Estou há cerca de meia hora à espera de ser atendida e nada melhor que escrever para acelera e matar estes momentos de espera.
Perguntam-se do que estou eu à espera e eu respondo : vim pedir o meu Norwegian ID Number, porque no fundo até quero ser um deles... um cabelinho loiro, mais uns 20 cm de pernas e o ID é só pormenor! O Jonathan tinha-me dito que isto estava sempre vazio, mas enganou-se! Das duas umas, ou escolhi mal o dia ou as filas adoram-me. Faltavam cerca de 70 números quando aqui cheguei e a tabela parece simplesmente estagnada. Estive quase a voltar para trás, mas já recebi a permissão de residência há quase uma semana e preciso, desesperadamente, de uma conta norueguesa!
Tudo isto porque, na segunda, fui ao banco saber como era para abrir a conta (diz que alguns pedem o número por nós, sem cartões nem complicações) mas o senhor do banco não se soube explicar muito bem, ou não me soube entender - digamos antes assim - e achei por bem tratar disto a solo e logo se vê no que dá! No entanto, esta viagem até ao banco não foi tão simples e enfadonha como possam imaginar... Sim, porquê facilitar quando podemos arranjar sempre histórias giras para este blog?! (pensa Oslo de cada vez que eu saio à rua)
Primeiro : tinha a morada, mas desconhecia a verdadeira localização do banco; Segundo : chovia que se fartava. Na verdade, nunca tinha visto tanta chuva junta, nem mesmo quando andei perdida com a mãe à procura do 54 naquele fatídico Sábado turístico. Estava um daqueles temporais em que, qualquer pessoa normal ficaria em casa a beber chocolate quente, enrolada numa manta e a ver filmes que não puxam pela inteligência, mas a verdade é que eu tomei uma decisão no fim-de-semana que fez de mim uma pessoa não-normal, quase uma resolução de ano novo (aliás, de novo mês) : Se não consigo parar a chuva, não vou deixar que ela me pare a mim! Parece quase um anúncio Dulcolax "Pare a diarreia antes que a diarreia o pare a si", neste caso é uma diarreia dos céus mas o lema funciona à mesma! Posto isto, armei-me em "Já-não-me-afectas", peguei nas perninhas e lá fui eu em busca do Nordea encantado! Escusado será dizer que me arrependi a meio do caminho, até porque a minha escolha de roupa nem sempre é a mais apropriada (sim, calções e collants de novo...) mas já estava em Majorstuen e não podia quebrar a resolução! De morada em riste, procurei pela rua do dito, a saltar de poça em poça (quando fugia de uma, aterrava acidentalmente em cima de outra), com um chapéu que mal me protegia a cabeça e uma chuva que vinha de todos os lados, incluindo do chão, o resultado não podia ser o melhor! Depois de 30 minutos a andar nestas condições, lá encontrei o banco, mas como nada funciona à primeira, aquilo era a sede onde NÃO SE ABREM CONTAS! E onde era a sucursal mais próxima?! AO LADO DA SAÍDA DO METRO, metro esse de onde eu tinha saído há meia hora atrás! Portanto... meia hora a andar, uma piscina nos ténis, umas cataratas nas pernas para... voltar para trás! Nada a fazer, voltei pelo mesmo caminho, molhei-me mais um bocadinho (já totalmente anestesiada, portante não senti mais nada) e entrei no banco que mais parecia um lago de tanta água que as pessoas traziam! 20 minutos à espera, para o tal senhor que não me entendeu nem se fez entender (ele falava um inglês muito mauzinho, tadinho) me informar que a minha ida ao banco tinha sido inútil! É sempre agradável...
Voltei para casa, mas esta guerra com a chuva deu-me uma certa adrenalina e, em vez de me aninhar na manta e me empanturrar de comida que não presta, armei-me em dona de casa (não desesperada), dei uma "faxina totau" ao meu humilde quartinho, passei roupa a ferro e quando olhei pela janela... tinha parado de chover! Quem é o elo mais fraco, quem é?! Isto de dar luta à chuva tem muito que se lhe diga... deviam experimentar um dia! O pior que pode acontecer é ficarem doentes e de cama...
Ontem andámos a passear por Bygdoy, pelo Open Air Museum, com a aula de NorwegianArchitecture. Foi um bocado seca, uma vez que já lá tinha estado e era só lama por todo o lado, mas ao menos fiquei a saber uns factos curiosos sobre aquelas casotas de madeira, sendo um deles o facto de os noruegueses serem um bocado limitados : em pleno século XVIII andavam-me a fazer igrejas e casas de madeira porque não tinha dinheiro para construir em pedra... Agora são ricos, mas mostram um orgulho extremo por estas edificações! Outro facto curiosíssimo era o de dormirem 4 pessoas por cama, e haver um líder que decidia para que lado dormiam e em que altura da noite se viravam para o outro lado, ou o simples pormenor de, já há mais de 2 séculos que consideram a cerveja um bem essencial à vida... vê-se aos sábados à noite!
Faltam dois números para o meu! Quase quase norueguesa... See you!
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