quarta-feira, 2 de setembro de 2009

12 . Agosto . 2009

Se acham que após a arrebatadora chegada a Oslo, a semana que nos esperava foi uma alegria completa com direito a saltinhos em campos de flores e borboletas... enganam-se!
Ora, dia 12 de Agosto... Acordámos cedinho para tomar o dito pequeno-almoço incluído no absurdo preço de uma noite naquele hotel, muito rico, muito saboroso, muito tudo! Após o mesmo, saímos para comprar os passes de transportes e encontrar o posto de turismo para roubar um mapa! Um fantástico e frescote dia de Sol brindou-nos os primeiros passos pela cidade, querendo transparecer um dia calmo, sem grandes alaridos ou afins... Diz que é assim o Sol de Oslo, mentiroso! Uma breve passeata pela Karl Johans, uma maçã a correr rua abaixo numa pressa absurda de chegar a lado nenhum, uma pantera espantosamente serena em frente à Oslo S, um breve olhar sobre a Ópera, um viking que ficou amigo da mãe e... de volta ao hotel!
Após um intensivo estudo às linhas de metro e mapas da cidade, lá partimos para a pesada e cansativa aventura Osliana (ou como lhe queiram chamar). Lá nos metemos no metro (Linha 3 em direcção a Sognsvann), eu de mochila às costas e a mãe de mala na mão, em busca da chave da minha suposta residência em Kringsja. É de referir que esta dita é longe como tudo do centro da cidade, pior que Amadoras ou coisas que o valham! Chegadas à residência, nada nela sorria para mim... uns prédios horrorosos de aspecto cinzento, que se reflectiam no Sol que até se escondeu! Já no SiO, que é a associação que coordena a vida estudantil cá do sítio, apanhámos o susto do dia. Do dia, da semana, do mês...
Ora, vamos situar-nos : Noruega, país nórdico - Oslo, capital, cidade mais cara do mundo... tudo isto seria de igualar a "país desenvolvido", que por sua vez implica "organização", a partir da qual se espera tudo menos um Portugal dos pequeninos aqui enfiado! É que ser presenteada com um "We're really sorry, but we're having some little problems and...Well, we don't have a room for you!"... What the f***?! Expondo a situação de forma clara: candidato-me a um quarto em Bjolsen, que eles me dizem que não têm de forma nenhuma. Insisto e insisto e eles dizem "ou Kringsja ou nada". Eu pago o quarto em Julho e recebo a confirmação da reserva. Um mês depois chego à cidade e afinal o quarto que me foi impingido, NÃO EXISTE! Devem ter ido aprender com os portugueses a vender mais do que têm! Tudo isto que se passou na minha cabeça, transpareceu para a minha cara num misto de pânico e raiva, ao que a senhora decidiu responder com a solução disponível : dividir um quarto com uma rapariga numa residência qualquer de fim de mundo "apenas temporariamente". Só desejava abrir-lhe a cabeça ao meio e ver se o que havia lá dentro era cérebro ou ar, porque ao que me pareceu eram todos um pouco limitados naquele gabinete. Bem... Mas alguém um dia disse "O que a Sara Preto quer, a Sara Preto tem." e parece ser bem verdade...
Já estava eu praticamente disposta a aceitar aquela porcaria daquela solução pois, aparentemente, era a única existente, quando a minha mãe se lembrou de uma questão muito simples: "onde é que ELA ia dormir?!" Ao colocar esta questão à senhora, a cara dela ficou de todos os formatos e mais algum, sem saber o que fazer ou dizer. E de repente fez-se luz na cabecinha dela... juntou um A e um B e tcharan! "Well... we have some unfurnished rooms inBjolsen, if you want we can change de contract..." finalmente, uma coisa inteligente saída da boca daquela senhora! Os meus olhos brilharam, passarinhos cantaram aos meus ouvidos e pronto... o Sol apareceu de novo. O único senão é que tinha que ir a um outro departamento (lol! SIM! Só para não ter saudades do meu país!) buscar a chave do apartamento, mas tudo de bom!
Passado o "desentendimento" de final feliz, esperava-nos uma longa jornada até Blindern, que ficava na outra ponta da cidade (quase...vá). Neste preciso momento cai um anjo do céu, em forma de "Senior Student", que teve a oportunidade de assistir a todo o filme em primeira fila e (provavelmente com dó de nós) nos ofereceu uma boleia de carro até Blindern. Claro que a viagem foi a falar mal do SiO, pois ao que parece, isto acontece todos os anos... como ele disse "É incrível como um jovem de 18 anos a trabalhar na recepção de um hotel consegue fazer o checkin e check out de 200 pessoas por dia, e os funcionários do SiO, ao terem que colocar 20 estudantes numa residência num mesmo dia, baralham o sistema todo!" Sim, é de referir que isto não me aconteceu só a mim... vários dos Erasmus da minha faculdade ficaram na mesma situação e das vezes que voltei ao SiO, vi vários estudantes (todos estrangeiros) a queixarem-se de ainda estarem à espera de quarto! E depois nós dizemos "Ah! Isto só em Portugal!", mas não... alegrem-se porque também acontece na Noruega!
Depois de algum tempo de espera em Blindern, lá recebi a minha chave e o cartão da Lavandaria e lá fomos a caminho de Bjolsen para um primeiro "Olá" à minha nova casinha! Vazia... um roupeiro, uma casa de banho, uma janela enorme e... muito chão, muitas paredes, tudo vazio! Bem, pelo menos um tecto (e um CHÃO) já tínhamos para dormir! E ao que parece... seria a única coisa que teríamos! Mil tentativas de contacto com a Sara (a rapariga que cá este o ano anterior e me tinha vendido a mobília) mas nenhuma bem sucedida. E eu sem contactos do Ruben e da Natacha, sem mobília e com muito chão! Voltámos ao Hotel para ir buscar os dois malões que lá tinham ficado guardados e voltámos para a residência, pesadas a passear pelo metro e pelos autocarros da cidade!
Uma vez que a Sara não me respondia, decidi recorrer ao plano B : pedir um colchão emprestado aos assistentes da residência para que a minha mãe tivesse onde dormir! Acontece que já eram umas 5 da tarde... e os assistentes saem às 3... e o segurança jeitoso que lá estava não podia fazer nada mais que deixar uma nota com o pedido... conclusão : íamos dormir, AS DUAS, no CHÃO! Após partilhar a boa nova com a mãe (e recorrer ao colinho dela!), a resposta dela foi "Vá...vamos às compras! O resto resolve-se, logo se vê!" e fomos às compras!
A nossa figurinha no supermercado : não percebemos um CÚ de Norueguês, eu só rezava para que me caísse um colchão do céu, as coisas no supermercado caríssimas e nós à procura, não só de alimentos básicos, mas de pratos e copos e essas coisas! Experiência sudoeste : tapperwares
como prato, talheres de plástico (roubados da zona de "pronto a comer" do supermercado) e copos de plástico! Umas coisinhas daqui, outras dali, umas coxinhas de frango e vamos jantar!
Mais uma vez (e peço desculpa de me estar a repetir) "O que a Sara quer, a Sara tem!"... Estávamos nós a depenicar as nossas coxinhas de frango com umas batatinhas fritas, num tapperwar mal amanhado, quando eu olho em frente numa análise territorial tipicamente humana e... ali mesmo... ao lado do 407, atrás da televisão e iluminada por uma luz vinda não sei bem de onde... UMA CAMA DESDOBRÁVEL! Literalmente, caída do céu! Fui bater à porta do único rapazinho que tinha conhecido na casa e perguntei-lhe se podia usar o colchão, ao que eles respondeu "Yeah, no problem!". Saltinhos, pulinhos, gritinhos silenciosos! A minha mãe já tinha onde dormir! Mais tarde o rapaz passou pelo quarto e disse que o colchão devia ser de uma rapariga que tinha mudado de residência e que podia ficar com a cama na boa... bichos do mato, mas simpáticos!
E pronto, muito mais felizes e aliviadas, fomos dormir e rezar para que a Sara me respondesse no dia seguinte... Caso contrário, atiçaria a minha irmã contra ela! Ahah!

2 comentários:

  1. Aposto que o Viking que a minha Sisterna conheceu se chamava Oslavo Bitak.
    Pedro Tiozoco

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  2. O que a Sara quer, a Sara tem . . . Fantástico! ehehe beijo

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