quinta-feira, 3 de setembro de 2009

16 . Agosto . 2009

16 de Agosto. Domingo. Penúltimo dia da mãe comigo. 2º dia à turista.
Ao que parece a chuva cansou-se, finalmente, de cair e para nos dar as boas novas, o Sol decidiu acordar-nos às 5 da manhã. Disse-lhe "Olá, muito gosto o meu nome é Sara e acho bem que por aí fiques!" e voltei a adormecer. Mas não por muito mais tempo! O dia, no entanto, estava gelado (vamos com calma, não se pode ter tudo não é?!), mas nem por isso incomodativo
!
É necessário que tenham em conta que o Domingo, nesta cidade, é MAIS que sagrado. Em Portugal vai-se à missa (alguns...outros dormem!), almoça-se no chinês, faz-se as lides domésticas ou simplesmente parra-se numa qualquer esplanada. Aqui não... aqui não se faz NADA! Ou, pelo contrário, faz-se muita coisa mas nada que solicite a interacção
social. Passo a explicar : o Ruben já me tinha dito que tudo fechava ao Domingo, mas quando saí à rua, não pensei que se sentisse de facto o "tudo fechado". Parecia-mos perto do fim do mundo em cuecas, onde todos abandonam os seus postos (mas em vez de gente louca a correr freneticamente para todos os lados, não se vê vivalma na rua) : supermercados, lojas de rua, restaurantes, cafés, centros comerciais... até o IKEA, imagine-se só!! Claro que há uma ou outra excepção... mas rara! Os autocarros em vez de 5 minutos, levam mais de 20 a chegar e apesar de não haver trânsito, parece que tudo se torna mais lento. Julgo ter ouvido o ar a um certo momento! Ok, se calhar estou a exagerar, mas quero que compreendam bem que não era um vazio igual ao de Lisboa... era um VAZIO!
Solução minha gente?! Ir para onde todo o santo turista vai (que tem museus abertos!) : Bygdoy, uma espécie de ilha (mais apêndice que ilha) onde há museus e praias e casas e coisas giras!
Bus 54 directo a Akker Brygge, a marina cá do sítio... ou as docas vá, mas sem as pessoas feias! (ou eu pelo menos não as vi!) Uma zona engraçada, mais moderna, mais fancy, com estátuas de gajas nuas e fontes engraçadas e o Centro Nobel da Paz e um centro comercial qualquer (fechado!)... muitas coisas, pelas quais passámos naquele passo domingueiro mas desinteressado! Primeiros sinais de civilização, um ou outro café aberto com um ou outro TURISTA lá dentro. A mãe com chichi e eu com sono, entrámos num café e eu fiz o "sacrifício" de beber um Caffe Latte para acordar, enquanto escondia a mãe que entrava sorrateiramente na casa de banho! Seguimos para o Ferryboat, que não se paga mais tendo o passe, o que torna fantástico possuir um passe nesta cidade porque serve para todos os transportes! Quer dizer... para todos não, que eles ainda não aprenderam a fazer o mesmo com o NightBus! Vai-se lá saber porquê, mas devem achar que as pessoas que andam na noite não têm os mesmos direitos, então vai de cobrar 50 NOK (que equivale a uns CINCO EUROS) para poder andar de autocarro à noite... isso ou dormir na rua! Ahah!
Bem, mas voltando ao que interessa, íamos no Ferry... viagem normaaaaaal, enjoativa (porque é um barco), vimos o barco do Rei pelo caminho (yupi yey) e 10/15 minutos depois estávamos em Bygdoy, de guia em riste e prontas a passear! Um "viva" ao turismo e à "não chuva"! Encaminhá-mo-nos para o Norsk Folkemuseum, um museu ao ar livre com casinhas antigas e pessoas vestidas à época e tudo... muito engraçado! Estávamos nós a engasgar-nos com os preços do bilhetes (salvo erro eram 95 NOK cada) quando um outro anjo, em forma de moço, nos cai do céu a querer vender-nos dois passes que tinha para visitar museus. Diz que os pais o tinham comprado, mas como tiveram que bazar mais cedo tinha ficado com 2 passes inutilizados, válidos até às 3 da tarde do dia! Ora, visto estar a vender-nos os dois passes por 100 NOK, aceitámos de bom grado! O mais engraçado é que o rapaz ficou ao nosso lado na fila, para ter a certeza que aceitavam o passe sem qualquer problema! Um verdadeiro gentleman, o que fez dele forte candidato a "não Norueguês".
Encantadas com a sorte grande, e de mapa do museu na mão, lá começámos a nossa culturização (existe?! foi uma coisa dessas) : Folk Dress, Norwegian Church Art e o Open Air Museum (o tal das casas e das pessoas!). Passámos numa casinha onde nos ofereceram uma bebida de maçã e canela (mesmo boa por acaso), num consultório de Dentista (com a "história" da evolução dos ditos), um banco, uma farmácia, uma grocery store, uma casa de artesãos, uma bakery (que vendia um pão tipo pitta, cozido a lenha, mesmo bom!), muitos animaizinhos, entre eles o cavalo mais triste que alguma vez vi na vida, pequenas aldeias (ou fragmentos delas) tipicamente Norueguesas, trazidas de várias zonas do país para este museu, uma Stave Church, muito mato, muita terra, muitas carroças e muitos turistas! Podia tentar descrever minuciosamente cada uma das casinhas que visitámos, mas foi para isso que inventaram a fotografia e, graças a deus, a dona Elsa (e diz que a filha também) é muito dada a estas coisas de "para mais tarde recordar" (oiça-se a entoação da musiqueta!).
Cerca de duas horas mais tarde e uns pés cansados, finalizámos a visita ao museu e partimos para o Vikingskipshuset. Não fazia parte do plano inicial, mas uma vez que tínhamos o passe e ainda faltava uma hora para perder a validade, valia MAIS do que a pena fazer o desvio! Um museu pequenino, com 3 barcos imponentes... Ok! O museu não era pequeno, os barcos é que eram grandes demais! Ocupavam 3 dos 4 braços da cruz que a planta do museu fazia, deixando apenas um (e o mais pequeno) para a exposição de artefactos vikings, encontrados nas escavações feitas por toda a costa da Noruega. Foi uma visita rápida, mas deu para tirar muitas fotografias e nos fazer sentir MUITO pequeninas.
Bygdoy check! Partimos para a segunda parte do plano do dia : VigelandsParken!
Podia contar-vos a história deste parque gigantesco, mas não a sei bem (está num mail que o Pi me mandou, portanto consultem a caixa de entrada =P). Prometo que quando souber pormenores, partilho!
Antes de começarmos a caminhada, e uma vez que eu estava ESFOMEADA e quase de mau humor, almoçamos antes no café da entrada, onde o senhor se esqueceu de cobrar as sandes e pagámos só os cafés e o muffin (Oh que pena!). É de partilhar, também, que nesta cidade todas as casas de banho públicas se pagam, mas em sítios destes repletos de turistas, há sempre uma portuguesa ou uma espanhola a segurar a porta para as outras entrarem! A mãe é que não teve a mesma sorte e teve que arrotar com 5 coroas para poder fazer um misero chichizinho!
Nota à parte, lá fomos ver as estátuas e passear pelo parque! Pessoalmente, esperava-as bem maiores e monumentais, mas tendo em conta que havia MIL à escala real (algumas maiores), diria que me posso calar e deleitar com o belo portfólio de vida desse tal Vigeland! Entre esculturas e mais esculturas, fontes, relva, árvores, pessoas mal educadas, crianças insuportáveis e enormes grupos de turistas, lá tirámos mais umas quantas fotografias de pose à turista e findámos o nosso objectivo.
Já a caminho de casa, decidimos passar em Gronland onde, dizem nos guias, existem muitas mercearias com muito boa fruta e vegetais diversificados. Onde, dizia a Sara Duarte, havia mil lojas de emigrantes com coisas baratas... devia ter-me ficado pela palavra "emigrante" e não "barata"! Tenho a dizer-vos que qualquer semelhança entre a Gronland e Martim Moniz... é PURA REALIDADE! Ou melhor... Brugata é o Martim Moniz e a Gronland é uma mistura fervorosa entre a parte má da Almirante Reis e a Morais Soares! Tirem metade dos pretos e ponham o triplo dos monhés e... já está! Não é por racismo, e não quero ferir susceptibilidades, mas aquela zona assusta! Assusta mesmo... sentia-me constantemente seguida por olhos que me diziam "o que fazes aqui, não fazes parte deste filme!", cheirava a caril que se fartava... Enfim, não voltarei lá tão cedo!
Fugidas da Gronland (a meu insistente pedido), voltámos para a residência para um merecido descanso! E durante o mesmo o telefone toca, com a voz do Ruben do outro lado a dizer "A Natacha chegou!". CAMAAAAAA! Almofadaaaaas! Lá fui eu ter com ele para seguirmos para casa dela! Super simpática, um ar amoroso, e mais uma portuguesa... que bem sabe ouvir português! Conversas para aqui, updates para ali e fomos buscar a cama (que o Ruben, como único homem presente, carregou escadas abaixo!). Lá vim eu pela cidade, mais uma vez, a empurrar uma cama com rodas e a fazer figuras ridículas no autocarro... Porquê?! Contexto : autocarro, Sara agarrada a uma cama, a mesma com RODAS. Autocarro não anda a direito, curva... e contra-curva... e as rodas da cama não tinham travões! Conclusão: cada vez que o autocarro virava, ou mesmo quando decidia arrancar ou, simplesmente, parar... a cama ia atrás do movimento e eu atrás dela! Foram os 15 minutos mais intensos da minha vida, só é pena a mãe não estar presente para imortalizar o momento (sim, porque eu não tinha mãos!!). E há mais!! Um solzinho fantástico o dia todo, mas assim que eu saio do autocarro começa a chover-me em cima! E eu a correr para a residência a empurrar uma cama com rodas... Só visto!
E pronto... cansada, mas com uma cama e feliz! Um bom penúltimo dia para a minha mãe, que ainda conseguiu fotografar o estado final do quarto onde me deixou!

4 comentários:

  1. A cena do autocarro com a cama faz-me lembrar os tipos do "Jackass" de patins em linha num camião TIR transformado em discoteca, com o condutor a abrir e a fazer peões. Quando abre a porta, estão todos amontoados no chão...

    Pedro Tiozoco (Pi)

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  2. Estou agarrada às tuas histórias como se não as conhecesse de gingeira. Contadas desta maneira adquirem ainda mais piada e parecem irreais, mas eu estava lá...Só não referiste uma realidade que não esperávamos encontrar - pedintes!...
    Estou super curiosa pelo que virá a seguir, as aventuras da Sarilha a SOLO em solo Viking.
    Mil beijos
    Mãe

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  3. Juventude..... Mékie? só hj conheci este "querido diário"... mas tu foste pa í estudar ou escrever "o diário de sarilha?" ainda n li td só os primeiros posts mas ja tou a adorar a novela.

    Como é que isso "ao nível" das visitas"? tás ai no reveillon?

    Conta me como é a tua vida pa ver se da pa combinar uma visita.

    Bjs grandes pa ti e pa famelga.
    Tatinha

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  4. parti-me a rir um fim do mundo em cuecas!

    beijinho p ti e por rubia :)

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