muito mauzinho, tadinho) me informar que a minha ida ao banco tinha sido inútil! É sempre agradável...
Voltei para casa, mas esta guerra com a chuva deu-me uma certa adrenalina e, em vez de me aninhar na manta e me empanturrar de comida que não presta, armei-me em dona de casa (não desesperada), dei uma "faxina totau" ao meu humilde quartinho, passei roupa a ferro e quando olhei pela janela... tinha parado de chover! Quem é o elo mais fraco, quem é?! Isto de dar luta à chuva tem muito que se lhe diga... deviam experimentar um dia! O pior que pode acontecer é ficarem doentes e de cama...
Ontem andámos a passear por Bygdoy, pelo Open Air Museum, com a aula de NorwegianArchitecture. Foi um bocado seca, uma vez que já lá tinha estado e era só lama por todo o lado, mas ao menos fiquei a saber uns factos curiosos sobre aquelas casotas de madeira, sendo um deles o facto de os noruegueses serem um bocado limitados : em pleno século XVIII andavam-me a fazer igrejas e casas de madeira porque não tinha dinheiro para construir em pedra... Agora são ricos, mas mostram um orgulho extremo por estas edificações! Outro facto curiosíssimo era o de dormirem 4 pessoas por cama, e haver um líder que decidia para que lado dormiam e em que altura da noite se viravam para o outro lado, ou o simples pormenor de, já há mais de 2 séculos que consideram a cerveja um bem essencial à vida... vê-se aos sábados à noite!
Faltam dois números para o meu! Quase quase norueguesa... See you!
Perguntam-se do que estou eu à espera e eu respondo : vim pedir o meu Norwegian ID Number, porque no fundo até quero ser um deles... um cabelinho loiro, mais uns 20 cm de pernas e o ID é só pormenor! O Jonathan tinha-me dito que isto estava sempre vazio, mas enganou-se! Das duas umas, ou escolhi mal o dia ou as filas adoram-me. Faltavam cerca de 70 números quando aqui cheguei e a tabela parece simplesmente estagnada. Estive quase a voltar para trás, mas já recebi a permissão de residência há quase uma semana e preciso, desesperadamente, de uma conta norueguesa!
Tudo isto porque, na segunda, fui ao banco saber como era para abrir a conta (diz que alguns pedem o número por nós, sem cartões nem complicações) mas o senhor do banco não se soube explicar muito bem, ou não me soube entender - digamos antes assim - e achei por bem tratar disto a solo e logo se vê no que dá! No entanto, esta viagem até ao banco não foi tão simples e enfadonha como possam imaginar... Sim, porquê facilitar quando podemos arranjar sempre histórias giras para este blog?! (pensa Oslo de cada vez que eu saio à rua)
Primeiro : tinha a morada, mas desconhecia a verdadeira localização do banco; Segundo : chovia que se fartava. Na verdade, nunca tinha visto tanta chuva junta, nem mesmo quando andei perdida com a mãe à procura do 54 naquele fatídico Sábado turístico. Estava um daqueles temporais em que, qualquer pessoa normal ficaria em casa a beber chocolate quente, enrolada numa manta e a ver filmes que não puxam pela inteligência, mas a verdade é que eu tomei uma decisão no fim-de-semana que fez de mim uma pessoa não-normal, quase uma resolução de ano novo (aliás, de novo mês) : Se não consigo parar a chuva, não vou deixar que ela me pare a mim! Parece quase um anúncio Dulcolax "Pare a diarreia antes que a diarreia o pare a si", neste caso é uma diarreia dos céus mas o lema funciona à mesma! Posto isto, armei-me em "Já-não-me-afectas", peguei nas perninhas e lá fui eu em busca do Nordea encantado! Escusado será dizer que me arrependi a meio do caminho, até porque a minha escolha de roupa nem sempre é a mais apropriada (sim, calções e collants de novo...) mas já estava em Majorstuen e não podia quebrar a resolução! De morada em riste, procurei pela rua do dito, a saltar de poça em poça (quando fugia de uma, aterrava acidentalmente em cima de outra), com um chapéu que mal me protegia a cabeça e uma chuva que vinha de todos os lados, incluindo do chão, o resultado não podia ser o melhor! Depois de 30 minutos a andar nestas condições, lá encontrei o banco, mas como nada funciona à primeira, aquilo era a sede onde NÃO SE ABREM CONTAS! E onde era a sucursal mais próxima?! AO LADO DA SAÍDA DO METRO, metro esse de onde eu tinha saído há meia hora atrás! Portanto... meia hora a andar, uma piscina nos ténis, umas cataratas nas pernas para... voltar para trás! Nada a fazer, voltei pelo mesmo caminho, molhei-me mais um bocadinho (já totalmente anestesiada, portante não senti mais nada) e entrei no banco que mais parecia um lago de tanta água que as pessoas traziam! 20 minutos à espera, para o tal senhor que não me entendeu nem se fez entender (ele falava um inglês muito mauzinho, tadinho) me informar que a minha ida ao banco tinha sido inútil! É sempre agradável...
Voltei para casa, mas esta guerra com a chuva deu-me uma certa adrenalina e, em vez de me aninhar na manta e me empanturrar de comida que não presta, armei-me em dona de casa (não desesperada), dei uma "faxina totau" ao meu humilde quartinho, passei roupa a ferro e quando olhei pela janela... tinha parado de chover! Quem é o elo mais fraco, quem é?! Isto de dar luta à chuva tem muito que se lhe diga... deviam experimentar um dia! O pior que pode acontecer é ficarem doentes e de cama...
Ontem andámos a passear por Bygdoy, pelo Open Air Museum, com a aula de NorwegianArchitecture. Foi um bocado seca, uma vez que já lá tinha estado e era só lama por todo o lado, mas ao menos fiquei a saber uns factos curiosos sobre aquelas casotas de madeira, sendo um deles o facto de os noruegueses serem um bocado limitados : em pleno século XVIII andavam-me a fazer igrejas e casas de madeira porque não tinha dinheiro para construir em pedra... Agora são ricos, mas mostram um orgulho extremo por estas edificações! Outro facto curiosíssimo era o de dormirem 4 pessoas por cama, e haver um líder que decidia para que lado dormiam e em que altura da noite se viravam para o outro lado, ou o simples pormenor de, já há mais de 2 séculos que consideram a cerveja um bem essencial à vida... vê-se aos sábados à noite!
Faltam dois números para o meu! Quase quase norueguesa... See you!
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
30 . Agosto . 2009
Domingo. Dia santo. Lide doméstica e chuva!
Finalmente fui buscar a minha estante a casa do Ruben! Sim, quando fui buscar a tralha toda deixei a estante, porque a dita está montada e era um bocadinho monstra para a tentar trazer sozinha (e a senhora dita mãe também não podia carregar com ela). Hoje achei que era um bom dia para a ir buscar, até porque quero montar a casota toda antes da minha irmã chegar!
Ora, portanto, já imaginam o filme não já?! Posso agravar indicando que os Domingos se têm revelado mais agitados do que o primeiro deixou transparecer. Não sei de onde veio esta gente toda, mas decidiram começar a sair à rua ao domingos, inundado os autocarros de malas e carrinhos de bebé. E eu a planear, a caminho de casa do Ruben, a melhor forma de colocar uma estante com mais de 2 metros de altura, dentro de um autocarro possivelmente à pinha! Cheguei a casa dele, um numa ponta outro na outra, e toca a subir a rua para ir apanhar o autocarro! Santo Ruben do mobiliário, se não fosse ele nunca conseguiria carregar aquela coisa! Chega o autocarro e nós, com a estante, de um lado para o outro à procura da porta, não mais vazia, mas menos cheio para entrar!(há que referir que o autocarro é duplo, daqueles em fole, portanto não tem 2, mas 4 ou 5 portas!) Sai um carrinho de bebé e é a nossa deixa! Foi bem mais complicado do que possa parecer, senão, analisemos um autocarro : tem uma largura pré-definida por grandes janelões de vidro facilmente quebrável; uma altura também pré-definida, agravada pelas traves rebaixadas que servem de apoio aos passageiros e um espaço livre de manobra bastante reduzido, devido à existência de outros seres no autocarro. Deita, gira, inclina, encaixa, tenta-não-acertar-com-as-esquinas-na-cabeça-de-alguém e tenta-não-partir-os-vidros-que-só-se-partem-em-caso-de-emergência e, acima de tudo, tenta-não-esmagar-o-Ruben-entre-o-vidro-e-a-estante e pronto! Estante no lugar, autocarro em movimento e eu a imaginar o mesmo filme para sair do autocarro e a rezar para que não aparecessem mais carrinhos de bebés pelo caminho! Felizmente não apareceram, foi mais fácil tirá-la do autocarro e, após alguma ginástica e algumas paredes riscadas, lá a conseguimos colocar no respectivo cantinho, que ansiosamente (des)esperava por ela! Tenho a dizer-vos que isto de andar com camas e estantes nos transportes públicos, nos dá uma nova perspectiva de espaço... ou então não!
Bem, estantes à parte, o resto do fim de semana foi muito agradável (muito molhado pela chuva, também) O Ruben fez anos no sábado e passámos a primeira meia noite à porta do tribunal (abrigados da chuva que insistia em incomodar), onde a Natacha lhe ofereceu um chouriço! SIM! É por isto mesmo que um português anseia na Noruega, ENCHIDOS PORTUGUESES, a melhor invenção do mundo! A segunda meia noite (sim, teve direito a duas e eu também vou ter) foi passada já no Mono, um bar muito engraçado, decorado à la moda de Rockalot (tinha uns rádios antigos e umas guitarras penduradas pelas paredes, e cómodas do século passado a servir de mesas de apoio... muito agradável!). Ontem à tarde fomos passear pela cidade, mas foi coisa breve porque a chuva voltou... Fomos ao forte, uma vez que tinha prometido à mãe que ia lá tirar fotos por ela (lembram-se da chuva e do chichi e do não forte, não lembram?!), mas não é nada de especial! Tem uma vista fixe pela cidade e pelo mar, fjorde ou whatever, vimos uns guardas mal educados a passar por nós, que iam contra mim se eu não me desviasse e quando já estávamos a sair, começou a chover! Corremos para uma bakery na Karl Johans, onde bebemos um chocolate quente maravilhoso e esperámos que a chuva parasse. Senti-me uma pobre feliz! Entretanto, havia pre-party em casa do David (Irlandês) e, de seguida, fomos para um Pub ali na zona, que tem a cerveja mais barata cá da zona! Decidi apanhar o nightbus para casa e tive que pagar 50, sim, CINQUENTA COROAS, MAIS DE 5 EUROS, para andar num mísero autocarro que faz o mesmo percurso que o 54 mas que, só porque anda de noite, custa os olhos todos no corpo!!! Não sei, de facto, o que é que eles têm contra a noite nesta cidade, mas começa a tirar-me do sério!
E agora vou jantar que a minha vida não é isto e tenho um concerto de jazz para ir assistir!
ADOOOROOOO!
Finalmente fui buscar a minha estante a casa do Ruben! Sim, quando fui buscar a tralha toda deixei a estante, porque a dita está montada e era um bocadinho monstra para a tentar trazer sozinha (e a senhora dita mãe também não podia carregar com ela). Hoje achei que era um bom dia para a ir buscar, até porque quero montar a casota toda antes da minha irmã chegar!
Ora, portanto, já imaginam o filme não já?! Posso agravar indicando que os Domingos se têm revelado mais agitados do que o primeiro deixou transparecer. Não sei de onde veio esta gente toda, mas decidiram começar a sair à rua ao domingos, inundado os autocarros de malas e carrinhos de bebé. E eu a planear, a caminho de casa do Ruben, a melhor forma de colocar uma estante com mais de 2 metros de altura, dentro de um autocarro possivelmente à pinha! Cheguei a casa dele, um numa ponta outro na outra, e toca a subir a rua para ir apanhar o autocarro! Santo Ruben do mobiliário, se não fosse ele nunca conseguiria carregar aquela coisa! Chega o autocarro e nós, com a estante, de um lado para o outro à procura da porta, não mais vazia, mas menos cheio para entrar!(há que referir que o autocarro é duplo, daqueles em fole, portanto não tem 2, mas 4 ou 5 portas!) Sai um carrinho de bebé e é a nossa deixa! Foi bem mais complicado do que possa parecer, senão, analisemos um autocarro : tem uma largura pré-definida por grandes janelões de vidro facilmente quebrável; uma altura também pré-definida, agravada pelas traves rebaixadas que servem de apoio aos passageiros e um espaço livre de manobra bastante reduzido, devido à existência de outros seres no autocarro. Deita, gira, inclina, encaixa, tenta-não-acertar-com-as-esquinas-na-cabeça-de-alguém e tenta-não-partir-os-vidros-que-só-se-partem-em-caso-de-emergência e, acima de tudo, tenta-não-esmagar-o-Ruben-entre-o-vidro-e-a-estante e pronto! Estante no lugar, autocarro em movimento e eu a imaginar o mesmo filme para sair do autocarro e a rezar para que não aparecessem mais carrinhos de bebés pelo caminho! Felizmente não apareceram, foi mais fácil tirá-la do autocarro e, após alguma ginástica e algumas paredes riscadas, lá a conseguimos colocar no respectivo cantinho, que ansiosamente (des)esperava por ela! Tenho a dizer-vos que isto de andar com camas e estantes nos transportes públicos, nos dá uma nova perspectiva de espaço... ou então não!
Bem, estantes à parte, o resto do fim de semana foi muito agradável (muito molhado pela chuva, também) O Ruben fez anos no sábado e passámos a primeira meia noite à porta do tribunal (abrigados da chuva que insistia em incomodar), onde a Natacha lhe ofereceu um chouriço! SIM! É por isto mesmo que um português anseia na Noruega, ENCHIDOS PORTUGUESES, a melhor invenção do mundo! A segunda meia noite (sim, teve direito a duas e eu também vou ter) foi passada já no Mono, um bar muito engraçado, decorado à la moda de Rockalot (tinha uns rádios antigos e umas guitarras penduradas pelas paredes, e cómodas do século passado a servir de mesas de apoio... muito agradável!). Ontem à tarde fomos passear pela cidade, mas foi coisa breve porque a chuva voltou... Fomos ao forte, uma vez que tinha prometido à mãe que ia lá tirar fotos por ela (lembram-se da chuva e do chichi e do não forte, não lembram?!), mas não é nada de especial! Tem uma vista fixe pela cidade e pelo mar, fjorde ou whatever, vimos uns guardas mal educados a passar por nós, que iam contra mim se eu não me desviasse e quando já estávamos a sair, começou a chover! Corremos para uma bakery na Karl Johans, onde bebemos um chocolate quente maravilhoso e esperámos que a chuva parasse. Senti-me uma pobre feliz! Entretanto, havia pre-party em casa do David (Irlandês) e, de seguida, fomos para um Pub ali na zona, que tem a cerveja mais barata cá da zona! Decidi apanhar o nightbus para casa e tive que pagar 50, sim, CINQUENTA COROAS, MAIS DE 5 EUROS, para andar num mísero autocarro que faz o mesmo percurso que o 54 mas que, só porque anda de noite, custa os olhos todos no corpo!!! Não sei, de facto, o que é que eles têm contra a noite nesta cidade, mas começa a tirar-me do sério!
E agora vou jantar que a minha vida não é isto e tenho um concerto de jazz para ir assistir!
ADOOOROOOO!
terça-feira, 15 de setembro de 2009
28 . Agosto . 2009
Nunca pensei ter tanto sono junto! Estou numa conferência no Fehn Symposium que a nossa professora de Norwegian Architecture nos aconselhou a vir. Acordei às 6h30 da manha para ter a certeza que chegava à faculdade antes das 8h, hora a que partia o autocarro que nos trouxe até aqui. Achava eu, na minha mais sincera ignorância, que íamos para um centro de conferências algures dentro da cidade, mas NÃO! Seria simples de mais fazer este ciclo de conferências dentro de Oslo, então vieram fazê-lo a duas horas de distância, a uma terriola chamada Hamar, no Hedmark Museum, uma das mais importantes obras de Sverre Fehn. Vim o caminho todo a dormir, mas continuo com sono e o senhorzinho que está a falar, não está a ajudar nada! A primeira conferência foi dada pelo meu professor Per Olaf Fjeld, o tal velhote simpático que eu adoro ouvir. Diz que escreveu um livro sobre o Fehn em 98 e foi convidado a falar hoje sobre ele com o tema "Impulse and the accurance of change!". Foi uma conferência interessante, na verdade. Nem por um momento senti vontade de arrancar os cabelos ou me deitar no chão em posição fetal e dormir. Agora apetece...muito! Está um babaca qualquer a falar sobre a luz, a sombra, a cor... whatever! A voz dele é tão enfadonha, TÃO monocórdica, que ele até podia estar a ensinar como ganhar o Euromilhões que eu continuava com sono. Entretanto paguei 70 NOK para almoçar cá, porque não há nada aqui à volta... Acho bem que sirvam champanhe e caviar! Para ajudar à boa disposição matinal, vou ter que ficar aqui até às cinco da tarde, que é quando isto acaba e os autocarros nos levam de volta à civilização. Pormenorzinho : as conferências da tarde são todas em norueguês e metade das pessoas que aqui estão são Erasmus que em nada percebem a língua local! Previsões para a tarde : Meia dúzia de civilizados noruegueses ficam a ouvir as boas conferências, enquanto o resto vai andar pelo museu a engonhar numa tentativa de encontrar algo de interessante para fazer. Está muito frio e muita chuva, o que não dá grande espaço de manobra... mas somos mais de 20, alguém terá uma boa ideia!
Novidades da semana : A aula de Norwegian Architecture começou e parece-me ser interessante. Não estaremos constantemente enfiados dentro da sala, todas as 3ªs teremos um local diferente para visitar e todos os Erasmus estão a fazer esta cadeira, portanto algo de bom sairá dela! Entretanto... lembram-se de dizer que, tão cedo, não voltava a entrar num centro comercial?! Pois... entrei! Perguntei o nome da loja ao Ruben e ele disse-me onde era, portanto foi seguir todos os passinhos indicados e txaran: Ferro de engomar para a Sara! Baratinho, diga-se de passagem, como quase todos os artigos nesta loja, não é fantástico?! Mas a melhor parte do dia foi, de facto, entrar na H&M e descobrir que a roupa NÃO É CARA! É praticamente o mesmo preço que em Lisboa, o que a torna acessível para mim e quase de borla para os noruegueses! A sério, podem vir às compras todos os dias que continuam ricos! A segunda melhor coisa da semana : COMPREI O MEU TERMOS! Menos 2€ que gasto por dia em café e mais umas horas de lucidez que ganho por cada manhã! Além disso, já não tenho que voltar a beber aquele café deles terrível que só deve fazer horrores ao meu querido organismo português! Entretanto, já recebi a carta da polícia com o visto de residência para 6 meses, o que significa que estou a meio caminho de me tornar "cidadã" e a um terço de abrir uma conta!
Caso para dizer... Aqui vou ser feliz!
Pós Conferência (17h30) : Vim a descobri que, não só o almoço não era champanhe e caviar, como se resumia a uma mísera sandes e ÁGUA! É... estes norugueses têm muito a aprender quanto ao "bom receber"... Ainda por cima era 1 sandes por pessoa, por 70 kr o que equivale a mais de 7 euros! Passada a raivazinha, bebi todo o café que podia (apesar de ser terrível) para me vingar um bocadinho! Depois de almoço passeámos pelo museu, o que não levou mais de 1h30. Tinhamos mais de 3 horas pela frente e nada que fazer, fomos até à vila mais próxima, comprámos cerveja e ficámos para lá abandonados à chuva e à espera que aquilo acabasse rapidamente. O museu, no entanto, valia mesmo a pena de visitar o que torna a minha vinda um bocadinho menos inútil!
Facto curioso número 1 : os mosquitos daqui são a coisa MAIS chata que alguma vez vi na vida, e comeram-me viva, basciamente! Fui à casa de banho e contei mais de 30 babas nas pernas. Tomar nota : nunca mais ir para o "campo" de calções! Eu tinha collants, mas mesmo assim não foi impedimento para estes bichos estúpidos me atacarem. Felizmente não fui a única e tivemos oportunidade de criar um grupo de apoio para os "Atacados por mosquitos". Foi uma tarde interessante.
Novidades da semana : A aula de Norwegian Architecture começou e parece-me ser interessante. Não estaremos constantemente enfiados dentro da sala, todas as 3ªs teremos um local diferente para visitar e todos os Erasmus estão a fazer esta cadeira, portanto algo de bom sairá dela! Entretanto... lembram-se de dizer que, tão cedo, não voltava a entrar num centro comercial?! Pois... entrei! Perguntei o nome da loja ao Ruben e ele disse-me onde era, portanto foi seguir todos os passinhos indicados e txaran: Ferro de engomar para a Sara! Baratinho, diga-se de passagem, como quase todos os artigos nesta loja, não é fantástico?! Mas a melhor parte do dia foi, de facto, entrar na H&M e descobrir que a roupa NÃO É CARA! É praticamente o mesmo preço que em Lisboa, o que a torna acessível para mim e quase de borla para os noruegueses! A sério, podem vir às compras todos os dias que continuam ricos! A segunda melhor coisa da semana : COMPREI O MEU TERMOS! Menos 2€ que gasto por dia em café e mais umas horas de lucidez que ganho por cada manhã! Além disso, já não tenho que voltar a beber aquele café deles terrível que só deve fazer horrores ao meu querido organismo português! Entretanto, já recebi a carta da polícia com o visto de residência para 6 meses, o que significa que estou a meio caminho de me tornar "cidadã" e a um terço de abrir uma conta!
Caso para dizer... Aqui vou ser feliz!
Pós Conferência (17h30) : Vim a descobri que, não só o almoço não era champanhe e caviar, como se resumia a uma mísera sandes e ÁGUA! É... estes norugueses têm muito a aprender quanto ao "bom receber"... Ainda por cima era 1 sandes por pessoa, por 70 kr o que equivale a mais de 7 euros! Passada a raivazinha, bebi todo o café que podia (apesar de ser terrível) para me vingar um bocadinho! Depois de almoço passeámos pelo museu, o que não levou mais de 1h30. Tinhamos mais de 3 horas pela frente e nada que fazer, fomos até à vila mais próxima, comprámos cerveja e ficámos para lá abandonados à chuva e à espera que aquilo acabasse rapidamente. O museu, no entanto, valia mesmo a pena de visitar o que torna a minha vinda um bocadinho menos inútil!
Facto curioso número 1 : os mosquitos daqui são a coisa MAIS chata que alguma vez vi na vida, e comeram-me viva, basciamente! Fui à casa de banho e contei mais de 30 babas nas pernas. Tomar nota : nunca mais ir para o "campo" de calções! Eu tinha collants, mas mesmo assim não foi impedimento para estes bichos estúpidos me atacarem. Felizmente não fui a única e tivemos oportunidade de criar um grupo de apoio para os "Atacados por mosquitos". Foi uma tarde interessante.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
24 . Agosto . 2009
A começar a minha terceira semana em solo norueguês, seria de esperar que já estivesse meio ambientada ao ritmo da cidade e me soubesse orientar minimamente, mas parece que onde há Sara há Sarilho, conduzindo a mais uma perturbante aventura, desta feita pelos centros comerciais de Oslo!
Ora, após me armar em dona de casa, cheguei à conclusão que seria essencial à minha sobrevivência ter, em minha posse, um ferro de engomar! Podia sempre andar meio enxovalhada... o mais provável é que ninguém reparasse, ainda assim sou cocó de mais para me sentir confortável em roupa por passar! A questão era : não há Wortens aqui, onde se vendem tais peças?! Após esta breve introdução, se começam a achar que me lancei numa busca cega pelo dito... Acertaram! Eu ainda perguntei ao Ruben se havia alguma espécie de Worten por estes lados, mas a única informação retido foi "Oslo City... blá blá blá"! Como reconheci o nome e já lá tinha estado uma vez, achei que já conhecia o centro comercial como se fosse a minha casa, mas nem tudo o que parece é... e o que eu me esqueci é que não tenho uma relação lá muito saudável com esta espécie de espaço.
Chegada à porta do centro, entrei toda confiante e comecei a andar às voltas. Dei uma volta no primeiro piso de modo a ambientar-me à planta da coisa, e não me pareceu muito complicado. Subi umas escadas e entrei numa loja. Quando saí, estava num sítio totalmente diferente! Por momentos pensei que tivesse sido transportada para uma diferente dimensão, mas cedo me apercebi que isso não acontece na vida real e o que se tinha passado tinha sido bem mais simples! Todas as lojas (ou a maioria, vá) têm duas entradas, uma para cada lado do centro. Eu não estava ciente da coisa, então entrei numa ponta, comecei a andar pela loja, a assustar-me com os preços que saltavam das etiquetas em tom ameaçador, a fugir de um lado para o outro, vi uma porta e saí, achando convictamente que tinha dado a volta à loja e estava a sair pela mesma porta de entrada! Fui parar a um corredor totalmente diferente, mas em vez de voltar a entrar na loja e sair pela porta correcta, preferi dar aquele ar do "Ai, era mesmo este o plano!" e continuei na minha. Acontece que este piso em nada se assemelhava à planta que eu tinha estudado lá em baixo, então a modos que não fazia ideia para onde me virar! Continuei a andar, muito calmamente, à procura de uma loja com ares de Worten. Aventurei-me por outras lojas, a dominar o esquema da passagem já, a ver os cantinhos todos que podia, experimentei o 2º piso, mas nada de ferros de engomar! Decidi mudar de centro comercial e desci umas escadas (diferentes das que tinha subido) em busca da saída. Utgang, utgang, ut... Não havia sinais em lado nenhum de possíveis saídas... Mas onde é que eu me vim meter, que não há saídas de emergência devidamente assinaladas?! E eu seguia as pessoas, de um lado para o outro, a tentar perceber por onde sair, mas nenhuma delas procurava a rua... Até que vi uma senhora carregadíssima de sacos e pensei "Esta vai embora! Vou segui-la!" e ela conduziu-me ao metro! Lá coloquei o meu ar de "Era mesmo isto!" e entrei numa papelaria para disfarçar, dando uma volta educada e correndo logo de seguida para a rua!
First down, one to go! Já que não tinha encontrado nada, entrei num segundo centro comercial, mesmo em frente aquele de que fugi, mas mais a medo não me fosse perder outra vez! Este era bem pior, com um ar muito mais antigo, pessoas feias, e até a planta do piso 0 era confusa! Subi e desci algumas escadas (sempre as mesmas, para não me enganar!) mas não encontrei nada e voltei para casa de mãos a abanar, feita cachorrinho perdida à chuva! Havia mais umas quantas lojas ali à volta, mas estava tão deprimida que não queria procurar mais nada! E sim, é assim que acaba a minha aventura aos centros comerciais... não sei se volto lá tão cedo!
Bem, mas falando das partes boas... O Sol neste país é uma espécie de dádiva, com um temperamento muito difícil! Quando ele aparece, corre tudo para a rua em movimentos de agradecimento. Ele é famílias, casais, turistas, novos, velhos, jovens, experientes... Tudo! E quando as temperaturas atingem a perigosa e louca temperatura de 20º (imagine-se!), corre tudo para a praia! Também as há cá sim, e bem agradáveis por sinal! Como não podia deixar de ser, como gosto de me adaptar a estes novos rituais, corri também para a praia... ou então é só porque tive uns míseros 7 dias de praia em Lisboa e o meu corpo grita desesperadamente por Sol! A água é, estranhamente, mais quente que a da Caparica, o mar mais calmo (mas nada transparente), a areia muito mais escura e a sua extensão MUITO mais pequena! Tem uma particularidade apaixonante, que a torna bem mais agradável que qualquer praia da costa : é rodeada por rochas e árvores que constituem, não só, o cenário perfeito mas também um óptimo abrigo, quer ao Sol forte quer à chuva chata! Nenhuma das situações se colocou, mas sou uma pessoa que gosta muito de suposições! Ora, o problema de ir à praia na Noruega, não é tanto o frio da água, mas o vento que se levanta depois de sair dela, que em nada é ultrapassado pelo fraco calor do Sol! Dado este pequeno pormenor, não ficámos muito tempo na praia e voltámos ainda molhados para casa, mas o pouco que tive de praia, já deu para matar as saudades!
Após um dia de praia, nada melhor que uma noite de Jazz passada no melhor bar da cidade, o Blå. Não é que eu seja total conhecedora da noite de Oslo, mas este tem de ser o melhor! Junto ao rio de Grünerlokka , parece um barracão abandonado transformado num espaço com um ar meio alternativo, frequentado por gente muito estranha e gente muito normal. Aos domingos, é dos poucos bares abertos e tem a melhor banda de jazz de sempre "Frank Znort Quartet ". Não consigo descrever a brutalidade desta banda... são uns 10 gajos, cada uma mais caricato que o outro! Um vocalista entradote com voz de sedutor, um pianista com ar de mafioso, um trompetista que se veste de mulher, um violoncelista com ar de hippie, uma sedutora com maracas, e outros tantos artilhados de trombones, saxofones, e tudo o que se possa imaginar! São fantásticos, mas só vistos mesmo!
A partir de hoje já sei onde e como passar os meus serões de Domingo : a ouvir Jazz e a rir-me!
Começa a surpreender-me esta cidade.
Ora, após me armar em dona de casa, cheguei à conclusão que seria essencial à minha sobrevivência ter, em minha posse, um ferro de engomar! Podia sempre andar meio enxovalhada... o mais provável é que ninguém reparasse, ainda assim sou cocó de mais para me sentir confortável em roupa por passar! A questão era : não há Wortens aqui, onde se vendem tais peças?! Após esta breve introdução, se começam a achar que me lancei numa busca cega pelo dito... Acertaram! Eu ainda perguntei ao Ruben se havia alguma espécie de Worten por estes lados, mas a única informação retido foi "Oslo City... blá blá blá"! Como reconheci o nome e já lá tinha estado uma vez, achei que já conhecia o centro comercial como se fosse a minha casa, mas nem tudo o que parece é... e o que eu me esqueci é que não tenho uma relação lá muito saudável com esta espécie de espaço.
Chegada à porta do centro, entrei toda confiante e comecei a andar às voltas. Dei uma volta no primeiro piso de modo a ambientar-me à planta da coisa, e não me pareceu muito complicado. Subi umas escadas e entrei numa loja. Quando saí, estava num sítio totalmente diferente! Por momentos pensei que tivesse sido transportada para uma diferente dimensão, mas cedo me apercebi que isso não acontece na vida real e o que se tinha passado tinha sido bem mais simples! Todas as lojas (ou a maioria, vá) têm duas entradas, uma para cada lado do centro. Eu não estava ciente da coisa, então entrei numa ponta, comecei a andar pela loja, a assustar-me com os preços que saltavam das etiquetas em tom ameaçador, a fugir de um lado para o outro, vi uma porta e saí, achando convictamente que tinha dado a volta à loja e estava a sair pela mesma porta de entrada! Fui parar a um corredor totalmente diferente, mas em vez de voltar a entrar na loja e sair pela porta correcta, preferi dar aquele ar do "Ai, era mesmo este o plano!" e continuei na minha. Acontece que este piso em nada se assemelhava à planta que eu tinha estudado lá em baixo, então a modos que não fazia ideia para onde me virar! Continuei a andar, muito calmamente, à procura de uma loja com ares de Worten. Aventurei-me por outras lojas, a dominar o esquema da passagem já, a ver os cantinhos todos que podia, experimentei o 2º piso, mas nada de ferros de engomar! Decidi mudar de centro comercial e desci umas escadas (diferentes das que tinha subido) em busca da saída. Utgang, utgang, ut... Não havia sinais em lado nenhum de possíveis saídas... Mas onde é que eu me vim meter, que não há saídas de emergência devidamente assinaladas?! E eu seguia as pessoas, de um lado para o outro, a tentar perceber por onde sair, mas nenhuma delas procurava a rua... Até que vi uma senhora carregadíssima de sacos e pensei "Esta vai embora! Vou segui-la!" e ela conduziu-me ao metro! Lá coloquei o meu ar de "Era mesmo isto!" e entrei numa papelaria para disfarçar, dando uma volta educada e correndo logo de seguida para a rua!
First down, one to go! Já que não tinha encontrado nada, entrei num segundo centro comercial, mesmo em frente aquele de que fugi, mas mais a medo não me fosse perder outra vez! Este era bem pior, com um ar muito mais antigo, pessoas feias, e até a planta do piso 0 era confusa! Subi e desci algumas escadas (sempre as mesmas, para não me enganar!) mas não encontrei nada e voltei para casa de mãos a abanar, feita cachorrinho perdida à chuva! Havia mais umas quantas lojas ali à volta, mas estava tão deprimida que não queria procurar mais nada! E sim, é assim que acaba a minha aventura aos centros comerciais... não sei se volto lá tão cedo!
Bem, mas falando das partes boas... O Sol neste país é uma espécie de dádiva, com um temperamento muito difícil! Quando ele aparece, corre tudo para a rua em movimentos de agradecimento. Ele é famílias, casais, turistas, novos, velhos, jovens, experientes... Tudo! E quando as temperaturas atingem a perigosa e louca temperatura de 20º (imagine-se!), corre tudo para a praia! Também as há cá sim, e bem agradáveis por sinal! Como não podia deixar de ser, como gosto de me adaptar a estes novos rituais, corri também para a praia... ou então é só porque tive uns míseros 7 dias de praia em Lisboa e o meu corpo grita desesperadamente por Sol! A água é, estranhamente, mais quente que a da Caparica, o mar mais calmo (mas nada transparente), a areia muito mais escura e a sua extensão MUITO mais pequena! Tem uma particularidade apaixonante, que a torna bem mais agradável que qualquer praia da costa : é rodeada por rochas e árvores que constituem, não só, o cenário perfeito mas também um óptimo abrigo, quer ao Sol forte quer à chuva chata! Nenhuma das situações se colocou, mas sou uma pessoa que gosta muito de suposições! Ora, o problema de ir à praia na Noruega, não é tanto o frio da água, mas o vento que se levanta depois de sair dela, que em nada é ultrapassado pelo fraco calor do Sol! Dado este pequeno pormenor, não ficámos muito tempo na praia e voltámos ainda molhados para casa, mas o pouco que tive de praia, já deu para matar as saudades!
Após um dia de praia, nada melhor que uma noite de Jazz passada no melhor bar da cidade, o Blå. Não é que eu seja total conhecedora da noite de Oslo, mas este tem de ser o melhor! Junto ao rio de Grünerlokka , parece um barracão abandonado transformado num espaço com um ar meio alternativo, frequentado por gente muito estranha e gente muito normal. Aos domingos, é dos poucos bares abertos e tem a melhor banda de jazz de sempre "Frank Znort Quartet ". Não consigo descrever a brutalidade desta banda... são uns 10 gajos, cada uma mais caricato que o outro! Um vocalista entradote com voz de sedutor, um pianista com ar de mafioso, um trompetista que se veste de mulher, um violoncelista com ar de hippie, uma sedutora com maracas, e outros tantos artilhados de trombones, saxofones, e tudo o que se possa imaginar! São fantásticos, mas só vistos mesmo!
A partir de hoje já sei onde e como passar os meus serões de Domingo : a ouvir Jazz e a rir-me!
Começa a surpreender-me esta cidade.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
22 . Agosto . 2009 (part II)
17h00 . Mais coisa, menos coisa.
Bem, cheguei lá dentro e estava quase a chegar a minha vez (vá... faltavam 50 números!), como me doía o braço de escrever, pus-me a apagar mensagens do telemóvel! Passou rápido até... 3horas de espera para um atendimento de 10 minutos, até parece que fui ao médico! Mas pronto, já só me falta um danoninho para ser cidadã... vá, uma caixa deles!
Ia no relato da minha sexta de paz, portanto! Pois diz que o Lago de Sognsvann é muito agradável sim senhora! E não só para os turista, os norugas também adoram ir para lá, segundo parece! Ele é jogging, cicling, nadating, passeating, dating... uma panóplia de actividades à sua escolha! Ok... é só um grande bocado de água rodeado de terra e árvores... e, no fundo, não é assim TÃO grande! É grandinho, vá... Além disso nem se sabe o que se passa dentro daquela água (questão que me atormentou a tarde toda), o que não os impede de mergulharem, "darem umas braçadas" e entenderem-se nos pontões ao lado do cocó do patos, a apanhar os ínfimos raios de Sol que aparecem entre as nuvens! Sim, sinto que estou a denegrir a imagem do lago, mas não é essa a intenção. Só queria que soubessem que nestes sítios também há cocó... não é de cão, mas é de pato! Fora isso, senti-me mesmo bem ali... O sossego é tanto que quase se consegue ouvir o ar puro a roçar-nos na cara, e os caminhos criados à volta, por entre aqueles enormes pinheiros, convidam mesmo ao passeio! Além disso deve ser um óptimo lugar para festas e barbecues e, no Inverno, deve ser magnificamente gelado!
Depois de darmos a volta completa, comemos um waffle com doce, que era curiosamente spicy... esta gente não sabe cozinhar, tem tudo sabores estranhos! Saímos dali e fomos jantar a casa do Ruben com a Natacha. Era o dia dos caloiros, portanto havia festa no Pub da faculdade (sim, a AHO tem um Pub, their own private Pub! Oh Yeah! Ahah! Qual garagem qual quê :P), para onde deveria ir toda a gente! Antes disso, passámos em casa de um amigo do R e andámos por Grunerlokka a ver as praxes cá da zona! Uma junção engraçada entre o nosso peddy pela Ajuda e o rally das tascas. Basicamente cada grupo tem um tema, mascaram-se nesse tema e depois andam de posto em posto a completar certar provas. Se as concluírem com sucesso, recebem cerveja como recompensa! No final do percurso, antes de chegarem à AHO, têm de atravessar o rio (agarrados a uma corda) e depois, à porta do Pub, são baptizados mergulhando a cabeça num balde (com champanhe, este ano). Escusado será dizer que no dia seguinte, nenhum deles pode com a cabeça e muitos não se lembram do que andaram a fazer!
Entretanto, neste mesmo pub, depois de me encontrar com o Jonathan (italian boy) e a Camilla (outra italiana que conheci entretanto), descobri que estava erradíssima em relação à minha turma... somos vários Erasmus! Bem... a festa estava muito animada, a cerveja era à borla, mas eu tinha que me levantar cedo hoje para ir parar àquele amontoado de gente jovem que se quer instruir na Noruega, por isso fui para casa que nem uma menina atinada!
Após o período de espera e o registo como cidadã, voltei para casa e armei-me em DesperateHousewive! Ela limpa, ela lava a roupa, ela estende roupa, ela vai ao supermercado, ela faz tudo... e depois deita-se a parrar simplesmente, que também é bom e eu mereço!
Bem, cheguei lá dentro e estava quase a chegar a minha vez (vá... faltavam 50 números!), como me doía o braço de escrever, pus-me a apagar mensagens do telemóvel! Passou rápido até... 3horas de espera para um atendimento de 10 minutos, até parece que fui ao médico! Mas pronto, já só me falta um danoninho para ser cidadã... vá, uma caixa deles!
Ia no relato da minha sexta de paz, portanto! Pois diz que o Lago de Sognsvann é muito agradável sim senhora! E não só para os turista, os norugas também adoram ir para lá, segundo parece! Ele é jogging, cicling, nadating, passeating, dating... uma panóplia de actividades à sua escolha! Ok... é só um grande bocado de água rodeado de terra e árvores... e, no fundo, não é assim TÃO grande! É grandinho, vá... Além disso nem se sabe o que se passa dentro daquela água (questão que me atormentou a tarde toda), o que não os impede de mergulharem, "darem umas braçadas" e entenderem-se nos pontões ao lado do cocó do patos, a apanhar os ínfimos raios de Sol que aparecem entre as nuvens! Sim, sinto que estou a denegrir a imagem do lago, mas não é essa a intenção. Só queria que soubessem que nestes sítios também há cocó... não é de cão, mas é de pato! Fora isso, senti-me mesmo bem ali... O sossego é tanto que quase se consegue ouvir o ar puro a roçar-nos na cara, e os caminhos criados à volta, por entre aqueles enormes pinheiros, convidam mesmo ao passeio! Além disso deve ser um óptimo lugar para festas e barbecues e, no Inverno, deve ser magnificamente gelado!
Depois de darmos a volta completa, comemos um waffle com doce, que era curiosamente spicy... esta gente não sabe cozinhar, tem tudo sabores estranhos! Saímos dali e fomos jantar a casa do Ruben com a Natacha. Era o dia dos caloiros, portanto havia festa no Pub da faculdade (sim, a AHO tem um Pub, their own private Pub! Oh Yeah! Ahah! Qual garagem qual quê :P), para onde deveria ir toda a gente! Antes disso, passámos em casa de um amigo do R e andámos por Grunerlokka a ver as praxes cá da zona! Uma junção engraçada entre o nosso peddy pela Ajuda e o rally das tascas. Basicamente cada grupo tem um tema, mascaram-se nesse tema e depois andam de posto em posto a completar certar provas. Se as concluírem com sucesso, recebem cerveja como recompensa! No final do percurso, antes de chegarem à AHO, têm de atravessar o rio (agarrados a uma corda) e depois, à porta do Pub, são baptizados mergulhando a cabeça num balde (com champanhe, este ano). Escusado será dizer que no dia seguinte, nenhum deles pode com a cabeça e muitos não se lembram do que andaram a fazer!
Entretanto, neste mesmo pub, depois de me encontrar com o Jonathan (italian boy) e a Camilla (outra italiana que conheci entretanto), descobri que estava erradíssima em relação à minha turma... somos vários Erasmus! Bem... a festa estava muito animada, a cerveja era à borla, mas eu tinha que me levantar cedo hoje para ir parar àquele amontoado de gente jovem que se quer instruir na Noruega, por isso fui para casa que nem uma menina atinada!
Após o período de espera e o registo como cidadã, voltei para casa e armei-me em DesperateHousewive! Ela limpa, ela lava a roupa, ela estende roupa, ela vai ao supermercado, ela faz tudo... e depois deita-se a parrar simplesmente, que também é bom e eu mereço!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
22 . Agosto . 2009
9h40m locais, menos uma em Lisboa.
Ainda nem 10 da manhã são e eu a ter um dia interessantíssimo já! Ora, situando portanto... estou à porta da UDI (o SEF cá do sítio), sentada no chão, a apanhar Sol na cara! Coisa rara e pouco vista, é melhor aproveitar!
Se bem se recordam, da última vez que cá estive, uma simpática senhora disse-me para voltar dia 22 porque iam abrir só para estudantes. E eu ontem pensei antes de me deitar "Convém estar lá cedo, mas sendo SÓ estudantes, 8h deve ser uma boa hora!" e coloquei o despertador para as 7h. Acordei, arranjei-me assim muito rápido (ok... foi um bocadinho mais devagar, porque o sono ainda me estava a comer o sistema), engoli um café a ferver para acordar de vez e corri para o autocarro. Cheguei à UDI às 8h30 e a visão que tive foi, no mínimo, ATERRADORA!
Não estava cheio de estudantes... Brugata estava, simplesmente, INUNDADA por estudantes!Seriously! Não faço ideia de onde é que esta gente saiu toda, mas nunca pensei que existissem TANTOS estudantes internacionais, muito menos que todos quisessem vir para aqui! Eu cheguei às 8h30 e tirei a senha 300 e muitos, e já vi pessoas a passar com senhas na casa dos 600 avançados! E podem pensar "Que fixe! É um bom sítio para conhecer pessoal e fazer amigos e assim!". Quem me conhecer sabe que este é o pensamento mais errado do século! Sábado, OITO da manhã, o café ainda mal chegou ao estômago, quanto mais espalhado pelos outros órgãos... já me querem a socializar, toda sorridente, principalmente quando faltam 300 números para ser atendida e já só tenho 2 filtros?! Yeah right! É o que mais quero neste momento : socializar!
Bem, mas visto que é escusado lamentar-me, já tenho o impresso preenchido e nada de útil para fazer, mais vale continuar a escrever! Não há muito que possa contar... Estes últimos dias foram, não só de habituação, como de paz! Paz em excesso, num certo ponto! Não tenho que correr para nada, não tenho aulas praticamente e chego a meio do dia sem nada para fazer! 4ª tive uma lecture de seca... O senhor Rolf tresloucado decidiu dissertar e disseCAR-NOS com as teorizações na relação Nature/Culture/Architecture. Ia caindo para o lado umas mil vezes e tinha dormido bem, portanto era mesmo dele! Passadas pouco mais de duas horas, bazou toda a gente e eu, após uma breve e falhada tentativa de interacção com os chineses, decidi vaguear pela faculdade... mas estava deserta, o que me levou direitinha a casa! E não me venham com a treta do "Ah, podias trabalhar" que ainda não cheguei lá! Primeiro ouve-se, depois interioriza-se, posteriormente pensa-se, e após pensar, pensa-se mais um bocadinho... e só depois é que se pensa em começar a trabalhar! No final, vem o trabalho! Nessa mesma 4ª feira deserta, decidi ir conhecer a noite norueguesa e senti-me numa cadeira eléctrica, a levar descargas a cada 5 minutos!
Primeiríssimo menu parva (em homenagem especial a André Nave) : o Ruben disse-me "Vem cá ter a casa e traz cerveja!" e eu fui, toda contente, comprar cerveja ao supermercado! Não percebi puto das cervejas expostas e conseguir associar o nome ao preço foi uma aventura engraçada, quase como aqueles jogos do "encontre o par correcto". Ao fundo das mil marcas estranhas, acenava-me nos seus esplendorosos verdes, uma Heineken... Olho para o preço: 25 kr (cerca de €2.80), tendo uma nota em baixo a dizer 6BOX ao que eu associei "é o pack!" e questionei-me porque se queixavam tantos dos preços do álcool cá! Quando chego à caixa e a senhora me diz "156 kr por favor" eu fiquei verde. Virei azul quando ela me explicou que o preço afixado era o preço de cada lata (ao menos são de 0.5L) e acho que fiquei um bocadinho roxa quando ela me disse que, à parte disso, cobravam mais 1kr por cada lata, a ser devolvido na reciclagem! Sim, eles cá têm umas maquinetas todas engraçadas que comem latas e garrafas e nos dão em troca um papel que dá desconto nas compras ou o dinheiro!
Depois de tentar recuperar as cores todas (ou a minha cor original) esperei que as cervejas se transformassem em ouro enquanto eu as ingerisse, para depois as libertar em forma de pepitas, lavá-las (claro está) e vendê-las para ficar rica. Nada disso aconteceu! Pior que isso, só quando entrámos num bar e comecei a olhar para a lista... 8 euros por um mísero shot, mais de 12 euros por um simples whisky, 7 euros por uma cerveja ou por um copo de vinho (da caaasa!). Coloquei a séria hipótese de nunca mais sair à noite nesta pequena cidade... mas foi só por 5 minutos, depois passou-me!
Após esta experiência, fui brindada na manhã seguinte com uma mensagem da minha irmã a dizer que tinha ouvido na rádio que Oslo era a cidade mais cara do mundo... "Assim já faz todo o sentido a noite de ontem!", pensei eu. Mas não, não faz sentido... mas vamos fingir que sim vá...
Depois da lecture dada pela Lisbeth, bem mais apelativa que a do Rolf, foram os chineses a tentar interagir comigo (isto é muito engraçado, parece quase um documentário do reino animal...). Das duas uma : ou ainda vivem no fuso horário da China, e a mensagem levou algum tempo a chegar-lhes, ou então foram para casa traduzir o que eu disse e trouxeram o discurso todo preparado desta vez! É que não percebem mesmo nada de Inglês... acho que nem eles sabem como assistem às aulas, mas enfim! Após este breve tête-à-tête concretizado à base de gestos, a boa nova da semana : não estou sozinha com eles! (os chineses). Descobri um Italian Boy na turma! Ou melhor, ele é que me descobriu a mim... ouviu-me a dizer que era de Portugal e como a namorada vai para lá este ano, veio falar comigo! O mais engraçado é que ele vem do Politecnico di Milano (a minha primeira opção para Erasmus) e a 2ª opção dele era a FAL, ao que eu lhe respondi prontamente "Serás bem mais feliz aqui!".
Ontem, 6ª feira portanto, não tive aulas... De qualquer forma decidi ir para a faculdade trabalhar porque 2ª temos que apresentar algum trabalho, o que implica a aceleração do processo! Claro que hora e meia depois, textos todos lidos, livros requisitados e esquissos zero... fui dar uma volta! Encontrei o Ruben na faculdade e ele falou-me em irmos ao lago, ao que eu pensei "Trabalho fechado ou ar puro com algum Sol?!Aaaaaah!", foi... decisão difííícil!
Há uma coisa (por enquanto é a mais forte) que realmente me fascina nesta cidade... A facilidade de passar da cidade para o campo em apenas 20 minutos. Deve ser maravilhoso saber que a paz está a um metropolitano de distância...
[Ok... para aqueles convictos de que o Sol na Noruega não queima... pois estão MUITO ENGANADOS! Tenho o lado direito da cara a ferver! Vou lá para dentro...]
Ainda nem 10 da manhã são e eu a ter um dia interessantíssimo já! Ora, situando portanto... estou à porta da UDI (o SEF cá do sítio), sentada no chão, a apanhar Sol na cara! Coisa rara e pouco vista, é melhor aproveitar!
Se bem se recordam, da última vez que cá estive, uma simpática senhora disse-me para voltar dia 22 porque iam abrir só para estudantes. E eu ontem pensei antes de me deitar "Convém estar lá cedo, mas sendo SÓ estudantes, 8h deve ser uma boa hora!" e coloquei o despertador para as 7h. Acordei, arranjei-me assim muito rápido (ok... foi um bocadinho mais devagar, porque o sono ainda me estava a comer o sistema), engoli um café a ferver para acordar de vez e corri para o autocarro. Cheguei à UDI às 8h30 e a visão que tive foi, no mínimo, ATERRADORA!
Não estava cheio de estudantes... Brugata estava, simplesmente, INUNDADA por estudantes!Seriously! Não faço ideia de onde é que esta gente saiu toda, mas nunca pensei que existissem TANTOS estudantes internacionais, muito menos que todos quisessem vir para aqui! Eu cheguei às 8h30 e tirei a senha 300 e muitos, e já vi pessoas a passar com senhas na casa dos 600 avançados! E podem pensar "Que fixe! É um bom sítio para conhecer pessoal e fazer amigos e assim!". Quem me conhecer sabe que este é o pensamento mais errado do século! Sábado, OITO da manhã, o café ainda mal chegou ao estômago, quanto mais espalhado pelos outros órgãos... já me querem a socializar, toda sorridente, principalmente quando faltam 300 números para ser atendida e já só tenho 2 filtros?! Yeah right! É o que mais quero neste momento : socializar!
Bem, mas visto que é escusado lamentar-me, já tenho o impresso preenchido e nada de útil para fazer, mais vale continuar a escrever! Não há muito que possa contar... Estes últimos dias foram, não só de habituação, como de paz! Paz em excesso, num certo ponto! Não tenho que correr para nada, não tenho aulas praticamente e chego a meio do dia sem nada para fazer! 4ª tive uma lecture de seca... O senhor Rolf tresloucado decidiu dissertar e disseCAR-NOS com as teorizações na relação Nature/Culture/Architecture. Ia caindo para o lado umas mil vezes e tinha dormido bem, portanto era mesmo dele! Passadas pouco mais de duas horas, bazou toda a gente e eu, após uma breve e falhada tentativa de interacção com os chineses, decidi vaguear pela faculdade... mas estava deserta, o que me levou direitinha a casa! E não me venham com a treta do "Ah, podias trabalhar" que ainda não cheguei lá! Primeiro ouve-se, depois interioriza-se, posteriormente pensa-se, e após pensar, pensa-se mais um bocadinho... e só depois é que se pensa em começar a trabalhar! No final, vem o trabalho! Nessa mesma 4ª feira deserta, decidi ir conhecer a noite norueguesa e senti-me numa cadeira eléctrica, a levar descargas a cada 5 minutos!
Primeiríssimo menu parva (em homenagem especial a André Nave) : o Ruben disse-me "Vem cá ter a casa e traz cerveja!" e eu fui, toda contente, comprar cerveja ao supermercado! Não percebi puto das cervejas expostas e conseguir associar o nome ao preço foi uma aventura engraçada, quase como aqueles jogos do "encontre o par correcto". Ao fundo das mil marcas estranhas, acenava-me nos seus esplendorosos verdes, uma Heineken... Olho para o preço: 25 kr (cerca de €2.80), tendo uma nota em baixo a dizer 6BOX ao que eu associei "é o pack!" e questionei-me porque se queixavam tantos dos preços do álcool cá! Quando chego à caixa e a senhora me diz "156 kr por favor" eu fiquei verde. Virei azul quando ela me explicou que o preço afixado era o preço de cada lata (ao menos são de 0.5L) e acho que fiquei um bocadinho roxa quando ela me disse que, à parte disso, cobravam mais 1kr por cada lata, a ser devolvido na reciclagem! Sim, eles cá têm umas maquinetas todas engraçadas que comem latas e garrafas e nos dão em troca um papel que dá desconto nas compras ou o dinheiro!
Depois de tentar recuperar as cores todas (ou a minha cor original) esperei que as cervejas se transformassem em ouro enquanto eu as ingerisse, para depois as libertar em forma de pepitas, lavá-las (claro está) e vendê-las para ficar rica. Nada disso aconteceu! Pior que isso, só quando entrámos num bar e comecei a olhar para a lista... 8 euros por um mísero shot, mais de 12 euros por um simples whisky, 7 euros por uma cerveja ou por um copo de vinho (da caaasa!). Coloquei a séria hipótese de nunca mais sair à noite nesta pequena cidade... mas foi só por 5 minutos, depois passou-me!
Após esta experiência, fui brindada na manhã seguinte com uma mensagem da minha irmã a dizer que tinha ouvido na rádio que Oslo era a cidade mais cara do mundo... "Assim já faz todo o sentido a noite de ontem!", pensei eu. Mas não, não faz sentido... mas vamos fingir que sim vá...
Depois da lecture dada pela Lisbeth, bem mais apelativa que a do Rolf, foram os chineses a tentar interagir comigo (isto é muito engraçado, parece quase um documentário do reino animal...). Das duas uma : ou ainda vivem no fuso horário da China, e a mensagem levou algum tempo a chegar-lhes, ou então foram para casa traduzir o que eu disse e trouxeram o discurso todo preparado desta vez! É que não percebem mesmo nada de Inglês... acho que nem eles sabem como assistem às aulas, mas enfim! Após este breve tête-à-tête concretizado à base de gestos, a boa nova da semana : não estou sozinha com eles! (os chineses). Descobri um Italian Boy na turma! Ou melhor, ele é que me descobriu a mim... ouviu-me a dizer que era de Portugal e como a namorada vai para lá este ano, veio falar comigo! O mais engraçado é que ele vem do Politecnico di Milano (a minha primeira opção para Erasmus) e a 2ª opção dele era a FAL, ao que eu lhe respondi prontamente "Serás bem mais feliz aqui!".
Ontem, 6ª feira portanto, não tive aulas... De qualquer forma decidi ir para a faculdade trabalhar porque 2ª temos que apresentar algum trabalho, o que implica a aceleração do processo! Claro que hora e meia depois, textos todos lidos, livros requisitados e esquissos zero... fui dar uma volta! Encontrei o Ruben na faculdade e ele falou-me em irmos ao lago, ao que eu pensei "Trabalho fechado ou ar puro com algum Sol?!Aaaaaah!", foi... decisão difííícil!
Há uma coisa (por enquanto é a mais forte) que realmente me fascina nesta cidade... A facilidade de passar da cidade para o campo em apenas 20 minutos. Deve ser maravilhoso saber que a paz está a um metropolitano de distância...
[Ok... para aqueles convictos de que o Sol na Noruega não queima... pois estão MUITO ENGANADOS! Tenho o lado direito da cara a ferver! Vou lá para dentro...]
domingo, 6 de setembro de 2009
18 . Agosto . 2009
18 de Agosto. 3ª feira. Faz hoje uma semana que cheguei a Oslo.
Acordei com o mesmo pensamento com que me deitei. O Sol é que me acordou, na verdade... Muito gosta ele de baralhar os sistemas de despertar das pessoas recém chegadas!
Só tenha aula às 13 h (quer-me parecer que os meus profs gostam mais de dormir que eu!), mas achei por bem ir para a faculdade mais cedo para ver se começo a dominar a área! O Ruben levou-me à papelaria, mas de resto não há muito por onde dominar! Encanto-me com os recantos criados e fascino-me com as condições existentes. Uma mesa com um candeeiro próprio para cada aluno, uma estante e mesa de luz para cada dois e ainda um cacifo (que temos que ser nós a encontrá-lo!). As portas abrem todas automaticamente, bastando carregar no botão ou passar o cartão pelo sensor. Mas... ninguém me explicou isso, e ontem não precisei de abrir portas! Hoje, pelo contrário, precisava de entrar na sala e a porta estava fechada... Conclusão: parecia uma maluquinha a tentar rodar a maçaneta e a empurrar uma porta que não saía do lugar, até que uma rapariga muito simpática e a rir-se, passou o cartão e a porta mexeu-se como se de penas fosse feita. E eu a olhar para aquilo com um ar de parva abismada e a correr, logo de seguida, para dentro da sala antes que alguém me visse! Mais tarde, roubei um cacifo das salas de 1º ano e apoderei-me de uma mesa bem perto da porta para ser mais rápido de fugir!
A lecture de hoje foi dada pelo Per Olaf. Um monte de imagens, desenhos improvisados e um discurso cativante. O senhor tem uma voz mesmo engraçada (faz quase lembrar um velho ancião) e isto de ouvir as aulas em inglês, tem muito mais encanto do que se imagina! Tudo parece mais fancy e pomposo e afins... eh! Uma hora depois e a lecture estava concluída, deixando uma pergunta no ar para nos pôr a pensar (ou não)! Durante a lecture, tentei analisar a turma em que estava inserida e começo a achar que, à excepção dos 4 chinocas que vieram em bando e não percebem Inglês, todos os restantes são noruegueses! Alguns são simpáticos, mas mesmo assim... Os chineses, no entanto, são mesmo engraçados! Sempre com os textos à frente e o tradutor na mão, a transformarem o alfabeto nos seus caracteres imperceptíveis! Peguei em mim e (uma vez que a faculdade estava deserta e eu tinha mais que fazer) fui à minha vida!
Decidi acabar a parte que podia dos planos iniciados na semana anterior, por isso encaminhei-me para a paragem do autocarro que nos leva à borla para o IKEA (algo que seja à borla nesta terra!). Há dois desses na zona de Oslo, e o ambos os autocarros param na mesma paragem, portanto o meu objectivo era apanhar o primeiro que me aparecesse à frente! Meia hora à espera e lá chega ele todo em azuis e amarelos... E do nada desapareceu, atacado pelas pessoas todas que ali esperavam! Enganam-se se pensam que os noruegueses são pessoas calmas e educadas... duvido mesmo que eles saibam o significado de "viver em sociedade". Os últimos a chegar foram os primeiros a entrar (maioritariamente meninas com os seus 18 anos... e depois dizem coisas da nossa juventude!), e já o autocarro estava à pinha e continuavam uns quantos a tentar entrar. Teve de ser o condutor a levantar-se e expulsar metade das pessoas que empurravam, porque elas sozinhas não conseguiam perceber que não cabiam ali dentro, coitadinhas! E eu a assistir a este belo espectáculo do lado de fora e a imaginar-me no metro da China em plena hora de ponta... é que só visto! Claro está que, inteirada do esquema, me plantei logo à frente da paragem, no suposto lugar onde estaria a próxima porta! Estava já disposta a usar as unhas e os dentes, mas o segundo autocarro apareceu logo a seguir, e a multidão que tinha ficado para trás era menor e menos turbulenta (sim, porque alguns dos que não entraram no anterior, desistiram e foram embora!).
Chegada ao IKEA, dei uma volta rápida pela exposição (que não tinha nada de novo), equipei-me com carrinho, lápis e dicionário e fiz-me ao armazém! Comprei tudo o que precisava menos o termos (que é essencial à minha sobrevivência matinal), desisti de um ou outro pormenor que me aumentavam desnecessariamente a conta e segui para a caixa! E é aqui que o IKEA norueguês difere do nosso (porque TUDO o resto é igual, incluindo os preços!): apenas caixas self-service! Qual continente, qual pingo doce! Self-service ao mais alto nível! Ou seja, uma pessoa chega lá com os seus móveis e carrinhos cheios de tralha, passa o que quiser, paga e sai contente da vida! Claro que há uma pessoa por cada 4 caixas a controlar e ajudar no que for necessário, mas mesmo assim... em Portugal já tinham ido à falência! (sim, ao menos nisso eles são nórdicos... respeitam um mínimo de parâmetros sociais)
Aventura do dia número dois (a nº1 foi a do autocarro!) : carregar com a tralha toda para casa! Tudo coisas pequenas, mas o que nunca pensamos é que MUITAS coisas pequenas, fazem algo grande, pesado e complicado de transportar! Consegui chegar à residência sem problemas de maior (uma vez que vim sempre sentada no autocarro e só começou a chover quando entrei no perímetro da residência) e pus-me a montar e a lavar tudo o que tinha comprado! Sim, porque no IKEA, até os tachos se têm de montar! Ao lavar a louça que tinha, reparei num pormenor adorável : os pirex's tinham gravado na base, e em letras gigantes, "MADE IN PORTUGAL"! Somos grandes ou quê?! Com a Suécia aqui ao lado como dona e senhora da empresa e vão buscar as porcelanas dos Portugueses! AhAh!
E assim, de patriotismo inchado e casota recheada, acaba o 1º (all alone) de muitos dias que virão!
Acordei com o mesmo pensamento com que me deitei. O Sol é que me acordou, na verdade... Muito gosta ele de baralhar os sistemas de despertar das pessoas recém chegadas!
Só tenha aula às 13 h (quer-me parecer que os meus profs gostam mais de dormir que eu!), mas achei por bem ir para a faculdade mais cedo para ver se começo a dominar a área! O Ruben levou-me à papelaria, mas de resto não há muito por onde dominar! Encanto-me com os recantos criados e fascino-me com as condições existentes. Uma mesa com um candeeiro próprio para cada aluno, uma estante e mesa de luz para cada dois e ainda um cacifo (que temos que ser nós a encontrá-lo!). As portas abrem todas automaticamente, bastando carregar no botão ou passar o cartão pelo sensor. Mas... ninguém me explicou isso, e ontem não precisei de abrir portas! Hoje, pelo contrário, precisava de entrar na sala e a porta estava fechada... Conclusão: parecia uma maluquinha a tentar rodar a maçaneta e a empurrar uma porta que não saía do lugar, até que uma rapariga muito simpática e a rir-se, passou o cartão e a porta mexeu-se como se de penas fosse feita. E eu a olhar para aquilo com um ar de parva abismada e a correr, logo de seguida, para dentro da sala antes que alguém me visse! Mais tarde, roubei um cacifo das salas de 1º ano e apoderei-me de uma mesa bem perto da porta para ser mais rápido de fugir!
A lecture de hoje foi dada pelo Per Olaf. Um monte de imagens, desenhos improvisados e um discurso cativante. O senhor tem uma voz mesmo engraçada (faz quase lembrar um velho ancião) e isto de ouvir as aulas em inglês, tem muito mais encanto do que se imagina! Tudo parece mais fancy e pomposo e afins... eh! Uma hora depois e a lecture estava concluída, deixando uma pergunta no ar para nos pôr a pensar (ou não)! Durante a lecture, tentei analisar a turma em que estava inserida e começo a achar que, à excepção dos 4 chinocas que vieram em bando e não percebem Inglês, todos os restantes são noruegueses! Alguns são simpáticos, mas mesmo assim... Os chineses, no entanto, são mesmo engraçados! Sempre com os textos à frente e o tradutor na mão, a transformarem o alfabeto nos seus caracteres imperceptíveis! Peguei em mim e (uma vez que a faculdade estava deserta e eu tinha mais que fazer) fui à minha vida!
Decidi acabar a parte que podia dos planos iniciados na semana anterior, por isso encaminhei-me para a paragem do autocarro que nos leva à borla para o IKEA (algo que seja à borla nesta terra!). Há dois desses na zona de Oslo, e o ambos os autocarros param na mesma paragem, portanto o meu objectivo era apanhar o primeiro que me aparecesse à frente! Meia hora à espera e lá chega ele todo em azuis e amarelos... E do nada desapareceu, atacado pelas pessoas todas que ali esperavam! Enganam-se se pensam que os noruegueses são pessoas calmas e educadas... duvido mesmo que eles saibam o significado de "viver em sociedade". Os últimos a chegar foram os primeiros a entrar (maioritariamente meninas com os seus 18 anos... e depois dizem coisas da nossa juventude!), e já o autocarro estava à pinha e continuavam uns quantos a tentar entrar. Teve de ser o condutor a levantar-se e expulsar metade das pessoas que empurravam, porque elas sozinhas não conseguiam perceber que não cabiam ali dentro, coitadinhas! E eu a assistir a este belo espectáculo do lado de fora e a imaginar-me no metro da China em plena hora de ponta... é que só visto! Claro está que, inteirada do esquema, me plantei logo à frente da paragem, no suposto lugar onde estaria a próxima porta! Estava já disposta a usar as unhas e os dentes, mas o segundo autocarro apareceu logo a seguir, e a multidão que tinha ficado para trás era menor e menos turbulenta (sim, porque alguns dos que não entraram no anterior, desistiram e foram embora!).
Chegada ao IKEA, dei uma volta rápida pela exposição (que não tinha nada de novo), equipei-me com carrinho, lápis e dicionário e fiz-me ao armazém! Comprei tudo o que precisava menos o termos (que é essencial à minha sobrevivência matinal), desisti de um ou outro pormenor que me aumentavam desnecessariamente a conta e segui para a caixa! E é aqui que o IKEA norueguês difere do nosso (porque TUDO o resto é igual, incluindo os preços!): apenas caixas self-service! Qual continente, qual pingo doce! Self-service ao mais alto nível! Ou seja, uma pessoa chega lá com os seus móveis e carrinhos cheios de tralha, passa o que quiser, paga e sai contente da vida! Claro que há uma pessoa por cada 4 caixas a controlar e ajudar no que for necessário, mas mesmo assim... em Portugal já tinham ido à falência! (sim, ao menos nisso eles são nórdicos... respeitam um mínimo de parâmetros sociais)
Aventura do dia número dois (a nº1 foi a do autocarro!) : carregar com a tralha toda para casa! Tudo coisas pequenas, mas o que nunca pensamos é que MUITAS coisas pequenas, fazem algo grande, pesado e complicado de transportar! Consegui chegar à residência sem problemas de maior (uma vez que vim sempre sentada no autocarro e só começou a chover quando entrei no perímetro da residência) e pus-me a montar e a lavar tudo o que tinha comprado! Sim, porque no IKEA, até os tachos se têm de montar! Ao lavar a louça que tinha, reparei num pormenor adorável : os pirex's tinham gravado na base, e em letras gigantes, "MADE IN PORTUGAL"! Somos grandes ou quê?! Com a Suécia aqui ao lado como dona e senhora da empresa e vão buscar as porcelanas dos Portugueses! AhAh!
E assim, de patriotismo inchado e casota recheada, acaba o 1º (all alone) de muitos dias que virão!
17 . Agosto . 2009
Dia 17 . Segunda-feira. Primeiro dia de aulas. Último dia da mãe em Oslo.
Após uma semana cheia de aventuras e um fim-de-semana de turismo, o "trabalho" da mãe estava praticamente concluído. Só faltavam duas coisas : ir ao IKEA, tarefa que poderia concluir sozinha, uma vez que eu e ele temos uma relação muito "tu-cá-tu-lá", e abrir uma conta num banco norueguês! Sim, porque o problema de viver numa zona "Anti-Euro", não é só o ter de fazer contas a toda a hora... Há também a agravante de nos andarem constantemente a sacar taxas por qualquer mínima suspeita de movimentações! Mal pego no cartão, sinto-me logo com uma arma apontada à cabeça e "passa para cá uma taxazinha, oh minha!" Enfim...
Esta última tarefa da mãe em terras norueguesas mostrou-se INATINGÍVEL (e até para mim se está a revelar deveras complicado)! Ora, para abrir uma conta tenho que ser um "cidadã" norueguesa. Para ser cidadã, tenho que ter um ID-number e para ter um ID-number, tenho que me candidatar a um visto de residência e isso, meus caros, só para a semana! Após o registo junto À polícia Norueguesa, eles dar-me-ão permissão para residir no país por 6 meses, tendo para isso de esperar até 4 semanas. Depois de recebida a permissão, tenho que me dirigir ao peoplesregistry a fim de me candidatar a um Norwegian ID-number e, entre 3 a 4 semanas mais tarde, serei oficialmente Bicho da Noruega! Ora... após estes quase supostos 2 meses, posso então dirigir-me a um banco com o ID e o passaporte (porque, mesmo assim, o ID só não chega) e abrir a minha conta! Escusado será dizer que a maioria dos Erasmus, cagam no assunto e continuam a oferecer taxas ao bancos!
Este era então o ponto de situação : nada a fazer! Mas...! O Ruben falou-nos de um banco que teria um qualquer acordo com a Caixa e, como banco é caixa, lá decidimos recorrer ao dito, muito humildemente.
Passeámos então pela cidade à sua procura (do qual a mãe tinha retirado a morada num dia em que passámos por ele). Andámos, andámos, andámos e quando, finalmente, o encontrámos (e depois de um segurança monhé dizer que falava todas as línguas do planeta) um simpática (ou não) senhora, informou-nos que para tratar desses assuntos ter-nos-íamos de dirigir a um outro departamento! Adoro a facilidade com que inventam departamentos para tudo nesta cidade... difícil só lhe é apanhar o jeito! Lá voltámos para trás, atravessámos a Karl Johans, passámos numa praça que cheirava mal e chegámos ao banco, onde uma outra simpática senhora, que não fazia puto de ideia do que era a "Caixa Geral de Depósitos", nem tão pouco Portugal, me informou que realmente, só com ID-numb e passaporte ou nada feito!
Com isto, eram quase horas para a despedida! Caminhámos em passo mole até à Oslo S, onde a mãe foi pela última vez a uma WC pública e paga, não só para fazer o seu chichizinho da praxe, mas também para tirar fotografias ao seu interior todo "cabaret" com neóns azuis e coisas estranhas! Como tinha aulas às 13h, não a podia acompanhar ao aeroporto, portanto acompanhei-a só ao Flybussen... Não sei o que seria mais estranho, mas com certeza esta ideia de ser eu a dizer adeus, não era a melhor! Esperámos um bocado pelo autocarro (eles não são assim tão pontuais, na verdade), paguei o bilhete de autocarro da mãe (sim, que agora era eu a dona dos pagamentos!), dei-lhe o "dinheirinho para almoçar", um abraço forte cheio de beijinhos à mistura e lá entrou para o autocarro. Vi-a partir e pensei "Fodass! O que é que eu estou aqui a fazer?!" Odeio aquele gesto universal de uma mãozinha a abanar em forma de um "Goodbye" contínuo, mas agora era eu que não a conseguia controlar e ali estava ela frenética a abanar-se sozinha!
Virei costas e corri para as aulas, ocupando a cabeça com um "Não posso chegar tarde!" à mistura de um "Só espero que só falem Inglês!". Cheguei à faculdade, comi uma bucha (!) e corri em busca do Tegnesal 1. Quando parei para perguntar a uns noruegueses onde poderia ser o dito, olharam para mim com um ar de "E estás a comunicar connosco porque...." e decidi procurá-lo sozinha! Afinal não foi assim tão complicado, visto que o dito era logo ao lado das escadas que eu tinha subido... se tivesse dentes, mordia-me de facto!
Entrei a medo e olhei para os 3 professores que já lá estavam : um velhote baixinho, cabelo branco e ar sábio (Per Olaf Fjeld); um "jovem avançado" bem alto, cabelo meio curto meio comprido e encaracolado, óculos de massa pretos e um ar de tresloucado (Rolf Gerstlauer); e uma senhora, nem jovem nem avançada, com um carrapito mal amanhado no cimo da cabeça, umas roupas do "I just don't care..." e um ar deveras misterioso (Lisbeth Funck). Todos eles abriram um sorriso acompanhado de um "Good Afternoon", ao qual respondi com o meu mais amplo sorriso e me sentei.
Começou a apresentação do trabalho a efectuar... o pânico! Não me vou perder em detalhes porque nem eu sei o que é para fazer, mas acho que pode partir de um "só sei que nada sei". Sem terreno, sem programa, apenas um conceito e muita análise. O objectivo do estúdio é fazer-nos experimentar e sentir o que será a arquitectura, questionando-nos dos nossos meios e técnicas até hoje aprendidos.
Cerca de uma hora depois, distribuiu uns textos e acabou a aula. Eu, inocentemente, lá fui ficando, a achar que seria apenas um coffee break, até começar a ver o pessoal todo a sair. Já decidida a bazar também, aparecem os professores com um "Hey! You're the one with the big name!", partindo daí a habitual conversa "De onde vens? , 'Portugal' , Estás a gostar?! , 'Diz que é bonito' , Bem vinda então!", essas conversas, sabem?! Fiquei abismada não só com a simpatia dos professores (Noruegueses?! weeeiird!), mas também com a perfeição do Inglês de todos os que me rodeiam. Com isto já era, praticamente, a única pessoa na sala e apercebi-me que não havia de facto mais nada a fazer ali.
Mais uma fichinha, mais uma voltinha, tinha que voltar a Blindern! Burocracias à parte, é de focar o ponto do : SOZINHA! Parecia uma parola perdida, à procura de algo que já conhecia mas parecia esquecido, apagado da memória. Estava tudo na mesma, mas algo parecia diferente. Assuntos tratados, voltei para casa com a mesma sensação a perseguir-me!
Voltar a entrar no apartamento foi, sem dúvida, a parte mais estranho do dia! Onde anteriormente estavam 2 camas, sobrava só uma, estando a segunda dobrada e abandonada a um canto. Entre a cama e a secretária pareciam ter nascido mais uns metros de chão. Tudo parecia, de repente, enorme e vazio! Sentei-me a ler os textos que me tinham dado, mas rapidamente me fartei... não, não comecei o meu ano de Erasmus sentada a uma secretária a ler! Mas pouco havia para fazer! Eram 4 da tarde e o dia parecia estagnado. Estava a chover, o que conferia alguma moleza ao estado de espírito e impedia o físico de se movimentar!
Horas depois recebo uma mensagem da mãe a dizer "Cheguei!", mas MUITAS horas depois! Sim, a senhora chegou toda contente a contar as suas histórias e cagou-me na tola! E eu aqui, que não tenho uma grande relação com aviões, à espera de novidades! Mais tarde apareceu na net e a ansiedade sossegou.
Fui-me deitar e pensei "Estás sozinha Sara. Estás MESMO sozinha". Mas sorri.
Após uma semana cheia de aventuras e um fim-de-semana de turismo, o "trabalho" da mãe estava praticamente concluído. Só faltavam duas coisas : ir ao IKEA, tarefa que poderia concluir sozinha, uma vez que eu e ele temos uma relação muito "tu-cá-tu-lá", e abrir uma conta num banco norueguês! Sim, porque o problema de viver numa zona "Anti-Euro", não é só o ter de fazer contas a toda a hora... Há também a agravante de nos andarem constantemente a sacar taxas por qualquer mínima suspeita de movimentações! Mal pego no cartão, sinto-me logo com uma arma apontada à cabeça e "passa para cá uma taxazinha, oh minha!" Enfim...
Esta última tarefa da mãe em terras norueguesas mostrou-se INATINGÍVEL (e até para mim se está a revelar deveras complicado)! Ora, para abrir uma conta tenho que ser um "cidadã" norueguesa. Para ser cidadã, tenho que ter um ID-number e para ter um ID-number, tenho que me candidatar a um visto de residência e isso, meus caros, só para a semana! Após o registo junto À polícia Norueguesa, eles dar-me-ão permissão para residir no país por 6 meses, tendo para isso de esperar até 4 semanas. Depois de recebida a permissão, tenho que me dirigir ao peoplesregistry a fim de me candidatar a um Norwegian ID-number e, entre 3 a 4 semanas mais tarde, serei oficialmente Bicho da Noruega! Ora... após estes quase supostos 2 meses, posso então dirigir-me a um banco com o ID e o passaporte (porque, mesmo assim, o ID só não chega) e abrir a minha conta! Escusado será dizer que a maioria dos Erasmus, cagam no assunto e continuam a oferecer taxas ao bancos!
Este era então o ponto de situação : nada a fazer! Mas...! O Ruben falou-nos de um banco que teria um qualquer acordo com a Caixa e, como banco é caixa, lá decidimos recorrer ao dito, muito humildemente.
Passeámos então pela cidade à sua procura (do qual a mãe tinha retirado a morada num dia em que passámos por ele). Andámos, andámos, andámos e quando, finalmente, o encontrámos (e depois de um segurança monhé dizer que falava todas as línguas do planeta) um simpática (ou não) senhora, informou-nos que para tratar desses assuntos ter-nos-íamos de dirigir a um outro departamento! Adoro a facilidade com que inventam departamentos para tudo nesta cidade... difícil só lhe é apanhar o jeito! Lá voltámos para trás, atravessámos a Karl Johans, passámos numa praça que cheirava mal e chegámos ao banco, onde uma outra simpática senhora, que não fazia puto de ideia do que era a "Caixa Geral de Depósitos", nem tão pouco Portugal, me informou que realmente, só com ID-numb e passaporte ou nada feito!
Com isto, eram quase horas para a despedida! Caminhámos em passo mole até à Oslo S, onde a mãe foi pela última vez a uma WC pública e paga, não só para fazer o seu chichizinho da praxe, mas também para tirar fotografias ao seu interior todo "cabaret" com neóns azuis e coisas estranhas! Como tinha aulas às 13h, não a podia acompanhar ao aeroporto, portanto acompanhei-a só ao Flybussen... Não sei o que seria mais estranho, mas com certeza esta ideia de ser eu a dizer adeus, não era a melhor! Esperámos um bocado pelo autocarro (eles não são assim tão pontuais, na verdade), paguei o bilhete de autocarro da mãe (sim, que agora era eu a dona dos pagamentos!), dei-lhe o "dinheirinho para almoçar", um abraço forte cheio de beijinhos à mistura e lá entrou para o autocarro. Vi-a partir e pensei "Fodass! O que é que eu estou aqui a fazer?!" Odeio aquele gesto universal de uma mãozinha a abanar em forma de um "Goodbye" contínuo, mas agora era eu que não a conseguia controlar e ali estava ela frenética a abanar-se sozinha!
Virei costas e corri para as aulas, ocupando a cabeça com um "Não posso chegar tarde!" à mistura de um "Só espero que só falem Inglês!". Cheguei à faculdade, comi uma bucha (!) e corri em busca do Tegnesal 1. Quando parei para perguntar a uns noruegueses onde poderia ser o dito, olharam para mim com um ar de "E estás a comunicar connosco porque...." e decidi procurá-lo sozinha! Afinal não foi assim tão complicado, visto que o dito era logo ao lado das escadas que eu tinha subido... se tivesse dentes, mordia-me de facto!
Entrei a medo e olhei para os 3 professores que já lá estavam : um velhote baixinho, cabelo branco e ar sábio (Per Olaf Fjeld); um "jovem avançado" bem alto, cabelo meio curto meio comprido e encaracolado, óculos de massa pretos e um ar de tresloucado (Rolf Gerstlauer); e uma senhora, nem jovem nem avançada, com um carrapito mal amanhado no cimo da cabeça, umas roupas do "I just don't care..." e um ar deveras misterioso (Lisbeth Funck). Todos eles abriram um sorriso acompanhado de um "Good Afternoon", ao qual respondi com o meu mais amplo sorriso e me sentei.
Começou a apresentação do trabalho a efectuar... o pânico! Não me vou perder em detalhes porque nem eu sei o que é para fazer, mas acho que pode partir de um "só sei que nada sei". Sem terreno, sem programa, apenas um conceito e muita análise. O objectivo do estúdio é fazer-nos experimentar e sentir o que será a arquitectura, questionando-nos dos nossos meios e técnicas até hoje aprendidos.
Cerca de uma hora depois, distribuiu uns textos e acabou a aula. Eu, inocentemente, lá fui ficando, a achar que seria apenas um coffee break, até começar a ver o pessoal todo a sair. Já decidida a bazar também, aparecem os professores com um "Hey! You're the one with the big name!", partindo daí a habitual conversa "De onde vens? , 'Portugal' , Estás a gostar?! , 'Diz que é bonito' , Bem vinda então!", essas conversas, sabem?! Fiquei abismada não só com a simpatia dos professores (Noruegueses?! weeeiird!), mas também com a perfeição do Inglês de todos os que me rodeiam. Com isto já era, praticamente, a única pessoa na sala e apercebi-me que não havia de facto mais nada a fazer ali.
Mais uma fichinha, mais uma voltinha, tinha que voltar a Blindern! Burocracias à parte, é de focar o ponto do : SOZINHA! Parecia uma parola perdida, à procura de algo que já conhecia mas parecia esquecido, apagado da memória. Estava tudo na mesma, mas algo parecia diferente. Assuntos tratados, voltei para casa com a mesma sensação a perseguir-me!
Voltar a entrar no apartamento foi, sem dúvida, a parte mais estranho do dia! Onde anteriormente estavam 2 camas, sobrava só uma, estando a segunda dobrada e abandonada a um canto. Entre a cama e a secretária pareciam ter nascido mais uns metros de chão. Tudo parecia, de repente, enorme e vazio! Sentei-me a ler os textos que me tinham dado, mas rapidamente me fartei... não, não comecei o meu ano de Erasmus sentada a uma secretária a ler! Mas pouco havia para fazer! Eram 4 da tarde e o dia parecia estagnado. Estava a chover, o que conferia alguma moleza ao estado de espírito e impedia o físico de se movimentar!
Horas depois recebo uma mensagem da mãe a dizer "Cheguei!", mas MUITAS horas depois! Sim, a senhora chegou toda contente a contar as suas histórias e cagou-me na tola! E eu aqui, que não tenho uma grande relação com aviões, à espera de novidades! Mais tarde apareceu na net e a ansiedade sossegou.
Fui-me deitar e pensei "Estás sozinha Sara. Estás MESMO sozinha". Mas sorri.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
16 . Agosto . 2009
16 de Agosto. Domingo. Penúltimo dia da mãe comigo. 2º dia à turista.
Ao que parece a chuva cansou-se, finalmente, de cair e para nos dar as boas novas, o Sol decidiu acordar-nos às 5 da manhã. Disse-lhe "Olá, muito gosto o meu nome é Sara e acho bem que por aí fiques!" e voltei a adormecer. Mas não por muito mais tempo! O dia, no entanto, estava gelado (vamos com calma, não se pode ter tudo não é?!), mas nem por isso incomodativo!
É necessário que tenham em conta que o Domingo, nesta cidade, é MAIS que sagrado. Em Portugal vai-se à missa (alguns...outros dormem!), almoça-se no chinês, faz-se as lides domésticas ou simplesmente parra-se numa qualquer esplanada. Aqui não... aqui não se faz NADA! Ou, pelo contrário, faz-se muita coisa mas nada que solicite a interacção social. Passo a explicar : o Ruben já me tinha dito que tudo fechava ao Domingo, mas quando saí à rua, não pensei que se sentisse de facto o "tudo fechado". Parecia-mos perto do fim do mundo em cuecas, onde todos abandonam os seus postos (mas em vez de gente louca a correr freneticamente para todos os lados, não se vê vivalma na rua) : supermercados, lojas de rua, restaurantes, cafés, centros comerciais... até o IKEA, imagine-se só!! Claro que há uma ou outra excepção... mas rara! Os autocarros em vez de 5 minutos, levam mais de 20 a chegar e apesar de não haver trânsito, parece que tudo se torna mais lento. Julgo ter ouvido o ar a um certo momento! Ok, se calhar estou a exagerar, mas quero que compreendam bem que não era um vazio igual ao de Lisboa... era um VAZIO!
Solução minha gente?! Ir para onde todo o santo turista vai (que tem museus abertos!) : Bygdoy, uma espécie de ilha (mais apêndice que ilha) onde há museus e praias e casas e coisas giras!
Bus 54 directo a Akker Brygge, a marina cá do sítio... ou as docas vá, mas sem as pessoas feias! (ou eu pelo menos não as vi!) Uma zona engraçada, mais moderna, mais fancy, com estátuas de gajas nuas e fontes engraçadas e o Centro Nobel da Paz e um centro comercial qualquer (fechado!)... muitas coisas, pelas quais passámos naquele passo domingueiro mas desinteressado! Primeiros sinais de civilização, um ou outro café aberto com um ou outro TURISTA lá dentro. A mãe com chichi e eu com sono, entrámos num café e eu fiz o "sacrifício" de beber um Caffe Latte para acordar, enquanto escondia a mãe que entrava sorrateiramente na casa de banho! Seguimos para o Ferryboat, que não se paga mais tendo o passe, o que torna fantástico possuir um passe nesta cidade porque serve para todos os transportes! Quer dizer... para todos não, que eles ainda não aprenderam a fazer o mesmo com o NightBus! Vai-se lá saber porquê, mas devem achar que as pessoas que andam na noite não têm os mesmos direitos, então vai de cobrar 50 NOK (que equivale a uns CINCO EUROS) para poder andar de autocarro à noite... isso ou dormir na rua! Ahah!
Bem, mas voltando ao que interessa, íamos no Ferry... viagem normaaaaaal, enjoativa (porque é um barco), vimos o barco do Rei pelo caminho (yupi yey) e 10/15 minutos depois estávamos em Bygdoy, de guia em riste e prontas a passear! Um "viva" ao turismo e à "não chuva"! Encaminhá-mo-nos para o Norsk Folkemuseum, um museu ao ar livre com casinhas antigas e pessoas vestidas à época e tudo... muito engraçado! Estávamos nós a engasgar-nos com os preços do bilhetes (salvo erro eram 95 NOK cada) quando um outro anjo, em forma de moço, nos cai do céu a querer vender-nos dois passes que tinha para visitar museus. Diz que os pais o tinham comprado, mas como tiveram que bazar mais cedo tinha ficado com 2 passes inutilizados, válidos até às 3 da tarde do dia! Ora, visto estar a vender-nos os dois passes por 100 NOK, aceitámos de bom grado! O mais engraçado é que o rapaz ficou ao nosso lado na fila, para ter a certeza que aceitavam o passe sem qualquer problema! Um verdadeiro gentleman, o que fez dele forte candidato a "não Norueguês".
Encantadas com a sorte grande, e de mapa do museu na mão, lá começámos a nossa culturização (existe?! foi uma coisa dessas) : Folk Dress, Norwegian Church Art e o Open Air Museum (o tal das casas e das pessoas!). Passámos numa casinha onde nos ofereceram uma bebida de maçã e canela (mesmo boa por acaso), num consultório de Dentista (com a "história" da evolução dos ditos), um banco, uma farmácia, uma grocery store, uma casa de artesãos, uma bakery (que vendia um pão tipo pitta, cozido a lenha, mesmo bom!), muitos animaizinhos, entre eles o cavalo mais triste que alguma vez vi na vida, pequenas aldeias (ou fragmentos delas) tipicamente Norueguesas, trazidas de várias zonas do país para este museu, uma Stave Church, muito mato, muita terra, muitas carroças e muitos turistas! Podia tentar descrever minuciosamente cada uma das casinhas que visitámos, mas foi para isso que inventaram a fotografia e, graças a deus, a dona Elsa (e diz que a filha também) é muito dada a estas coisas de "para mais tarde recordar" (oiça-se a entoação da musiqueta!).
Cerca de duas horas mais tarde e uns pés cansados, finalizámos a visita ao museu e partimos para o Vikingskipshuset. Não fazia parte do plano inicial, mas uma vez que tínhamos o passe e ainda faltava uma hora para perder a validade, valia MAIS do que a pena fazer o desvio! Um museu pequenino, com 3 barcos imponentes... Ok! O museu não era pequeno, os barcos é que eram grandes demais! Ocupavam 3 dos 4 braços da cruz que a planta do museu fazia, deixando apenas um (e o mais pequeno) para a exposição de artefactos vikings, encontrados nas escavações feitas por toda a costa da Noruega. Foi uma visita rápida, mas deu para tirar muitas fotografias e nos fazer sentir MUITO pequeninas.
Bygdoy check! Partimos para a segunda parte do plano do dia : VigelandsParken!
Podia contar-vos a história deste parque gigantesco, mas não a sei bem (está num mail que o Pi me mandou, portanto consultem a caixa de entrada =P). Prometo que quando souber pormenores, partilho!
Antes de começarmos a caminhada, e uma vez que eu estava ESFOMEADA e quase de mau humor, almoçamos antes no café da entrada, onde o senhor se esqueceu de cobrar as sandes e pagámos só os cafés e o muffin (Oh que pena!). É de partilhar, também, que nesta cidade todas as casas de banho públicas se pagam, mas em sítios destes repletos de turistas, há sempre uma portuguesa ou uma espanhola a segurar a porta para as outras entrarem! A mãe é que não teve a mesma sorte e teve que arrotar com 5 coroas para poder fazer um misero chichizinho!
Nota à parte, lá fomos ver as estátuas e passear pelo parque! Pessoalmente, esperava-as bem maiores e monumentais, mas tendo em conta que havia MIL à escala real (algumas maiores), diria que me posso calar e deleitar com o belo portfólio de vida desse tal Vigeland! Entre esculturas e mais esculturas, fontes, relva, árvores, pessoas mal educadas, crianças insuportáveis e enormes grupos de turistas, lá tirámos mais umas quantas fotografias de pose à turista e findámos o nosso objectivo.
Já a caminho de casa, decidimos passar em Gronland onde, dizem nos guias, existem muitas mercearias com muito boa fruta e vegetais diversificados. Onde, dizia a Sara Duarte, havia mil lojas de emigrantes com coisas baratas... devia ter-me ficado pela palavra "emigrante" e não "barata"! Tenho a dizer-vos que qualquer semelhança entre a Gronland e Martim Moniz... é PURA REALIDADE! Ou melhor... Brugata é o Martim Moniz e a Gronland é uma mistura fervorosa entre a parte má da Almirante Reis e a Morais Soares! Tirem metade dos pretos e ponham o triplo dos monhés e... já está! Não é por racismo, e não quero ferir susceptibilidades, mas aquela zona assusta! Assusta mesmo... sentia-me constantemente seguida por olhos que me diziam "o que fazes aqui, não fazes parte deste filme!", cheirava a caril que se fartava... Enfim, não voltarei lá tão cedo!
Fugidas da Gronland (a meu insistente pedido), voltámos para a residência para um merecido descanso! E durante o mesmo o telefone toca, com a voz do Ruben do outro lado a dizer "A Natacha chegou!". CAMAAAAAA! Almofadaaaaas! Lá fui eu ter com ele para seguirmos para casa dela! Super simpática, um ar amoroso, e mais uma portuguesa... que bem sabe ouvir português! Conversas para aqui, updates para ali e fomos buscar a cama (que o Ruben, como único homem presente, carregou escadas abaixo!). Lá vim eu pela cidade, mais uma vez, a empurrar uma cama com rodas e a fazer figuras ridículas no autocarro... Porquê?! Contexto : autocarro, Sara agarrada a uma cama, a mesma com RODAS. Autocarro não anda a direito, curva... e contra-curva... e as rodas da cama não tinham travões! Conclusão: cada vez que o autocarro virava, ou mesmo quando decidia arrancar ou, simplesmente, parar... a cama ia atrás do movimento e eu atrás dela! Foram os 15 minutos mais intensos da minha vida, só é pena a mãe não estar presente para imortalizar o momento (sim, porque eu não tinha mãos!!). E há mais!! Um solzinho fantástico o dia todo, mas assim que eu saio do autocarro começa a chover-me em cima! E eu a correr para a residência a empurrar uma cama com rodas... Só visto!
E pronto... cansada, mas com uma cama e feliz! Um bom penúltimo dia para a minha mãe, que ainda conseguiu fotografar o estado final do quarto onde me deixou!
Ao que parece a chuva cansou-se, finalmente, de cair e para nos dar as boas novas, o Sol decidiu acordar-nos às 5 da manhã. Disse-lhe "Olá, muito gosto o meu nome é Sara e acho bem que por aí fiques!" e voltei a adormecer. Mas não por muito mais tempo! O dia, no entanto, estava gelado (vamos com calma, não se pode ter tudo não é?!), mas nem por isso incomodativo!
É necessário que tenham em conta que o Domingo, nesta cidade, é MAIS que sagrado. Em Portugal vai-se à missa (alguns...outros dormem!), almoça-se no chinês, faz-se as lides domésticas ou simplesmente parra-se numa qualquer esplanada. Aqui não... aqui não se faz NADA! Ou, pelo contrário, faz-se muita coisa mas nada que solicite a interacção social. Passo a explicar : o Ruben já me tinha dito que tudo fechava ao Domingo, mas quando saí à rua, não pensei que se sentisse de facto o "tudo fechado". Parecia-mos perto do fim do mundo em cuecas, onde todos abandonam os seus postos (mas em vez de gente louca a correr freneticamente para todos os lados, não se vê vivalma na rua) : supermercados, lojas de rua, restaurantes, cafés, centros comerciais... até o IKEA, imagine-se só!! Claro que há uma ou outra excepção... mas rara! Os autocarros em vez de 5 minutos, levam mais de 20 a chegar e apesar de não haver trânsito, parece que tudo se torna mais lento. Julgo ter ouvido o ar a um certo momento! Ok, se calhar estou a exagerar, mas quero que compreendam bem que não era um vazio igual ao de Lisboa... era um VAZIO!
Solução minha gente?! Ir para onde todo o santo turista vai (que tem museus abertos!) : Bygdoy, uma espécie de ilha (mais apêndice que ilha) onde há museus e praias e casas e coisas giras!
Bus 54 directo a Akker Brygge, a marina cá do sítio... ou as docas vá, mas sem as pessoas feias! (ou eu pelo menos não as vi!) Uma zona engraçada, mais moderna, mais fancy, com estátuas de gajas nuas e fontes engraçadas e o Centro Nobel da Paz e um centro comercial qualquer (fechado!)... muitas coisas, pelas quais passámos naquele passo domingueiro mas desinteressado! Primeiros sinais de civilização, um ou outro café aberto com um ou outro TURISTA lá dentro. A mãe com chichi e eu com sono, entrámos num café e eu fiz o "sacrifício" de beber um Caffe Latte para acordar, enquanto escondia a mãe que entrava sorrateiramente na casa de banho! Seguimos para o Ferryboat, que não se paga mais tendo o passe, o que torna fantástico possuir um passe nesta cidade porque serve para todos os transportes! Quer dizer... para todos não, que eles ainda não aprenderam a fazer o mesmo com o NightBus! Vai-se lá saber porquê, mas devem achar que as pessoas que andam na noite não têm os mesmos direitos, então vai de cobrar 50 NOK (que equivale a uns CINCO EUROS) para poder andar de autocarro à noite... isso ou dormir na rua! Ahah!
Bem, mas voltando ao que interessa, íamos no Ferry... viagem normaaaaaal, enjoativa (porque é um barco), vimos o barco do Rei pelo caminho (yupi yey) e 10/15 minutos depois estávamos em Bygdoy, de guia em riste e prontas a passear! Um "viva" ao turismo e à "não chuva"! Encaminhá-mo-nos para o Norsk Folkemuseum, um museu ao ar livre com casinhas antigas e pessoas vestidas à época e tudo... muito engraçado! Estávamos nós a engasgar-nos com os preços do bilhetes (salvo erro eram 95 NOK cada) quando um outro anjo, em forma de moço, nos cai do céu a querer vender-nos dois passes que tinha para visitar museus. Diz que os pais o tinham comprado, mas como tiveram que bazar mais cedo tinha ficado com 2 passes inutilizados, válidos até às 3 da tarde do dia! Ora, visto estar a vender-nos os dois passes por 100 NOK, aceitámos de bom grado! O mais engraçado é que o rapaz ficou ao nosso lado na fila, para ter a certeza que aceitavam o passe sem qualquer problema! Um verdadeiro gentleman, o que fez dele forte candidato a "não Norueguês".
Encantadas com a sorte grande, e de mapa do museu na mão, lá começámos a nossa culturização (existe?! foi uma coisa dessas) : Folk Dress, Norwegian Church Art e o Open Air Museum (o tal das casas e das pessoas!). Passámos numa casinha onde nos ofereceram uma bebida de maçã e canela (mesmo boa por acaso), num consultório de Dentista (com a "história" da evolução dos ditos), um banco, uma farmácia, uma grocery store, uma casa de artesãos, uma bakery (que vendia um pão tipo pitta, cozido a lenha, mesmo bom!), muitos animaizinhos, entre eles o cavalo mais triste que alguma vez vi na vida, pequenas aldeias (ou fragmentos delas) tipicamente Norueguesas, trazidas de várias zonas do país para este museu, uma Stave Church, muito mato, muita terra, muitas carroças e muitos turistas! Podia tentar descrever minuciosamente cada uma das casinhas que visitámos, mas foi para isso que inventaram a fotografia e, graças a deus, a dona Elsa (e diz que a filha também) é muito dada a estas coisas de "para mais tarde recordar" (oiça-se a entoação da musiqueta!).
Cerca de duas horas mais tarde e uns pés cansados, finalizámos a visita ao museu e partimos para o Vikingskipshuset. Não fazia parte do plano inicial, mas uma vez que tínhamos o passe e ainda faltava uma hora para perder a validade, valia MAIS do que a pena fazer o desvio! Um museu pequenino, com 3 barcos imponentes... Ok! O museu não era pequeno, os barcos é que eram grandes demais! Ocupavam 3 dos 4 braços da cruz que a planta do museu fazia, deixando apenas um (e o mais pequeno) para a exposição de artefactos vikings, encontrados nas escavações feitas por toda a costa da Noruega. Foi uma visita rápida, mas deu para tirar muitas fotografias e nos fazer sentir MUITO pequeninas.
Bygdoy check! Partimos para a segunda parte do plano do dia : VigelandsParken!
Podia contar-vos a história deste parque gigantesco, mas não a sei bem (está num mail que o Pi me mandou, portanto consultem a caixa de entrada =P). Prometo que quando souber pormenores, partilho!
Antes de começarmos a caminhada, e uma vez que eu estava ESFOMEADA e quase de mau humor, almoçamos antes no café da entrada, onde o senhor se esqueceu de cobrar as sandes e pagámos só os cafés e o muffin (Oh que pena!). É de partilhar, também, que nesta cidade todas as casas de banho públicas se pagam, mas em sítios destes repletos de turistas, há sempre uma portuguesa ou uma espanhola a segurar a porta para as outras entrarem! A mãe é que não teve a mesma sorte e teve que arrotar com 5 coroas para poder fazer um misero chichizinho!
Nota à parte, lá fomos ver as estátuas e passear pelo parque! Pessoalmente, esperava-as bem maiores e monumentais, mas tendo em conta que havia MIL à escala real (algumas maiores), diria que me posso calar e deleitar com o belo portfólio de vida desse tal Vigeland! Entre esculturas e mais esculturas, fontes, relva, árvores, pessoas mal educadas, crianças insuportáveis e enormes grupos de turistas, lá tirámos mais umas quantas fotografias de pose à turista e findámos o nosso objectivo.
Já a caminho de casa, decidimos passar em Gronland onde, dizem nos guias, existem muitas mercearias com muito boa fruta e vegetais diversificados. Onde, dizia a Sara Duarte, havia mil lojas de emigrantes com coisas baratas... devia ter-me ficado pela palavra "emigrante" e não "barata"! Tenho a dizer-vos que qualquer semelhança entre a Gronland e Martim Moniz... é PURA REALIDADE! Ou melhor... Brugata é o Martim Moniz e a Gronland é uma mistura fervorosa entre a parte má da Almirante Reis e a Morais Soares! Tirem metade dos pretos e ponham o triplo dos monhés e... já está! Não é por racismo, e não quero ferir susceptibilidades, mas aquela zona assusta! Assusta mesmo... sentia-me constantemente seguida por olhos que me diziam "o que fazes aqui, não fazes parte deste filme!", cheirava a caril que se fartava... Enfim, não voltarei lá tão cedo!
Fugidas da Gronland (a meu insistente pedido), voltámos para a residência para um merecido descanso! E durante o mesmo o telefone toca, com a voz do Ruben do outro lado a dizer "A Natacha chegou!". CAMAAAAAA! Almofadaaaaas! Lá fui eu ter com ele para seguirmos para casa dela! Super simpática, um ar amoroso, e mais uma portuguesa... que bem sabe ouvir português! Conversas para aqui, updates para ali e fomos buscar a cama (que o Ruben, como único homem presente, carregou escadas abaixo!). Lá vim eu pela cidade, mais uma vez, a empurrar uma cama com rodas e a fazer figuras ridículas no autocarro... Porquê?! Contexto : autocarro, Sara agarrada a uma cama, a mesma com RODAS. Autocarro não anda a direito, curva... e contra-curva... e as rodas da cama não tinham travões! Conclusão: cada vez que o autocarro virava, ou mesmo quando decidia arrancar ou, simplesmente, parar... a cama ia atrás do movimento e eu atrás dela! Foram os 15 minutos mais intensos da minha vida, só é pena a mãe não estar presente para imortalizar o momento (sim, porque eu não tinha mãos!!). E há mais!! Um solzinho fantástico o dia todo, mas assim que eu saio do autocarro começa a chover-me em cima! E eu a correr para a residência a empurrar uma cama com rodas... Só visto!
E pronto... cansada, mas com uma cama e feliz! Um bom penúltimo dia para a minha mãe, que ainda conseguiu fotografar o estado final do quarto onde me deixou!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
15 . Agosto . 2009
Após a instalação do dia anterior e de uma boa e prolongada noite de sono, preparámos o novo dia!
Primeiro passo : comprar o telemóvel Norueguês! Telenor e 400 NOK mais tarde e era ver a Sara a brincar com o telemóvel novo! Fizemos um pequeno passeio pelo centro comercial, para descobrir uma H&M realmente grande e uma casa de banho que se tinha de pagar para usar. Uma só casa de banho para um centro comercial inteiro e ainda por cima era paga! Desistindo da dita, prontas para o segundo passo : tirar uma fotografia à entrada do Hotel, que a mãe tanto tinha gostado!
Assim começámos o nosso primeiro dia TOTALMENTE à turista! Subimos a Karl Johans até ao Palácio, onde passámos por tudo e mais alguma coisa : o parlamento (Stortinget), o National Theatre, a Universidade de Oslo (a antiga, claro está), o "Sara's Telt", o jardim que vira pista de gelo no Inverno (onde a mãe quase molhou o pezinho!), o que a mãe pensou ser o Speaker's Cornor cá do sítio, muitas pessoas, fontes, estátuas e coisas giras! É de frisar que chovia durante todos este percurso, o que nos fez chegar ao palácio feitas um pintinho! Molhadas e esfomeadas que estávamos, e uma vez que não havia muito mais a fazer ali, voltámos a descer (sim, a PÉ e à CHUVA!), à procura de um budget restaurant para almoçarmos! Peppe's Pizza foi o eleito, mas o atendimento do dito deixou um bocadinho a desejar! TOTALMENTE encharcadas (sim, porque o meu impermeável era tudo, menos impermeável, e a mãe tinha umas calças que tocavam ligeiramente no chão!) lá nos sentámos, tentando adivinhas o que estaria escrito naquela ementa norueguesa, de dicionário em riste, claro está! A senhora lá nos trouxe a ementa inglesa e pedimos uma pizza para as duas, pão de alho e um balde de sumo para cada!
Depois do almoço e de uma tentativa inútil de nos secarmos, decidimos aventurar-nos até ao forte! Ora... pela primeira vez desde que chegámos, li mal o mapa e apanhámos um autocarro que nos deixou na ponta oposta à entrada do Forte! Já referi que não parava de chover, não já?! Pois, chovia a potes e eu tinha chichi! Mas lá caminhámos à beira do rio, mar, fjorde ou o que lhe queiram chamar, em busca da entrada no dito forte. Andámos, andámos, andámos e continuámos a andar... quando finalmente a encontrámos, o desespero e a chuva já eram tantos que não entrámos em lado nenhum e continuámos! Neste momento eu tentava encontrar a paragem do 54 no mapa (que eles diziam ser já ali), enquanto a mãe tirava as fotografias que conseguia. Mais uma jornada molhada em busca da paragem perdida, a andar de um lado para o outro sem encontrar nada! Encharcada e cansada, decidimos apanhar o eléctrico que nos levou para a Oslo S e daí algum autocarro para casa.
A pingar o céu inteiro de Oslo, lá chegámos à residência. Totalmente enregeladas e encharcadas, a precisar de algo quentinho e seco, o aquecimento central não funcionava porque "é Verão". Rendemo-nos ao aquecimento da WC, onde pendurámos a roupa toda e pousámos os sapatos cheios de jornais para secar. Só não nos pendurámos a nós porque a casa de banho é pequena e já não havia espaço!
Cansadas, molhadas e geladas, saímos mais tarde para ir comprar chá e pão e voltámos para o quentinho do lar! Era suposto irmos ao IKEA, mas o desconforto da chuva e a preguiça, obrigaram-nos a ficar em casa!
Cházinho antes de dormir, e esperar que a chuva se cansasse de cair, para podermos passear no dia seguinte!
Primeiro passo : comprar o telemóvel Norueguês! Telenor e 400 NOK mais tarde e era ver a Sara a brincar com o telemóvel novo! Fizemos um pequeno passeio pelo centro comercial, para descobrir uma H&M realmente grande e uma casa de banho que se tinha de pagar para usar. Uma só casa de banho para um centro comercial inteiro e ainda por cima era paga! Desistindo da dita, prontas para o segundo passo : tirar uma fotografia à entrada do Hotel, que a mãe tanto tinha gostado!
Assim começámos o nosso primeiro dia TOTALMENTE à turista! Subimos a Karl Johans até ao Palácio, onde passámos por tudo e mais alguma coisa : o parlamento (Stortinget), o National Theatre, a Universidade de Oslo (a antiga, claro está), o "Sara's Telt", o jardim que vira pista de gelo no Inverno (onde a mãe quase molhou o pezinho!), o que a mãe pensou ser o Speaker's Cornor cá do sítio, muitas pessoas, fontes, estátuas e coisas giras! É de frisar que chovia durante todos este percurso, o que nos fez chegar ao palácio feitas um pintinho! Molhadas e esfomeadas que estávamos, e uma vez que não havia muito mais a fazer ali, voltámos a descer (sim, a PÉ e à CHUVA!), à procura de um budget restaurant para almoçarmos! Peppe's Pizza foi o eleito, mas o atendimento do dito deixou um bocadinho a desejar! TOTALMENTE encharcadas (sim, porque o meu impermeável era tudo, menos impermeável, e a mãe tinha umas calças que tocavam ligeiramente no chão!) lá nos sentámos, tentando adivinhas o que estaria escrito naquela ementa norueguesa, de dicionário em riste, claro está! A senhora lá nos trouxe a ementa inglesa e pedimos uma pizza para as duas, pão de alho e um balde de sumo para cada!
Depois do almoço e de uma tentativa inútil de nos secarmos, decidimos aventurar-nos até ao forte! Ora... pela primeira vez desde que chegámos, li mal o mapa e apanhámos um autocarro que nos deixou na ponta oposta à entrada do Forte! Já referi que não parava de chover, não já?! Pois, chovia a potes e eu tinha chichi! Mas lá caminhámos à beira do rio, mar, fjorde ou o que lhe queiram chamar, em busca da entrada no dito forte. Andámos, andámos, andámos e continuámos a andar... quando finalmente a encontrámos, o desespero e a chuva já eram tantos que não entrámos em lado nenhum e continuámos! Neste momento eu tentava encontrar a paragem do 54 no mapa (que eles diziam ser já ali), enquanto a mãe tirava as fotografias que conseguia. Mais uma jornada molhada em busca da paragem perdida, a andar de um lado para o outro sem encontrar nada! Encharcada e cansada, decidimos apanhar o eléctrico que nos levou para a Oslo S e daí algum autocarro para casa.
A pingar o céu inteiro de Oslo, lá chegámos à residência. Totalmente enregeladas e encharcadas, a precisar de algo quentinho e seco, o aquecimento central não funcionava porque "é Verão". Rendemo-nos ao aquecimento da WC, onde pendurámos a roupa toda e pousámos os sapatos cheios de jornais para secar. Só não nos pendurámos a nós porque a casa de banho é pequena e já não havia espaço!
Cansadas, molhadas e geladas, saímos mais tarde para ir comprar chá e pão e voltámos para o quentinho do lar! Era suposto irmos ao IKEA, mas o desconforto da chuva e a preguiça, obrigaram-nos a ficar em casa!
Cházinho antes de dormir, e esperar que a chuva se cansasse de cair, para podermos passear no dia seguinte!
14 . Agosto . 2009
Acordando para um dia cheio de Sol e cheia de boas energias! O colchão era fantástico, dormi que nem uma rainha... talvez daí o bom humor!
Pequeno-Almoço de requinte e Bus 54, pela fresquinha! Aguardava-me uma reunião de "Boas Vindas" aos alunos de Erasmus, só restava saber qual a paragem de autocarro! Descoberta a Telthusbakken, mesmo em frente à paragem, a entrada da grande AHO! Magnífica de facto e um pouco intimidadora, uma vez que ali passarei os próximo meses da minha vida... sim, porque eu já sei o que é que a casa gasta e sendo aluna de arquitectura, o conforto da faculdade é quase mais importante que o da própria cama!
Enquanto fui recebida pelo coordenador de Erasmus, Erling Rognes, a bibliotecária, o carpinteiro das oficinas (bem mais novo e interessante que o Sr. Francisco da FAL) e o técnico da informática ou que o valha, a mummy foi passear pelas redondezas, enchendo a máquina de novas fotografias e os pulmões de ar puro! O meu primeiro contacto foi com o Benedikt, um alemão muito simpático e agradável que partilhou comigo a sua frustração frente à SiO! Visitámos a biblioteca (BRUTALÍSSIMA) e tirámos fotografias para o cartão da faculdade (tenebrosa once and again) e foi-nos oferecido um "Coffee and Chocolate" , the know who! Por essa altura já a mãe tinha chegado, roubei um café, conheci mais uns Erasmus e fui almoçar! Uns belos Horns, uma coca-cola e a bolacha mais maravilhosa do mundo, por uma quantia bem mais agradável que noutros recantos da cidade.
Almoço tratado, havia outros importantes assuntos a resolver: pagar a semester fee de 170 e poucos NOK (é de referir que, por semestre, um aluno normal paga SÓ e APENAS um quantia à volta dos 700 NOKS, que comparando os níveis de vida entre Noruega e Portugal, não vale a pena comentar a facilidade de estudos aqui); tratar do passe de estudante; e rezar para que o Ruben chegasse, finalmente, a Oslo!
Nada difícil concretizar os afazeres do dia, uma vez que tava um Sol magnífico e o bom humor pairava sobre nós! Sentámo-nos nas escadas da Oslo S a comer uma maçã e a apreciar os Índios que se infiltraram em terrar norueguesas, de penas e instrumentos em acção, a tocar e a dançar como os seus benditos antepassados! Alguém lhes devia dizer que o mês de Agosto é no Algarve... Lá é que estão os ricos e parolos que compram os seus belos CD's (sem ofensas!)
Visto estarmos à espera que o Ruben chegasse, não havia muito mais a fazer ao nosso dia senão passear. Assim que começamos a andar, o telefone toca! Lá nos encontrámos com ele (eu lembrava-me dele, vagamente, da faculdade) e fomos com ele a casa buscar as tralhas que a Sara lá tinha deixado para mim. Mais uma vez, uma imagem a não perder! A figurinha de metro e meio a andar pela rua com um saco cheio de loiça de um lado, outro saco com as pernas da mesa do outro, um malão típico por cima, sendo seguida por uma alminha com um alguidar na mão e uma espécie de esfregona na outra! Sobe rua, desce rua, apanha autocarro, faz figuras pela cidade e Home Sweet Home! Graças a Deus a mãe lembrou-se de imortalizar o momento... sempre a mãe! Apenas mais uma viagem, eu com sacos, o Ruben com o tampo da mesa e o candeeiro de pé, a mãe com a cadeira atrás, rua acima, rua abaixo, autobus e HSH! Montagens, lavagens, arrumações e uma casa (quase) completa!
Com pratos e talheres (mas ainda sem tacho!), cozinhámos a nossa primeira verdadeira refeição na residência, comemos em pratos de porcelana, com talheres de metal e bebemos por copos de vidro... tudo uma novidade para nós!
Roupa pendurada, mobília arrumada, Sara instalada! Um pequeno dia para Oslo, um ano pela frente de Sara! Assim se fez o primeiro dia realmente feliz desta cidade!
Pequeno-Almoço de requinte e Bus 54, pela fresquinha! Aguardava-me uma reunião de "Boas Vindas" aos alunos de Erasmus, só restava saber qual a paragem de autocarro! Descoberta a Telthusbakken, mesmo em frente à paragem, a entrada da grande AHO! Magnífica de facto e um pouco intimidadora, uma vez que ali passarei os próximo meses da minha vida... sim, porque eu já sei o que é que a casa gasta e sendo aluna de arquitectura, o conforto da faculdade é quase mais importante que o da própria cama!
Enquanto fui recebida pelo coordenador de Erasmus, Erling Rognes, a bibliotecária, o carpinteiro das oficinas (bem mais novo e interessante que o Sr. Francisco da FAL) e o técnico da informática ou que o valha, a mummy foi passear pelas redondezas, enchendo a máquina de novas fotografias e os pulmões de ar puro! O meu primeiro contacto foi com o Benedikt, um alemão muito simpático e agradável que partilhou comigo a sua frustração frente à SiO! Visitámos a biblioteca (BRUTALÍSSIMA) e tirámos fotografias para o cartão da faculdade (tenebrosa once and again) e foi-nos oferecido um "Coffee and Chocolate" , the know who! Por essa altura já a mãe tinha chegado, roubei um café, conheci mais uns Erasmus e fui almoçar! Uns belos Horns, uma coca-cola e a bolacha mais maravilhosa do mundo, por uma quantia bem mais agradável que noutros recantos da cidade.
Almoço tratado, havia outros importantes assuntos a resolver: pagar a semester fee de 170 e poucos NOK (é de referir que, por semestre, um aluno normal paga SÓ e APENAS um quantia à volta dos 700 NOKS, que comparando os níveis de vida entre Noruega e Portugal, não vale a pena comentar a facilidade de estudos aqui); tratar do passe de estudante; e rezar para que o Ruben chegasse, finalmente, a Oslo!
Nada difícil concretizar os afazeres do dia, uma vez que tava um Sol magnífico e o bom humor pairava sobre nós! Sentámo-nos nas escadas da Oslo S a comer uma maçã e a apreciar os Índios que se infiltraram em terrar norueguesas, de penas e instrumentos em acção, a tocar e a dançar como os seus benditos antepassados! Alguém lhes devia dizer que o mês de Agosto é no Algarve... Lá é que estão os ricos e parolos que compram os seus belos CD's (sem ofensas!)
Visto estarmos à espera que o Ruben chegasse, não havia muito mais a fazer ao nosso dia senão passear. Assim que começamos a andar, o telefone toca! Lá nos encontrámos com ele (eu lembrava-me dele, vagamente, da faculdade) e fomos com ele a casa buscar as tralhas que a Sara lá tinha deixado para mim. Mais uma vez, uma imagem a não perder! A figurinha de metro e meio a andar pela rua com um saco cheio de loiça de um lado, outro saco com as pernas da mesa do outro, um malão típico por cima, sendo seguida por uma alminha com um alguidar na mão e uma espécie de esfregona na outra! Sobe rua, desce rua, apanha autocarro, faz figuras pela cidade e Home Sweet Home! Graças a Deus a mãe lembrou-se de imortalizar o momento... sempre a mãe! Apenas mais uma viagem, eu com sacos, o Ruben com o tampo da mesa e o candeeiro de pé, a mãe com a cadeira atrás, rua acima, rua abaixo, autobus e HSH! Montagens, lavagens, arrumações e uma casa (quase) completa!
Com pratos e talheres (mas ainda sem tacho!), cozinhámos a nossa primeira verdadeira refeição na residência, comemos em pratos de porcelana, com talheres de metal e bebemos por copos de vidro... tudo uma novidade para nós!
Roupa pendurada, mobília arrumada, Sara instalada! Um pequeno dia para Oslo, um ano pela frente de Sara! Assim se fez o primeiro dia realmente feliz desta cidade!
13 . Agosto . 2009
Antes de começar o relato do dia, é de referir que, ao chegar ao apartamento, foi de notar que o lavatório estava sem cano, meaning : toda a água que saía da torneira, passava do ralo directamente para o chão! Como mãe há só uma e pensa sempre por mil, colocou um baldinho (roubado à sucapa da área comum) debaixo do suposto cano. Dá para o efeito, mas é bastante desconfortável uma vez que ao cair no balde, a água salpicava para o chão!
Portanto... a Sara acorda, veste-se e dirige-se aos assistentes, onde um dos handyman se apressa logo a vir comigo (fun fact : teve que esperar à porta que a mãe vestisse o roupão porque a senhora ainda se estava a aprontar). Lá arranjou o dito, substitui a lâmpada que estava fundida, desentupiu o ralo do chuveiro e trocou os cortinados de banho por uns novos! Mal ele saiu, veio a senhora responsável pela residência entregar-me o colchão pedido na noite anterior! Simpáticos, acessíveis e eficientes... Fiquei logo de bom humor!
Ordem do dia : descobrir onde tratar da papelada para me tornar "cidadã"! Diz que vir estudar para fora da União Europeia é muito giro, mas não é nada prático : moeda diferente, o que implica uma instalação de convertor automático no cérebro Euro vs. Coroa, Coroa vs. Euro ; nacionalidade diferente, o que implica uma corrida pelos serviços de emigração que me fazem lembrar os emigrantes ilegais e, geralmente, mal cheirosos! Enfim, é uma festa só!
Lá fomos à Embaixada Portuguesa para tirar dúvidas (diz que é uma boa solução) e acabei por fazer a minha inscrição consular, que em nada contribui para o meu dia, mas tudo de bom! A senhora era muito simpática mas não percebe nada do país onde está a viver... mas vá, ao menos sabia onde era a UDI (o SEF cá do sítio) e nisso foi prestável!
Partimos para a UDI, onde me confrontei com milhares de monhecas, pretocas e raças que tal. Achei que estes países estivessem livres disso, mas parece que não! Bom, consegui a senha 413 e visto que ainda ia no número 180 e pouco achámos por bem ir dar uma volta! Fomos comer um Kebab em forma de Wrapp, mas TÃO picantes que comi metade e deitava labaredas da boca! Qual dragão qual quê! Experimentem estes Kebabs e vão ver! Mas a melhor foi antes de almoço... entrámos numa livraria naquela do "Vamos lá ver o que há por aqui" e mesmo à frente do meu nariz, nada mais nada menos que um littlebook, impregnado de galos de barcelos e a dizer "Portugisisk lommeordbok"! Fiquei atónita! Percorri meia Lisboa à procura de um dicionário Português-Noruguês e a única coisa que me souberam dizer foi "Nunca vi tal coisa!", e ao que parece aqui, o Português é uma língua que se preze! Após esta compra, a nossa vida em Oslo não só melhorou a olhos vistos (assim como as visitas aos supermercados que se tornaram bem mais prolongadas), como se tornou bem mais divertida, a tentar traduzir tudo o que viamos e achavamos curioso!
Após a compra maravilha e o Kebab de Fogo, voltámos à UDI, onde uma simpática senhora me disse para voltar dia 22 que abriam especialmente para estudantes!
Com isto, a Sara nada de me responder! Mas já havia meio de dormirmos as duas confortáveis... menos mau! Mesmo assim, tratei de pôr a manusca e o pai a tratar do assunto para tentar acelarar o processo! Chegámos ao apartamento de detergentes, esponjas e energia em riste... Vai de lavar a WC de cima a baixo! Desinfectar todos os cantinhos, esfregar todas as superficies, pendurar a cortina e ver uma pequena e simples casa de banho... BRILHAR!
Dormi num colchão maravilhoso, para acordar às 5 da manha do dia seguinte com o Sol a entrar pelo quarto! Voltei a dormir, e esperei que a 6ª feira chegasse!
Portanto... a Sara acorda, veste-se e dirige-se aos assistentes, onde um dos handyman se apressa logo a vir comigo (fun fact : teve que esperar à porta que a mãe vestisse o roupão porque a senhora ainda se estava a aprontar). Lá arranjou o dito, substitui a lâmpada que estava fundida, desentupiu o ralo do chuveiro e trocou os cortinados de banho por uns novos! Mal ele saiu, veio a senhora responsável pela residência entregar-me o colchão pedido na noite anterior! Simpáticos, acessíveis e eficientes... Fiquei logo de bom humor!
Ordem do dia : descobrir onde tratar da papelada para me tornar "cidadã"! Diz que vir estudar para fora da União Europeia é muito giro, mas não é nada prático : moeda diferente, o que implica uma instalação de convertor automático no cérebro Euro vs. Coroa, Coroa vs. Euro ; nacionalidade diferente, o que implica uma corrida pelos serviços de emigração que me fazem lembrar os emigrantes ilegais e, geralmente, mal cheirosos! Enfim, é uma festa só!
Lá fomos à Embaixada Portuguesa para tirar dúvidas (diz que é uma boa solução) e acabei por fazer a minha inscrição consular, que em nada contribui para o meu dia, mas tudo de bom! A senhora era muito simpática mas não percebe nada do país onde está a viver... mas vá, ao menos sabia onde era a UDI (o SEF cá do sítio) e nisso foi prestável!
Partimos para a UDI, onde me confrontei com milhares de monhecas, pretocas e raças que tal. Achei que estes países estivessem livres disso, mas parece que não! Bom, consegui a senha 413 e visto que ainda ia no número 180 e pouco achámos por bem ir dar uma volta! Fomos comer um Kebab em forma de Wrapp, mas TÃO picantes que comi metade e deitava labaredas da boca! Qual dragão qual quê! Experimentem estes Kebabs e vão ver! Mas a melhor foi antes de almoço... entrámos numa livraria naquela do "Vamos lá ver o que há por aqui" e mesmo à frente do meu nariz, nada mais nada menos que um littlebook, impregnado de galos de barcelos e a dizer "Portugisisk lommeordbok"! Fiquei atónita! Percorri meia Lisboa à procura de um dicionário Português-Noruguês e a única coisa que me souberam dizer foi "Nunca vi tal coisa!", e ao que parece aqui, o Português é uma língua que se preze! Após esta compra, a nossa vida em Oslo não só melhorou a olhos vistos (assim como as visitas aos supermercados que se tornaram bem mais prolongadas), como se tornou bem mais divertida, a tentar traduzir tudo o que viamos e achavamos curioso!
Após a compra maravilha e o Kebab de Fogo, voltámos à UDI, onde uma simpática senhora me disse para voltar dia 22 que abriam especialmente para estudantes!
Com isto, a Sara nada de me responder! Mas já havia meio de dormirmos as duas confortáveis... menos mau! Mesmo assim, tratei de pôr a manusca e o pai a tratar do assunto para tentar acelarar o processo! Chegámos ao apartamento de detergentes, esponjas e energia em riste... Vai de lavar a WC de cima a baixo! Desinfectar todos os cantinhos, esfregar todas as superficies, pendurar a cortina e ver uma pequena e simples casa de banho... BRILHAR!
Dormi num colchão maravilhoso, para acordar às 5 da manha do dia seguinte com o Sol a entrar pelo quarto! Voltei a dormir, e esperei que a 6ª feira chegasse!
12 . Agosto . 2009
Se acham que após a arrebatadora chegada a Oslo, a semana que nos esperava foi uma alegria completa com direito a saltinhos em campos de flores e borboletas... enganam-se!
Ora, dia 12 de Agosto... Acordámos cedinho para tomar o dito pequeno-almoço incluído no absurdo preço de uma noite naquele hotel, muito rico, muito saboroso, muito tudo! Após o mesmo, saímos para comprar os passes de transportes e encontrar o posto de turismo para roubar um mapa! Um fantástico e frescote dia de Sol brindou-nos os primeiros passos pela cidade, querendo transparecer um dia calmo, sem grandes alaridos ou afins... Diz que é assim o Sol de Oslo, mentiroso! Uma breve passeata pela Karl Johans, uma maçã a correr rua abaixo numa pressa absurda de chegar a lado nenhum, uma pantera espantosamente serena em frente à Oslo S, um breve olhar sobre a Ópera, um viking que ficou amigo da mãe e... de volta ao hotel!
Após um intensivo estudo às linhas de metro e mapas da cidade, lá partimos para a pesada e cansativa aventura Osliana (ou como lhe queiram chamar). Lá nos metemos no metro (Linha 3 em direcção a Sognsvann), eu de mochila às costas e a mãe de mala na mão, em busca da chave da minha suposta residência em Kringsja. É de referir que esta dita é longe como tudo do centro da cidade, pior que Amadoras ou coisas que o valham! Chegadas à residência, nada nela sorria para mim... uns prédios horrorosos de aspecto cinzento, que se reflectiam no Sol que até se escondeu! Já no SiO, que é a associação que coordena a vida estudantil cá do sítio, apanhámos o susto do dia. Do dia, da semana, do mês...
Ora, vamos situar-nos : Noruega, país nórdico - Oslo, capital, cidade mais cara do mundo... tudo isto seria de igualar a "país desenvolvido", que por sua vez implica "organização", a partir da qual se espera tudo menos um Portugal dos pequeninos aqui enfiado! É que ser presenteada com um "We're really sorry, but we're having some little problems and...Well, we don't have a room for you!"... What the f***?! Expondo a situação de forma clara: candidato-me a um quarto em Bjolsen, que eles me dizem que não têm de forma nenhuma. Insisto e insisto e eles dizem "ou Kringsja ou nada". Eu pago o quarto em Julho e recebo a confirmação da reserva. Um mês depois chego à cidade e afinal o quarto que me foi impingido, NÃO EXISTE! Devem ter ido aprender com os portugueses a vender mais do que têm! Tudo isto que se passou na minha cabeça, transpareceu para a minha cara num misto de pânico e raiva, ao que a senhora decidiu responder com a solução disponível : dividir um quarto com uma rapariga numa residência qualquer de fim de mundo "apenas temporariamente". Só desejava abrir-lhe a cabeça ao meio e ver se o que havia lá dentro era cérebro ou ar, porque ao que me pareceu eram todos um pouco limitados naquele gabinete. Bem... Mas alguém um dia disse "O que a Sara Preto quer, a Sara Preto tem." e parece ser bem verdade...
Já estava eu praticamente disposta a aceitar aquela porcaria daquela solução pois, aparentemente, era a única existente, quando a minha mãe se lembrou de uma questão muito simples: "onde é que ELA ia dormir?!" Ao colocar esta questão à senhora, a cara dela ficou de todos os formatos e mais algum, sem saber o que fazer ou dizer. E de repente fez-se luz na cabecinha dela... juntou um A e um B e tcharan! "Well... we have some unfurnished rooms inBjolsen, if you want we can change de contract..." finalmente, uma coisa inteligente saída da boca daquela senhora! Os meus olhos brilharam, passarinhos cantaram aos meus ouvidos e pronto... o Sol apareceu de novo. O único senão é que tinha que ir a um outro departamento (lol! SIM! Só para não ter saudades do meu país!) buscar a chave do apartamento, mas tudo de bom!
Passado o "desentendimento" de final feliz, esperava-nos uma longa jornada até Blindern, que ficava na outra ponta da cidade (quase...vá). Neste preciso momento cai um anjo do céu, em forma de "Senior Student", que teve a oportunidade de assistir a todo o filme em primeira fila e (provavelmente com dó de nós) nos ofereceu uma boleia de carro até Blindern. Claro que a viagem foi a falar mal do SiO, pois ao que parece, isto acontece todos os anos... como ele disse "É incrível como um jovem de 18 anos a trabalhar na recepção de um hotel consegue fazer o checkin e check out de 200 pessoas por dia, e os funcionários do SiO, ao terem que colocar 20 estudantes numa residência num mesmo dia, baralham o sistema todo!" Sim, é de referir que isto não me aconteceu só a mim... vários dos Erasmus da minha faculdade ficaram na mesma situação e das vezes que voltei ao SiO, vi vários estudantes (todos estrangeiros) a queixarem-se de ainda estarem à espera de quarto! E depois nós dizemos "Ah! Isto só em Portugal!", mas não... alegrem-se porque também acontece na Noruega!
Depois de algum tempo de espera em Blindern, lá recebi a minha chave e o cartão da Lavandaria e lá fomos a caminho de Bjolsen para um primeiro "Olá" à minha nova casinha! Vazia... um roupeiro, uma casa de banho, uma janela enorme e... muito chão, muitas paredes, tudo vazio! Bem, pelo menos um tecto (e um CHÃO) já tínhamos para dormir! E ao que parece... seria a única coisa que teríamos! Mil tentativas de contacto com a Sara (a rapariga que cá este o ano anterior e me tinha vendido a mobília) mas nenhuma bem sucedida. E eu sem contactos do Ruben e da Natacha, sem mobília e com muito chão! Voltámos ao Hotel para ir buscar os dois malões que lá tinham ficado guardados e voltámos para a residência, pesadas a passear pelo metro e pelos autocarros da cidade!
Uma vez que a Sara não me respondia, decidi recorrer ao plano B : pedir um colchão emprestado aos assistentes da residência para que a minha mãe tivesse onde dormir! Acontece que já eram umas 5 da tarde... e os assistentes saem às 3... e o segurança jeitoso que lá estava não podia fazer nada mais que deixar uma nota com o pedido... conclusão : íamos dormir, AS DUAS, no CHÃO! Após partilhar a boa nova com a mãe (e recorrer ao colinho dela!), a resposta dela foi "Vá...vamos às compras! O resto resolve-se, logo se vê!" e fomos às compras!
A nossa figurinha no supermercado : não percebemos um CÚ de Norueguês, eu só rezava para que me caísse um colchão do céu, as coisas no supermercado caríssimas e nós à procura, não só de alimentos básicos, mas de pratos e copos e essas coisas! Experiência sudoeste : tapperwares como prato, talheres de plástico (roubados da zona de "pronto a comer" do supermercado) e copos de plástico! Umas coisinhas daqui, outras dali, umas coxinhas de frango e vamos jantar!
Mais uma vez (e peço desculpa de me estar a repetir) "O que a Sara quer, a Sara tem!"... Estávamos nós a depenicar as nossas coxinhas de frango com umas batatinhas fritas, num tapperwar mal amanhado, quando eu olho em frente numa análise territorial tipicamente humana e... ali mesmo... ao lado do 407, atrás da televisão e iluminada por uma luz vinda não sei bem de onde... UMA CAMA DESDOBRÁVEL! Literalmente, caída do céu! Fui bater à porta do único rapazinho que tinha conhecido na casa e perguntei-lhe se podia usar o colchão, ao que eles respondeu "Yeah, no problem!". Saltinhos, pulinhos, gritinhos silenciosos! A minha mãe já tinha onde dormir! Mais tarde o rapaz passou pelo quarto e disse que o colchão devia ser de uma rapariga que tinha mudado de residência e que podia ficar com a cama na boa... bichos do mato, mas simpáticos!
E pronto, muito mais felizes e aliviadas, fomos dormir e rezar para que a Sara me respondesse no dia seguinte... Caso contrário, atiçaria a minha irmã contra ela! Ahah!
Ora, dia 12 de Agosto... Acordámos cedinho para tomar o dito pequeno-almoço incluído no absurdo preço de uma noite naquele hotel, muito rico, muito saboroso, muito tudo! Após o mesmo, saímos para comprar os passes de transportes e encontrar o posto de turismo para roubar um mapa! Um fantástico e frescote dia de Sol brindou-nos os primeiros passos pela cidade, querendo transparecer um dia calmo, sem grandes alaridos ou afins... Diz que é assim o Sol de Oslo, mentiroso! Uma breve passeata pela Karl Johans, uma maçã a correr rua abaixo numa pressa absurda de chegar a lado nenhum, uma pantera espantosamente serena em frente à Oslo S, um breve olhar sobre a Ópera, um viking que ficou amigo da mãe e... de volta ao hotel!
Após um intensivo estudo às linhas de metro e mapas da cidade, lá partimos para a pesada e cansativa aventura Osliana (ou como lhe queiram chamar). Lá nos metemos no metro (Linha 3 em direcção a Sognsvann), eu de mochila às costas e a mãe de mala na mão, em busca da chave da minha suposta residência em Kringsja. É de referir que esta dita é longe como tudo do centro da cidade, pior que Amadoras ou coisas que o valham! Chegadas à residência, nada nela sorria para mim... uns prédios horrorosos de aspecto cinzento, que se reflectiam no Sol que até se escondeu! Já no SiO, que é a associação que coordena a vida estudantil cá do sítio, apanhámos o susto do dia. Do dia, da semana, do mês...
Ora, vamos situar-nos : Noruega, país nórdico - Oslo, capital, cidade mais cara do mundo... tudo isto seria de igualar a "país desenvolvido", que por sua vez implica "organização", a partir da qual se espera tudo menos um Portugal dos pequeninos aqui enfiado! É que ser presenteada com um "We're really sorry, but we're having some little problems and...Well, we don't have a room for you!"... What the f***?! Expondo a situação de forma clara: candidato-me a um quarto em Bjolsen, que eles me dizem que não têm de forma nenhuma. Insisto e insisto e eles dizem "ou Kringsja ou nada". Eu pago o quarto em Julho e recebo a confirmação da reserva. Um mês depois chego à cidade e afinal o quarto que me foi impingido, NÃO EXISTE! Devem ter ido aprender com os portugueses a vender mais do que têm! Tudo isto que se passou na minha cabeça, transpareceu para a minha cara num misto de pânico e raiva, ao que a senhora decidiu responder com a solução disponível : dividir um quarto com uma rapariga numa residência qualquer de fim de mundo "apenas temporariamente". Só desejava abrir-lhe a cabeça ao meio e ver se o que havia lá dentro era cérebro ou ar, porque ao que me pareceu eram todos um pouco limitados naquele gabinete. Bem... Mas alguém um dia disse "O que a Sara Preto quer, a Sara Preto tem." e parece ser bem verdade...
Já estava eu praticamente disposta a aceitar aquela porcaria daquela solução pois, aparentemente, era a única existente, quando a minha mãe se lembrou de uma questão muito simples: "onde é que ELA ia dormir?!" Ao colocar esta questão à senhora, a cara dela ficou de todos os formatos e mais algum, sem saber o que fazer ou dizer. E de repente fez-se luz na cabecinha dela... juntou um A e um B e tcharan! "Well... we have some unfurnished rooms inBjolsen, if you want we can change de contract..." finalmente, uma coisa inteligente saída da boca daquela senhora! Os meus olhos brilharam, passarinhos cantaram aos meus ouvidos e pronto... o Sol apareceu de novo. O único senão é que tinha que ir a um outro departamento (lol! SIM! Só para não ter saudades do meu país!) buscar a chave do apartamento, mas tudo de bom!
Passado o "desentendimento" de final feliz, esperava-nos uma longa jornada até Blindern, que ficava na outra ponta da cidade (quase...vá). Neste preciso momento cai um anjo do céu, em forma de "Senior Student", que teve a oportunidade de assistir a todo o filme em primeira fila e (provavelmente com dó de nós) nos ofereceu uma boleia de carro até Blindern. Claro que a viagem foi a falar mal do SiO, pois ao que parece, isto acontece todos os anos... como ele disse "É incrível como um jovem de 18 anos a trabalhar na recepção de um hotel consegue fazer o checkin e check out de 200 pessoas por dia, e os funcionários do SiO, ao terem que colocar 20 estudantes numa residência num mesmo dia, baralham o sistema todo!" Sim, é de referir que isto não me aconteceu só a mim... vários dos Erasmus da minha faculdade ficaram na mesma situação e das vezes que voltei ao SiO, vi vários estudantes (todos estrangeiros) a queixarem-se de ainda estarem à espera de quarto! E depois nós dizemos "Ah! Isto só em Portugal!", mas não... alegrem-se porque também acontece na Noruega!
Depois de algum tempo de espera em Blindern, lá recebi a minha chave e o cartão da Lavandaria e lá fomos a caminho de Bjolsen para um primeiro "Olá" à minha nova casinha! Vazia... um roupeiro, uma casa de banho, uma janela enorme e... muito chão, muitas paredes, tudo vazio! Bem, pelo menos um tecto (e um CHÃO) já tínhamos para dormir! E ao que parece... seria a única coisa que teríamos! Mil tentativas de contacto com a Sara (a rapariga que cá este o ano anterior e me tinha vendido a mobília) mas nenhuma bem sucedida. E eu sem contactos do Ruben e da Natacha, sem mobília e com muito chão! Voltámos ao Hotel para ir buscar os dois malões que lá tinham ficado guardados e voltámos para a residência, pesadas a passear pelo metro e pelos autocarros da cidade!
Uma vez que a Sara não me respondia, decidi recorrer ao plano B : pedir um colchão emprestado aos assistentes da residência para que a minha mãe tivesse onde dormir! Acontece que já eram umas 5 da tarde... e os assistentes saem às 3... e o segurança jeitoso que lá estava não podia fazer nada mais que deixar uma nota com o pedido... conclusão : íamos dormir, AS DUAS, no CHÃO! Após partilhar a boa nova com a mãe (e recorrer ao colinho dela!), a resposta dela foi "Vá...vamos às compras! O resto resolve-se, logo se vê!" e fomos às compras!
A nossa figurinha no supermercado : não percebemos um CÚ de Norueguês, eu só rezava para que me caísse um colchão do céu, as coisas no supermercado caríssimas e nós à procura, não só de alimentos básicos, mas de pratos e copos e essas coisas! Experiência sudoeste : tapperwares como prato, talheres de plástico (roubados da zona de "pronto a comer" do supermercado) e copos de plástico! Umas coisinhas daqui, outras dali, umas coxinhas de frango e vamos jantar!
Mais uma vez (e peço desculpa de me estar a repetir) "O que a Sara quer, a Sara tem!"... Estávamos nós a depenicar as nossas coxinhas de frango com umas batatinhas fritas, num tapperwar mal amanhado, quando eu olho em frente numa análise territorial tipicamente humana e... ali mesmo... ao lado do 407, atrás da televisão e iluminada por uma luz vinda não sei bem de onde... UMA CAMA DESDOBRÁVEL! Literalmente, caída do céu! Fui bater à porta do único rapazinho que tinha conhecido na casa e perguntei-lhe se podia usar o colchão, ao que eles respondeu "Yeah, no problem!". Saltinhos, pulinhos, gritinhos silenciosos! A minha mãe já tinha onde dormir! Mais tarde o rapaz passou pelo quarto e disse que o colchão devia ser de uma rapariga que tinha mudado de residência e que podia ficar com a cama na boa... bichos do mato, mas simpáticos!
E pronto, muito mais felizes e aliviadas, fomos dormir e rezar para que a Sara me respondesse no dia seguinte... Caso contrário, atiçaria a minha irmã contra ela! Ahah!
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