A começar a minha terceira semana em solo norueguês, seria de esperar que já estivesse meio ambientada ao ritmo da cidade e me soubesse orientar minimamente, mas parece que onde há Sara há Sarilho, conduzindo a mais uma perturbante aventura, desta feita pelos centros comerciais de Oslo!
Ora, após me armar em dona de casa, cheguei à conclusão que seria essencial à minha sobrevivência ter, em minha posse, um ferro de engomar! Podia sempre andar meio enxovalhada... o mais provável é que ninguém reparasse, ainda assim sou cocó de mais para me sentir confortável em roupa por passar! A questão era : não há Wortens aqui, onde se vendem tais peças?! Após esta breve introdução, se começam a achar que me lancei numa busca cega pelo dito... Acertaram! Eu ainda perguntei ao Ruben se havia alguma espécie de Worten por estes lados, mas a única informação retido foi "Oslo City... blá blá blá"! Como reconheci o nome e já lá tinha estado uma vez, achei que já conhecia o centro comercial como se fosse a minha casa, mas nem tudo o que parece é... e o que eu me esqueci é que não tenho uma relação lá muito saudável com esta espécie de espaço.
Chegada à porta do centro, entrei toda confiante e comecei a andar às voltas. Dei uma volta no primeiro piso de modo a ambientar-me à planta da coisa, e não me pareceu muito complicado. Subi umas escadas e entrei numa loja. Quando saí, estava num sítio totalmente diferente! Por momentos pensei que tivesse sido transportada para uma diferente dimensão, mas cedo me apercebi que isso não acontece na vida real e o que se tinha passado tinha sido bem mais simples! Todas as lojas (ou a maioria, vá) têm duas entradas, uma para cada lado do centro. Eu não estava ciente da coisa, então entrei numa ponta, comecei a andar pela loja, a assustar-me com os preços que saltavam das etiquetas em tom ameaçador, a fugir de um lado para o outro, vi uma porta e saí, achando convictamente que tinha dado a volta à loja e estava a sair pela mesma porta de entrada! Fui parar a um corredor totalmente diferente, mas em vez de voltar a entrar na loja e sair pela porta correcta, preferi dar aquele ar do "Ai, era mesmo este o plano!" e continuei na minha. Acontece que este piso em nada se assemelhava à planta que eu tinha estudado lá em baixo, então a modos que não fazia ideia para onde me virar! Continuei a andar, muito calmamente, à procura de uma loja com ares de Worten. Aventurei-me por outras lojas, a dominar o esquema da passagem já, a ver os cantinhos todos que podia, experimentei o 2º piso, mas nada de ferros de engomar! Decidi mudar de centro comercial e desci umas escadas (diferentes das que tinha subido) em busca da saída. Utgang, utgang, ut... Não havia sinais em lado nenhum de possíveis saídas... Mas onde é que eu me vim meter, que não há saídas de emergência devidamente assinaladas?! E eu seguia as pessoas, de um lado para o outro, a tentar perceber por onde sair, mas nenhuma delas procurava a rua... Até que vi uma senhora carregadíssima de sacos e pensei "Esta vai embora! Vou segui-la!" e ela conduziu-me ao metro! Lá coloquei o meu ar de "Era mesmo isto!" e entrei numa papelaria para disfarçar, dando uma volta educada e correndo logo de seguida para a rua!
First down, one to go! Já que não tinha encontrado nada, entrei num segundo centro comercial, mesmo em frente aquele de que fugi, mas mais a medo não me fosse perder outra vez! Este era bem pior, com um ar muito mais antigo, pessoas feias, e até a planta do piso 0 era confusa! Subi e desci algumas escadas (sempre as mesmas, para não me enganar!) mas não encontrei nada e voltei para casa de mãos a abanar, feita cachorrinho perdida à chuva! Havia mais umas quantas lojas ali à volta, mas estava tão deprimida que não queria procurar mais nada! E sim, é assim que acaba a minha aventura aos centros comerciais... não sei se volto lá tão cedo!
Bem, mas falando das partes boas... O Sol neste país é uma espécie de dádiva, com um temperamento muito difícil! Quando ele aparece, corre tudo para a rua em movimentos de agradecimento. Ele é famílias, casais, turistas, novos, velhos, jovens, experientes... Tudo! E quando as temperaturas atingem a perigosa e louca temperatura de 20º (imagine-se!), corre tudo para a praia! Também as há cá sim, e bem agradáveis por sinal! Como não podia deixar de ser, como gosto de me adaptar a estes novos rituais, corri também para a praia... ou então é só porque tive uns míseros 7 dias de praia em Lisboa e o meu corpo grita desesperadamente por Sol! A água é, estranhamente, mais quente que a da Caparica, o mar mais calmo (mas nada transparente), a areia muito mais escura e a sua extensão MUITO mais pequena! Tem uma particularidade apaixonante, que a torna bem mais agradável que qualquer praia da costa : é rodeada por rochas e árvores que constituem, não só, o cenário perfeito mas também um óptimo abrigo, quer ao Sol forte quer à chuva chata! Nenhuma das situações se colocou, mas sou uma pessoa que gosta muito de suposições! Ora, o problema de ir à praia na Noruega, não é tanto o frio da água, mas o vento que se levanta depois de sair dela, que em nada é ultrapassado pelo fraco calor do Sol! Dado este pequeno pormenor, não ficámos muito tempo na praia e voltámos ainda molhados para casa, mas o pouco que tive de praia, já deu para matar as saudades!
Após um dia de praia, nada melhor que uma noite de Jazz passada no melhor bar da cidade, o Blå. Não é que eu seja total conhecedora da noite de Oslo, mas este tem de ser o melhor! Junto ao rio de Grünerlokka , parece um barracão abandonado transformado num espaço com um ar meio alternativo, frequentado por gente muito estranha e gente muito normal. Aos domingos, é dos poucos bares abertos e tem a melhor banda de jazz de sempre "Frank Znort Quartet ". Não consigo descrever a brutalidade desta banda... são uns 10 gajos, cada uma mais caricato que o outro! Um vocalista entradote com voz de sedutor, um pianista com ar de mafioso, um trompetista que se veste de mulher, um violoncelista com ar de hippie, uma sedutora com maracas, e outros tantos artilhados de trombones, saxofones, e tudo o que se possa imaginar! São fantásticos, mas só vistos mesmo!
A partir de hoje já sei onde e como passar os meus serões de Domingo : a ouvir Jazz e a rir-me!
Começa a surpreender-me esta cidade.
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